Essencial éImpor Prescrições(Para
o causídico Dr. Reginaldo Vasconcelos)Vianney Mesquita *
Onde
há leis, tremer não deve quem as leis não infringe. (NICCOLÒ VITÓRIO ALFIERI, escritor e
dramaturgo italiano. Asti, 16.01.1749; Florença, 08.10.1803).
Bem corriqueiro em distintas passagens do raciocínio resulta em este proceder a uma autocondução até argumentações bem assentes na razão, circunstância própria da via ingênita dos humanos – evidentemente – ao habitar espontaneamente seus juízos.
Isto sucede quando da ocorrência de alguns episódios com os quais as pessoas se veem desobrigadas dos quefazeres profissionais, isentas de instantes sob recreação, imunes de momentos orantes, desembaraçadas da faina comum, abonadas, assim, do ror de determinações imprimido pela ordem vital. Destas, pela estrada natural do ser, quem reflete deslembra em muitos ensejos, transportando-as aos pensamentos.
Nalgumas ocasiões, os devaneios assomam meio inocentes e quase tolos, enquanto, em distintas conjunturas, as reflexões afloram mais circunspectas, delas reclamando vigilância e solicitude. Sobrevêm, ainda, em não incomuns situações, algo exigente de complementares ponderações, como, exempli gratia, as meditações acerca da vida pós trânsito anímico, umas delas impondo crédito no futuro eternal depois do óbito, segundo acontece com os cristãos, certos da Eternidade, ao passo que outras entendem como termo a derradeira expiração. Morreu, eis que finda...
Com efeito, temática a povoar o intelecto conforma-se na MORAL, um dos ideários – nem tanto alcançado na sua exata inteligência – exprimido na conjunção de regras e axiologias sociais, conduzidas culturalmente, orientadoras dos procederes, ao indicar tanto o correto como aquilo a remansar equívoco.
Daí
por que é exigível o dogma – o moto do soneto decassilábico português,
neste passo oferecido ao renomeado leitor. Dogma, como de saber quase geral,
fundamenta qualquer doutrinação, configura uma verdade incontroversa, que não
consente discussão e há de ser admitida e perfilhada pelos que professam
política, religião filosofia e muitos outros haveres do discernimento. É o caso
das revelações de Deus na Igreja Católica Romana, norteadoras da Fé e da
Moral.
DOGMA
(Vianney Mesquita)
Sem o DOGMA, a moral não passa de máximas e sentenças. Com ele, no entanto, torna-se preceito, obrigação e necessidade. [JOSEPH JOUBERT – ensaísta, moralista e professor de França. Montignac, 07. 05.1754; Villeneuve-sur-Yonne, 04.05.1824.
De doutrina abstida
a convivência,
A lógica não vai
vencer sentenças,
Tampouco evadir as
malquerenças,
Ariscas ao teor da
inteligência.
De vez serão
sepultas as avenças,
Mesmo ajustadas pela
consciência.
Conquanto se
exprimam em aparência,
Do ser humano o mal
sobra a expensas.
Necessidade
inquestionável
O dogma se fixa
inescusável
De um preceito
sólido a igual.
Sob o arbítrio
dogmático,
Dá-se o desfecho
matemático
À axiologia da
moral.
De tal modo, como expresso no primeiro quarteto, estando a convivência coibida de doutrina, as razões, não mandatórias nem dogmáticas, jamais vão vencer as máximas e os brocardos – aliás, mencionados na epígrafe de Joseph Joubert, intelectual francês de monta – tampouco as inimizades e antipatias, pois espantadiços e insociais ao que preside à inteligência.
Na outra quadra do poema em arte maior, ora reproduzido, em assim acontecendo, desaparecerão de vez os acordos e concertos – as avenças – mesmo pretensamente ajustadas pelas consciências, e, embora se mostrem em aparências, o mal vai ficar a expensas do ser humano, sob a responsabilidade dele.
De efeito, consoante referido no primeiro trístico do decassílabo lusitano, o dogma patenteia uma necessidade inconcussa, fixando-se inescusável, tal como se dá com um preceito sólido, dicção sinônima da ideação dogmática.
Em
assim sobrevindo, consoante divisado no secundário terceto do conjunto de pés
de dez sílabas, ao capricho do arbítrio inflexível e sentencioso, tem curso o
despacho exato aos valores humanos e humanitários da moral.

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