POSSE
NA ACLJ
DISCURSO
DO CHANCELER
EDSON
QUEIROZ NETO

Muito
nos honra, a ambos, essa aclamação e o distinto convite, tanto pela dignidade
de nos tornarmos Beneméritos como por ocuparmos, com nossa aceitação, as vagas
deixadas, respectivamente, pela minha avó Yolanda e pelo meu pai Airton.
Minha
família vem mantendo elos sentimentais com essa nobre Academia desde a sua
constituição, quando o nome do meu avô Edson Queiroz foi escolhido para ser o
Patrono da Cadeira de nº 3, de sócio efetivo.

Importa
lembrar que as primeiras manifestações intelectuais cearenses, ainda na aurora
do Século XIX, foram registradas através da Imprensa combativa e partidária.
Os
jornais impresso eram então panfletos virulentos e refletiam a luta política
provincial, mas abrigavam também as incipientes produções literárias, sobretudo
poemas e contos, como o jornal “Fraternidade”, patrocinado pela Academia
Francesa em 1873, e o jornal “Libertador”, que começou a circular em 1882,
custeado pela entidade que reivindicava a abolição da escravatura.
Um
século depois Edson e Yolanda Queiroz fundaram o jornal Diário do Nordeste e a
televisão Verdes Mares, o que evoca aquelas raízes históricas e nos vincula à
vocação do Estado. É certo que foi necessária a ampliação do número de veículos
de imprensa, a eles incorporando-se as rádios Verdinha e FM 93, a TV Diário e
as novas plataformas da Internet, devidamente adaptados aos conceitos e aos
processos contemporâneos.
Por
isso, o moderno jornalismo do Sistema Verdes Mares se faz fidedigno aos fatos,
para que seja respeitado pela opinião pública; se rege por princípios transparentes que priorizam o interesse
público e a ética; se expressa com independência e imparcialidade, acolhe a
pluralidade de pensamento e defende a liberdade de expressão.
Igualmente
criação memorável de Edson e Yolanda Queiroz, a Universidade de Fortaleza introduziu
a educação superior privada no Ceará, a fim de proporcionar aos jovens a
habilitação profissional.
Quanto a meu pai, Airton Queiroz, coube-lhe
consolidar o trabalho tão bem começado pelo meu avô. Na sua longa gestão como
Chanceler, ele expandiu as áreas humanísticas e científicas da Unifor, abrindo
cursos de jornalismo e deferindo vigoroso estímulo às artes plásticas, cênicas
e musicais. Ainda instituiu, especificamente, concurso literários que animam os
poetas e os prosadores carentes do reconhecimento de suas obras. Além disso,
Airton Queiroz valorizou simbolicamente a Literatura Cearense, ao instalar uma
parte da biblioteca pessoal da romancistas Rachel de Queiroz num espaço privilegiado
da Biblioteca Central da Unifor.
Essa
nobre Academia elegeu como principal finalidade promover “a cultura da língua falada
e da literatura”. Trata-se de um objetivo fundamental para multiplicar o número
de leitores qualificados no contexto de nossa sociedade. Já a Padaria
Espiritual, agente provocador da maior efervescência intelectual em Fortaleza,
no ocaso do Século XIX, reclamava a falta de leitores sem os quais o escritor
local não sobrevive, e foi o motivo pelo qual muitos deles emigraram para o Sudeste. A verdade é que esse fenômeno opressivo se repete no presente. Fora do
eixo Rio-São Paulo, o autor não coloca seus livros no mercado nacional e nem
alcança a projeção que o seu talento merece.
Portanto,
é inestimável a atuação dessa Academia nestas duas vertentes do conhecimento
humano: a Literatura e o Jornalismo. Dentro de nossas possibilidades, tia Paula
e Eu, nos engajamos nessa missão cultural, na certeza de que dessa forma
contribuiremos com o legado de nossa família.


Agradecemos,
nós, com emoção, a todos os membros dessa nobre Academia, na pessoa de seu
ilustre presidente, Reginaldo Vasconcelos, pela concessão do título com o qual
estamos sendo distinguidos. Somos gratos também aos amigos presentes nesta
solenidade. Muito obrigado.
Edson
Queiroz Neto.
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