quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CRÔNICA - Os Quadro Dês (HE)


OS QUATRO DÊS
Humberto Ellery*


A posse ontem da Procuradora-Geral da República, Dra. Raquel Dodge foi plena de sinais positivos. Se palavras podem significar alguma coisa, seu discurso de posse foi irretocável. Depois dos desmandos e atropelos às Leis perpetrados por seu antecessor, foi com alívio ouvi-la dizer que “os valores que defenderemos e que definirão nossas ações estão na Constituição (...) o respeito à Lei e às instituições, observância do devido processo legal e responsabilidade. São os atributos da Cidadania”.

A não citação da Operação Lava-Jato foi emblemática, significa dizer que ela percebe um Ministério Público muito maior que uma operação de combate à corrupção, por importante que seja. Sua atuação por certo vai mostrar ao País a verdadeira dimensão do MP, que tem sido relegado a um “samba de uma nota só”.

Os que a conhecem dizem ser a Dra. Raquel uma pessoa Dura nas suas exigências, Destemida na persecução aos criminosos, Determinada em seus objetivos, e, por ser uma pessoa polida, educada, é muito Delicada no trato com as pessoas. São quatro dês, que combinam bem com seu sobrenome Dodge.

Já o Sr. Rodrigo Janot não tem atributos que eu admire. A começar por sua intolerável arrogância, sua postura de quem está rempli de soi-même, seu linguajar debochado, incompatível com uma autoridade que deveria estar, isso sim, num jardim de infância brincando de índio com seus bambus e suas flechas. 

Seu descompromisso com valores da nossa Constituição, como a presunção de inocência, o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa. Sua total irresponsabilidade com o sigilo judiciário, promovendo vazamentos seletivos com objetivos espúrios. Seu descaso para com uma investigação criteriosa a partir das delações (pois para isso é que existem), elevando delações e ilações ao patamar de provas. Sua desfaçatez em mover um Processo contra o Presidente da República e depois admitir cinicamente que não tem provas.

Além dessa imagem pública, fátua, para mim totalmente negativa, pesam contra ele episódios mal explicados, como o diálogo do Ex-Presidente Lula com o Advogado Sigmaringa Seixas, quando o boquirroto, naquele seu típico linguajar de mictório de cabaré, referindo-se ao então Procurador-Geral afirma que “...esse cara, se fosse formal, não seria Procurador-Geral, teria tomado cajú, teria ficado em terceiro lugar”, numa claríssima confissão de que houve fraude na eleição entre os procuradores que o alçaram ao posto que ele não soube honrar.

Seu açodamento em vazar para o Lauro Jardim, da Rede Globo, noticia da delação do Joesley, afirmando conter “coisas gravíssimas” contra o presidente Temer (que depois se mostraram completamente ineptas), justamente no dia 17 de maio, quando todos sabíamos que estava marcado para o dia seguinte, o dia 18, a primeira votação da inadiável Reforma da Previdência, que por conta do escândalo fabricado foi cancelada, e até hoje estamos aguardando que o Congresso dê esse passo importantíssimo para o deslanchar da economia do País.

Se vocês se deram ao trabalho de ler sua denuncia contra o PT, viram com certeza esta pérola de redação, assassinando a “inculta e bela”: “...entre os anos 2002 e 2016 integraram e estruturaram uma Organização Criminosa com atuação durante o período em que Lula e Dilma sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos, em especial contra a Administração pública em geral”.

O “ilustre Procurador certamente queria dizer exerceram a titularidade da Presidência da República, mas, para demonstrar uma erudição que não tem, numa ousadia que só os ignorantes possuem, inventou o verbo titularizar, que não existe no vernáculo.

Em suma, o Sr. Janot, pelos fatos expostos, também pode ser definido através de quatro dês: Despreparado, Debochado, Deletério e Desonesto.



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