APROXIMAÇÕES
SUCESSIVAS
Reginaldo Vasconcelos*

Bobagem. Os militares não acham que cometeram erro nenhum nos anos 60. Acham que fizeram e que era preciso, dentro das suas mais nobres atribuições, e que afinal venceram os revolucionários comunistas.
Trucidaram os “subversivos”, provocaram o autoexílio de centenas, e, ao final, lhes concederam anistia para que voltassem ao País e à vida civil, e se restaurasse a nossa república democrática – derrotada a tentativa de ditadura do proletariado a que as esquerdas aspiravam.
É verdade que desta vez as Forças Armadas têm sido cautelosas, para que apareçam para o mundo e para a posteridade como agentes benfazejos, nos termos da Constituição Federal, recurso extremo para a restauração da ordem e para a manutenção da institucionalidade no País.

Quando o pacífico ideal jurídico resta vencido por uma realidade flagrantemente adversa, de iniquidade e violência, e o barco republicano começa a fazer água, as armas lícitas dos militares podem, sim, legitimamente, tomar o lugar das canetas ímprobas das autoridades de gravata – administradores, legisladores, magistrados. E é precisamente isso que vivemos hoje no Brasil.
Falecemos atualmente de autoridade institucional, pois os políticos que administram a Nação, que fazem as leis, e que lhes impõem o cumprimento, nas três esferas da República, ferindo o laissez-faire dos verdadeiros titulares do poder – Sua Majestade o Cidadão – revelaram-se indignos e amorais em uma grande maioria.

Temos também a pior composição do Supremo Tribunal Federal dos anais republicanos, formado por ministros indicados por Presidentes hoje penalmente processados, sem que ostentassem notório saber jurídico e sem absoluta isenção política, salvando-se dessa análise rigorosa dois ou três apenas, que não podem por si sós fazer verão entre os vogais colegiados.
Temos ainda um Congresso de bandidos, com as poucas exceções que fazem a regra, a tentar legislar em causa própria para salvar a pele e se manterem dependurados nas tetas do poder, delindo totalmente o conceito de representatividade popular e manipulando os cânones da democracia para o mal, a seu bel prazer e a seu favor.
Enquanto isso, a maior barbárie se estabelece pelas ruas, pelas rodovias, por campos e cidades, com a bandidagem empoderada, organizada e armada até os dentes, a barbarizar os cidadãos, a explodir agências bancárias, a metralhar delegacias de polícia, a matar policiais a granel.
Esses estamentos criminosos são protegidos por leis penais absurdamente lenientes, por um Judiciário lento, incompetente, venal, e por um sistema prisional caótico, bem como por uma malta de idiotas, infiltrados na sociedade, que bradam por “direitos humanos” em favor dos infratores, sem lhes importarem as tantas vítimas.
Como não se vislumbra saída mansa e pacífica para a criminalidade no Brasil – seja aquela das “orcrim” de colarinho branco, seja esta indústria milionária do tráfico e do contrabando, seja a do varejo criminal – sem qualquer perspectiva de renovação de lideranças, por falta de estoques morais confiáveis – resta à caserna fazer a “interpretação conforme” do artigo 142 da Constituição Federal, que se reproduz no artigo 1º da Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999.
E foi isso que disse o General Antônio Hamilton Mourão, pertencente ao Alto Comando do Exército Brasileiro, em pronunciamento que fez numa loja maçônica de Brasília, há poucos dias. Segundo ele, estão ocorrendo as “aproximações sucessivas” da tábua de logaritmos, que farão eclodir uma revolução militar a qualquer hora, em nome da legalidade, da legitimidade e da garantia da estabilidade nacional. Pelo visto, há muita pólvora e o pavio está acesso. Eu já tampei os ouvidos.
Acione o link abaixo para ouvir o pronunciamento do Gen. Mourão.
https://drive.google.com/file/d/0B7T6ZZVw16iiaWNfQUowZkdMc3c/view?usp=sharing

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