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domingo, 5 de janeiro de 2020

RESENHA - Artigo "Honestidade Intelectual", de Rui Martinho Rodrigues (VM) - 05.01.20


LIÇÕES PROCEDENTES, CREDORAS DE CEM POR CENTO DE FÉ
Vianney Mesquita*


Sapiens incipit a fine, primo stultum finem. (George PÓLYA. Budapest, 13.12.1887; Palo Alto – Ca, 7.7..1985).**


Perspicazes, magnificamente corretas, compostas com óculos professorais da mais cristalina visibilidade, constituem no meu sentir as preleções do Professor Doutor Rui Martinho Rodrigues, da Universidade Federal do Ceará, concernentes ao decoro espiritual que deve presidir à atuação do operário em decurso de demanda científica.

Reporto-me, sem lhe tencionar qualquer ideação crítica, tampouco imprimir adendas e fazer substituições – porquanto inadmissíveis  ao texto intitulado Honestidade Intelectual, editado neste medium no dia dois imediatamente transato. Ali, decerto se transportando a muitas pesquisas denotantes de senões metodológicos e fugas dos pressupostos da Filosofia da Ciência e de outros ramalhos que presidem o assunto  por ele divisadas no seu mister como docente dessas matérias – o Presidente Emérito deste Silogeu comenta a incumbência moral de quem depara o múnus de investigar eventos novos, com vistas a – nisi hoc tantum quod (só e apenas isto) – fundear ao porto da verdade. Se isto não obtiver, pois, que o resultado falseie, definitivamente, a intenção de que o pretenso achado oriente conhecimento, o chamado saber brocado, como, exempli gratia, a ideia popularesca e desacertada de que o leite vacum é antídoto de poções químicas venenosas.

Infelizmente, seja isto expresso, muitos resultados enganosos concedem extensões às buscas, de modo que até certos operadores de ciências mais novas, nomeadamente algumas das dispostas no rol de sociais – com não muito mais de cem anos de batismo – se louvam em metodologias equívocas e técnicas avessas aos ditames das configurações filosófico-metodológicas, afastando-se dos lineamentos esmerados suscitados por seus genitores, abandonando, por conseguinte, as determinações de honestidade espiritual exigíveis do operador de ciência, fazendo, assim, prosperar a inverdade, mormente no hodierno estádio de emprego das vertentes virtuais da rede mundial de computadores, nem sempre de boa procedência.

Menciono, verbi gratia, na Linguística, Ferdinand de SAUSSURE (Genebra, 26.11.1857; Vufflens-le-Château, 22.2.1913) e Noam CHOMSKY (Est Oak Lane, 7.12.1928 – vivo, 91 anos); e, na Antropologia, FRANZ Uri BOAS (Minden-Al., 9.7.1858; Colúmbia-EUA, 21.12.1942) e Bronislaw Kasper MALINOVSKY (Cracóvia, 7.4.1884; New Haven; Conn-EUA, 16.5.1942), como patronos cujos modi operandi de procura científica são desvirtuados, com recursividade, sob adendos e substitutivos metodológicos desajustados em relação ao que por eles foi operado e dimanou ajustado, razão por que os precitados cientistas continuam reconhecidos como paredros de seus ramos disciplinares, havendo operado com a devida e exigível honestidade intelectiva, neste passo, divisada e transferida aos leitores por via deste extraordinário mass media da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo e pela destra e cérebro de seu renomeado produtor de experimentos, ora sob anotação despresumida.

Os teóricos, escritores de Metodologia Científica e Filosofia das Ciências, bem assim os pesquisadores  conforme ocorre com o intelectual sob escólio, o Prof. Dr. Rui Martinho Rodrigues (autor, dentre muitos outros, de Pesquisa Acadêmica  como facilitar o processo de preparação de suas etapas. São Paulo: Atlas, 2007)  desaconselham, ensinam, prescrevem, impõem, alfim, que abandonem o mau vezo de operar com metodologias desarranjadas, ao empregarem procedimentos mais fáceis que jamais transportarão a algo de proveitoso, trazendo, contrario sensu, uma falsa existência de “fatos”, o que é conducente, cada vez mais, à tacha do erro, o qual deflui da inexistência de obrigação moral do pesquisador de que seja isento e honesto.

Forrado, então, de notáveis informações e ilações pessoais – principalmente estas  na sua extensa e batistinamente endireitada vereda de demanda científica, como escritor experto nesta seara e docente de dotes invulgares – esse mestre polimático doutrina, com profundidade e fastos de detalhes, a respeito do assunto honestidade espiritual do operador de ciência. Ali, ele conforma uma lição irrepreensível, que todos devem hospedar com carinho, sem qualquer tinta de reserva, e, ocorrendo de o leitor-demodulador daquela mensagem ser trabalhador da busca do fato novo, pode ele armazená-la como recheio de sua biblioteca – nos moldes atuais, a guarda no computador – para uma oportuna aplicação no seu modus faciendi de trabalhador do conhecimento constantemente diligenciado.

O artigo sob comentário é uma estela de beleza científico-pedagógica, não apenas sob o ponto de vista da preceituação no âmbito temático, mas, também, em decorrência de seu estilo ameno e atraente, capaz de prender o bom ledor da prima à derradeira manifestação vocabular, pois não é comum, pela rigidez e sequidão de termos e dicções científicos, um observador estudar informações sob o trato do saber parcialmente ordenado, provando, também, de uma como estesia literária de ficção, ou qual se fora romance, conto, crônica, ode, sátira, narrativa histórica, poesia et reliqua...

Obedeço na inteireza suas observações, pois aficionado seu desde os primeiros escritos, de dois dos quais tive o lance honroso e feliz de participar na qualidade de comentador nos próprios volumes: Príncipe, Lobo e Homem Comum (UFC, 1997, com 38 notas de rodapé) e Contratualismo, Política e Educação, em parceria com os, também, professores da UFC doutores José Gerardo de Vasconcelos e Cândido Lustosa Bittencourt de Albuquerque (Reitor atual), com o Estudo Introdutório, sob a designação de Hobbes, Locke e Rousseau sob o Crivo de Três Notáveis (UECE, 2016, p. 8-23).


** O sábio começa no fim; o tolo termina no começo.




COMENTÁRIO

Caro amigo Vianney, agradeço comovido os generosos comentários que você dedicou ao meu texto. Sinto me faltar engenho e arte, como diria Camões, para retribuir, fazendo a apreciação da sua vasta e meritória produção intelectual. 

Rui Martinho Rodrigues
   


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