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terça-feira, 9 de junho de 2020

REPRODUÇÃO – Capítulo do Livro Franciscos Moradores do Céu (VM)



NOVE DE JUNHO
DIA DE
SÃO JOSÉ DE ANCHIETA*

Vianney Mesquita**


[...] nasceu em San Cristóbal de la Laguna (Arquipélago de Tenerife) uma das sete grandes Canárias (Espanha) no dia 19 de março de 1534, e faleceu na hoje Anchieta, antigo Município de Reritiba, Estado do Espírito Santo – Brasil, onde desenvolveu vida apostolar intensa e santa, desde aqui aportado em 13 de junho de 1553, na companhia de vários sacerdotes, dirigidos pelo Padre Luís da Gram.

O processamento canonizador desse Sacerdote-jesuíta representou um dos mais longos percursos canônicos da História Eclesiástica (nada menos do que 417 anos), ocorrência a me tocar próximo, pelo fato de haver tomado convivência, muito cedo, com o Apóstolo do Brasil, nas lições de História Pátria dirigidas pelos professores dessa disciplina.

Já em 1617, o Santo Presbítero – cujo culto ocorre em 9 de junho – era apontado em campanha, na Bahia, para que fosse beatificado, o que somente veio a suceder em 22 de junho de 1980, distante 34 anos de sua canonização, em 3 de abril de 2014, pelo Papa Francisco, e há 417 de seu exício terreno, ocorrido em 9 de junho de 1597, com a idade de 63 anos.

Alguns comentaristas da Religião e da Literatura (Anchieta, além de católico estremado, era completo literato), em seus entrelaçamentos, exprimem a ideia de que pode haver sido circunstância fautora de atraso nesses procedimentos canônicos a perseguição aos Padres Jesuítas ocorridas no País por parte de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, ministro de Dom José, nos anos Oitocentos, o que culminou com a expulsão dos inacianos, em 1759.

Matéria de 15 de dezembro de 2013, por mim divisada no Estado de São Paulo, assinada pelo jornalista José Maria Mayrink (8;2013), e da qual fiz paráfrase e muitos acrescentamentos, dá conta de que, logo depois do passamento do Padre José de Anchieta na então Reritiba, no Estado do Espírito Santo, a propagação de suas virtudes, amplamente conhecidas em Portugal e Brasil, aportou em Roma e circulou por todo o orbe católico.

Desta sorte – continua, com engano, Mayrink (Opus citatum) – “em 1624” (1634? 1644?), o Papa Inocêncio X (seu nome no século era Giovanni Battista Pomphili e dirigiu a Igreja de 1644 a 1655) deu por aberta a causa da beatificação de Anchieta.

É de imposição, de passagem, se atentar para o equívoco do redator do Estadão, ao indicar o ano de 1624, quando era Sumo Pontífice o Papa Urbano VIII (1623-1644) – Maffeo Barberini – não Inocêncio X. Quero crer haver acontecido escorrego de natureza gráfica.

Nos Oitocentos, o Primeiro Conde de Oeiras e Primeiro Marquês de Pombal, o prefalado Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa, 13 de maio de 1699 – Pombal – Portugal, 08 de maio de 1872), perseguiu os padres da Companhia de Jesus até sua expulsão do Brasil e de Portugal em 1759, período durante o qual todos os processos de beatificação e canonização ficaram suspensos, tendo sido a causa do Padre José de Anchieta retomada somente em 1875.

Estagnado o processamento jurídico-canônico no curso desse compridíssimo lapso, sem razões aparentes, até o apostolado de Paulo VI (Giovanni Battista Montini), o qual durou de 1963 a 1978, eis que o Brasil recorreu a esse Pontífice para lhe rogar a beatificação (8:2013), esta materializada em 1980, por via de um breve de João Paulo II.

Em adição, quiçá para justificar o retardamento do petitório da causa, já ouvi de pessoas, sem registro escrito, mas por caminhos orais e em opiniões esposadas antes de 1980 – ano da beatificação – a ideia de que as honras de beato, tampouco, evidentemente, de santo, jamais seriam concretizadas.

Tal ocorreria, à suposição desses árbitros, em razão de escritos laudatórios do Padre José de Anchieta ao terceiro governador geral do Brasil de 1558 a 1572, Mem de Sá (irmão do escritor Sá de Miranda), [conforme está] no De Gesti di Mendi Saa Praesidis in Baiilia (referido, por exemplo, em Barbosa, na tese de doutorado sustentada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, transferido para o livro As Letras e a Cruz (9:2006).

Também o fato pode residir em comunicação opósita do Padre Anchieta, em “detratação” aos inimigos oficiais, como os franceses expulsos pelo Governador, aqui deixados por Nicolau Durand de Villegaignon, e – isto sim, é importante – os brasileiros autóctones, os índios – aliados dos franceses contra Portugal, a quem o Padre-Escritor também se dirigira, na inteligência dos mencionados analistas (e sem a minha anuência, pelo menos in limine), com discurso muito carregado e ofensivo aos nacionais aborígines.


*A canonização de São José de Anchieta somente ocorreu no dia 3 de abril de 2014, por breve do Papa Francisco (Jorge Bergoglio).



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