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terça-feira, 23 de junho de 2020

CRÔNICA - O Prodigioso Mestre Jaime (JM)


O PRODIGIOSO
MESTRE JAIME
Jeovah Maciel*


Homem difícil de lidar. Gestos bruscos, parecia em ninguém confiar. Chegávamos perto, ele se afastava. Contudo, um artista em trabalhos com pedras, como era meticuloso, exímio fazedor de “fateixas” – peça que serve como âncora para as jangadas. Todos donos de jangadas encomendavam uma ao Mestre Jaime.

Pedi ao pescador Bichinha para encomendar uma fateixa que ornamentaria a Casinha da Colina. Pois não é que o danado fez três lindas peças! Quando chegaram, indaguei do portador quanto custava. “Jeovah, ele disse que não era nada”. Como pode? Um homem que me olhava atravessado nada quis por tão importante trabalho.

Meus olhos marejaram e com o tempo consegui retribuir tamanha gentileza. Algum tempo depois, uma filha do Mestre Jaime me procurou e disse estar preocupada com uma hérnia que estava incomodando o pai, que precisava ser operado, mas não sabia como fazer. Aí, falei com um dos meus Anjos da Guarda, um médico amigo, que mandou trazer o homem.

– Mas seu Jeovah – disse-me a filha – como levar o papai, se ele nunca andou de carro?

Foi uma batalha, mas finalmente o homem veio. Já com tudo pronto para a cirurgia, pela manhã recebo uma ligação da portaria do HGF e ouvi da enfermeira:

– Seu Jeovah?

– Sim, sou eu.

– O senhor é responsável pelo Seu Jaime?

– Isso mesmo.

– O problema, seu Jeovah, é que foi autorizado o internamento dele, mas o homem não aceita tirar o chapéu de palha da cabeça.

– Tem algum médico aí?

O residente me escutou:

– Doutor, pelo amor de Deus, interne esse homem do jeito que ele está aí, que mais tarde irei conversar com o senhor.

Coração largo o daquele Médico. Fui ao Hospital, e não queiram imaginar o que encontrei: o pobre do Mestre Jaime, instalado na cama todo pronto, inclusive com o chapéu na cabeça. Que situação hilariante aquela!

Fui chegando e ele disse:

– O senhor chegou, que benção!

– Vim ver o senhor e fazer um pedido. O senhor está vendo aqui alguém com chapéu?

– Ior não!

– Pois faça o seguinte: Tire o chapéu, vá ali naquele banheiro, tome um banho e coloque essa bata aqui.

Ele ainda retrucou:

– Se tão achando o meu chapéu feio, tem mais dois ali na sacola...

Finalmente foi tomar o banho.

– Amanhã volto aqui.

Dia seguinte foi feito o procedimento cirúrgico.
 
Acontece que o cirurgião falou para o pobre que tinha colocado uma tela, comum nessas cirurgias. À tarde fui visitá-lo e ele foi dizendo:

– Seu Jeovah, o Doutor disse que tinha colocado uma tela na minha barriga, e como é que eu vou dar os meus pinotes lá no Uruaú? Pedi àquele médico muito humano que explicasse a ele como funcionava a coisa.

Mestre Jaime sarou completamente, e, durante muitos anos, sempre com o chapéu de palha, pinoteou pelas ruas do Uruaú.

Saudades do Mestre Jaime!

As fateixas do Mestre Jaime ganharam notoriedade, tanto que fomos visitados por um mineiro, lá da cidade de Piquiri, que fez questão de roubar-me uma das fateixas! Outra foi o Ênio Andrade que desejou tanto que acabei cedendo para ele.
Restou uma aqui em casa e essa não sai para ninguém!


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