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quarta-feira, 20 de maio de 2020

CRÔNICA - Enquanto Houver Sol (ES)

ENQUANTO
HOUVER SOL
Edmar Santos*


TITÃS – “Enquanto Houver Sol” é uma música da banda de rock Titãs, presente no décimo primeiro disco da banda e cantada por Sérgio Britto.










(https://pt.wikipedia.org/wiki/Enquanto_Houver_Sol)



/Quando não houver desejo/
/Quando não restar nem mesmo dor/
/Ainda há de haver desejo/
/Em cada um de nós/
/Aonde Deus colocou/
(...)

Deus colocou nossos desejos dentro de nós, numa caixa de insatisfação; nela eles se multiplicam inúmeras vezes, e jamais podemos fartá-los, portanto: “ainda há de haver desejos” enquanto vida houver. Sempre!

No entanto é preciso que os queiramos desejar, ainda que não consigamos, em toda a nossa trajetória de vida, satisfazê-los. Muitos nem são mesmo para esse fim, ou por não os merecermos, ou por não serem benéficos.

Desejamos apenas por desejar... o desejo é como um propulsor de vida, que nos faz entrar em movimento. São sempre úteis para gerar, por eles, ideias de se viver, pois a certeza do fim, neste plano, já nos é imanente. Ideia de Deus: Sempre há solução.

/Quando não houver saída/
/Quando não houver mais solução/
/Ainda há de haver saída/

A saída está no correto entendimento de nossas possibilidades, das possibilidades de nossa vivência no mundo. A música em referência nos invoca a entender que, partindo de nossa finitude, “nenhuma ideia vale uma vida”, pois quando tendemos a alimentar ideações de finalizar uma vida por nossa própria vontade, seja de quem for, estamos interferindo deliberadamente nos propósitos da ideação original – O Altíssimo – que objetivou algo.

Ainda que não percebamos, há mais vida nos aguardando à frente; seja nesse ou em outro plano.  Não nos cabe acelerar o processo, e se o fazemos a responsabilidade e consequências serão apenas nossas. Cultivemos a esperança.

Desesperançar é ser gente grande ao extremo. É cristalizar-se pelas percepções que se colhe do mundo exterior: desamor, desemprego, inveja, materialismo, apegos exagerados, falsas alegrias, etc. A manutenção da vida está no esperançar a simplicidade das coisas pelo nosso próprio olhar. Como o abraço de uma criança a outra, que sempre é livre de preconceitos e de intenções subliminares.

Infantilizar-se nem sempre quer dizer se tornar infantil, mas, em certa medida, é adotar o espírito livre do jeito de ser e de olhar da criança. Sejamos simples como os pequeninos, que esperam em nós, os crescidos, amor e cuidado; oferendo alegria e sorriso em troca. E vida!

/Ainda há de haver esperança/
/Em cada um de nós/
/Algo de uma criança/

Crianças sadias não param os pés quando dormem. Os pés em movimento sempre desenham um caminho, seja de ida, seja de volta. Seguir sozinho não significa, exatamente, não ter ninguém; significa, sim, possibilidade de encontros.

Os Titãs exaltam o movimento, o romper da inércia para um caminhar vivendo, ainda que solo; mas o desenhar da estrada está no fazimento do percurso. A agulha norteadora é o dedão do pé. Para aonde ele apontar o caminho do sol da vida, é para lá o norte a ser seguido.

/Quando não houver caminho/
/Mesmo sem amor, sem direção/
/A sós ninguém está sozinho/
/É caminhando/
/Que se faz o caminho/

O caminho do sol simboliza para nós o nascer de um novo dia: “/Enquanto houver sol / Ainda haverá/”. Ele simboliza essa oportunidade de sairmos da inação corpórea do ato de dormir, para nos lançarmos na cinética dos movimentos de execução dos afazeres diários, viver o mundo, no mundo, com suas alegrias e tristezas que nos atingem.

Emoções que nos alcançam e que nos influenciam à medida da valoração que destinamos a cada uma delas. Às vezes erramos por valorar demais o que nem tem tanto brilho assim; nos faltou a simplicidade do olhar das crianças na avaliação. Era simples ouro de tolo, de brilho falso. Foi apenas um engano. “/Enquanto houver sol / Ainda haverá/”. Acorde, que o sol já vem!



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