QUO VADIS?
Rui Martinho Rodrigues*
A nau dos insensatos (1494), de Sebastian Brandt
(1494-1521), retrata a desorientação da sociedade. Barbara Tuchman (1912-1989)
escreveu A marcha da insensatez (1985), sobre a desorientação dos líderes. Hoje
temos ambas as situações: sociedade e líderes insensatos.
A desorientação
reage com a convicção. Juntem-se radicalismo e o paradoxo do relativismo, e
temos uma perigosa mistura irracional. As convicções reagem ao relativismo
laxista sob a forma de radicalismo. O triunfo da ilusão iluminista que
pretendia submeter tudo à razão, expurgando o sagrado da cultura, se defronta
com a revanche do sagrado ou sociedade pós-secular. A intolerância é praticada
como tolerância. A bandeira das liberdades é usada contra a liberdade de
expressão e o livre exercício da crítica.
A luta por um mundo
melhor é pretexto para a incitação do conflito, reivindicação de direitos sem
obrigações, execração de “culpados” e agressividade. É fácil amar refugiados e
vítimas de guerras distantes, não os membros da própria família ou o
necessitado junto de nós.

Jornal O Povo - 24.10.2017
Nenhum comentário:
Postar um comentário