ANTOLOGIA ILUSTRADA
DOS CANTADORES
Vianney Mesquita*
Eu me chamo Zé Limeira,
De lima, limão, limansa
As estradas de São Bento
Bezerro da vaca mansa.
Valha-me, Nossa Senhora,
Ai que eu me lembrei agora:
Tão bombardeando a França!
(ZÉ LIMEIRA. Teixeira-PB -1866/1954)
Este
livro de Otacílio
Batista Patriota e Francisco Linhares, em segunda edição
(1976), talvez seja o único ensaio profundo, digno deste adjetivo, acerca da
poesia popular brasileira, traçado por ensaístas-cantadores.
Devassando
os íntimos registros do tempo, da Antiguidade, como da Idade Média e da
Renascença, Linhares e Batista perscrutam o passado e o projetam no presente,
acompanhando, com absoluto conhecimento de causa, os estádios da poesia oral
dos violeiros, emboladores e cantadores, por meio da maquinaria das épocas, não
apenas narrando fatos e invencionices e apontando datas e pessoas, como também
os vinculando às realidades sociais, políticas, econômicas e psicológicas na memória
dos diversos ciclos da História. E isto torna o ensaio trabalho de ciência, bem
como de pão e circo, de enorme valor, tanto para simples deleite como a fim de
embasar estudos e pesquisas em diversos setores de investigação de nossa
cultura popular.

Este
livro do Dr. Linhares e do paraibano Otacílio, como produção lúdica e
interpretativa da poesia matuta, mais ou menos semelhante em seus aspectos
gerais, em todo o Mundo, é obra de referência obrigatória para todos aqueles
que procuram examinar o assunto sob quaisquer ângulos de análise.
Além
disso, a Antologia reúne as mais gaiatas estrofes do cancioneiro de
viola do Brasil, um retrato colorido de pessoas e coisas do mato, distantes da
escola e dos comportamentos citadinos, que bem pode transportar a maioria dos
leitores às suas legítimas origens beiradeiras.
Extraído,
com modificações, de Resgate de Ideias – Estudos e
Expressões Estéticas. Fortaleza: Casa de José de Alencar (UFC), 1996.
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