O QUE ESTÁ ACONTECENDO
NO BRASIL
A POSIÇÃO OFICIAL
DA
ACADEMIA CEARENSE
DE
LITERATURA E JORNALISMO
O ATUAL MOMENTO HISTÓRICO

Aliás, desde os marujos de Cabral, que certamente não tinham noção exata
da importância de sua experiência, mesmo os que protagonizaram os fatos
históricos não sabiam a importância do momento que viviam – a abolição da
escravatura negra, em 1888; no ano seguinte, a Proclamação da República; muito
depois, o golpe militar de 1964 – posto que saltamos, neste nosso exemplo,
muitos outros episódios de desdobramentos menos graves.
A REPÚBLICA DISTORCIDA

O GOLPE DE 64


A VOLTA DAS ESQUERDAS


Mas, ao vencer com Dilma Rousseff a eleição para o quarto quadriênio,
suas políticas, até ali aparentemente vitoriosas, desmoronam ruidosamente.
A QUEDA DAS ESQUERDAS
A partir desse momento o País ficou ideologicamente dividido. A
princípio, os partidários das esquerdas defenderam que a debacle das finanças
brasileiras se devia a uma crise internacional – louvando-se os apoiadores do
Governo do fato de que, realmente, a conjuntura internacional não era mais tão
favorável sob Dilma Rousseff, como fora no período Lula da Silva.
A DIVISÃO NACIONAL

1. Fora legítimo ou não aquele processo de impeachment?
Reconhecendo embora a sua evidente má-gestão, os mortadelas sustentam
que Dilma foi destituída de fato pelo “conjunto da obra”, quando a Constituição
somente admite o impeachment por “crime de responsabilidade”;
2. Houve ou não o alegado “crime de responsabilidade” que motivou o
afastamento da Presidente?
Os autores da denúncia, um grupo de advogados coxinhas, relacionaram em
sua peça jurídica acusatória uma série de condutas criminosas, atribuídas por
eles à então Presidente, e o vingativo deputado Eduardo Cunha, Presidente da
Câmara dos Deputados, um “anjo decaído” entre os aliados do Governo, admitiu o
pedido de abertura do processo.
Porém, estranhamente, Cunha escoimou quase todas as imputações da peça
acusatória, deixando apenas a mais frágil delas – um pretenso crime fiscal,
entrevisto na conduta de “contabilidade criativa”, que se prestava a maquiar as
estatísticas sobre as contas do Governo, as apelidadas “pedaladas”, prática que
também fora levada a cabo, embora em menor grau, por governantes de direita –
argumento de defesa que não se sustenta juridicamente, pois um erro não
justifica outros.
3. Caberia dizer, como sustentam os mortadelas, que o impeachment da Presidente Dilma Roussef foi um
“golpe parlamentar”? Existe essa figura na terminologia jurídica?
Um golpe político se caracteriza por um ato de força para a tomada do
poder – muitas vezes pela via militar – mas sempre com a quebra da normalidade
institucional, a revogação do ordenamento jurídico vigente, o fechamento do
Congresso, o silenciamento da imprensa governista, a destituição e geralmente a
prisão ou execução dos dirigentes depostos.
O impeachment de Dilma Rousseff, embora partindo da criminalização de uma mera conduta contábil – o que seria discutível – decorreu pacificamente, da maneira prescrita pela Constituição Federal, concedendo amplo direito de defesa, e tendo a participação do Supremo Tribunal e do Congresso.

Mais do que isso, alegam os mortadelas que Michel Temer seria de fato um
traidor, pois teria tramado o impeachment de Dilma Rousseff com o seu
correligionário Eduardo Cunha, e com o partido de direita que perdera as
últimas eleições presidenciais, o PSDB, o qual, por seu turno, teria
patrocinado o pedido de abertura do processo, feito pelos três advogados
direitistas.
OS ESCÂNDALOS NACIONAIS
Paralelamente a essa cisão político-ideológico que atualmente divide a
opinião pública brasileira, inclusive colegas, amigos e parentes – uns
revelados coxinhas, outros se mantendo mortadelas – eclodiram no País
escândalos gigantescos de corrupção no Governo, expondo as vísceras da
República, desde o primeiro mandato do PT, sob a presidência de Lula da Silva,
com investigações facilitadas pela nova lei que admitiu as “delações premiadas”.
O que se depreende afinal, decorrido o chamado “mensalão” e, presentemente,
a Operação Lava Jato da Polícia Federal, é que a prática política e eleitoral
no Brasil tem se conduzido por vias ilícitas, há décadas, com desvios de verbas
públicas em grande medida, com a cooptação de Bancos particulares e de grandes
empreiteiras.
Assim, ficou evidente que se tem feito o financiamento público indireto
de campanhas políticas, e propiciado o enriquecimento de grandes organizações
privadas e de agentes públicos, com o uso criminoso de empresas e de bancos
estatais – Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES – pelo menos
desde a chamada “redemocratização”.
Os mortadelas se condoem de que se tem imputado muito mais erros e
crimes aos últimos presidentes, e aos políticos e administradores públicos que
a eles foram ligados até recentemente – muitos deles presos e alguns condenados
– quando as investigações vêm alcançando também os mais diversos próceres e
partidos de direita.
Entretanto, os coxinhas argumentam que a esquerda sofre maiores
invectivas porque chegou ao poder com um discurso moralizador, e entretanto
adotou os mesmos vícios que prometia combater, aprofundando a sua prática,
inclusive aliando-se aos maiores e mais notórios corruptos da direita.
Que, revigorando o sonho marxista, a partir do Foro de São Paulo, Lula e
Dilma estavam conduzindo o País para a aventura “bolivariana”, com repúblicas
ditatoriais e peseudo-democráticas das Américas e da África, nas quais
financiaram obras milionárias, por meio de operações sigilosas do BNDES.
O QUE PENSA A ACLJ
Sendo uma instituição laica e isenta do ponto de vista
político-partidário, mas constituindo-se também numa entidade jornalística, é
forçoso que ela se manifeste oficialmente sobre a conjuntura atual, nesse
momento delicadíssimo da vida brasileira.
AS OPINIÕES DIVERGENTES
PRIMEIRA CORRENTE:

a) De que Lula da Silva, para ele um gênio, embora uma figura
controvertida, não seria a pessoa má que se diz ser;
b) De que Dilma Rousseff não praticou crime de responsabilidade, e,
portanto, o seu impeachment estaria eivado de
inconstitucionalidade, constituindo-se portanto em “golpe parlamentar”. De que
Michel Temer seria um presidente ilegítimo, e de que o Brasil está sendo
governado de fato pelo PSDB, embora esse partido tenha perdido as últimas
eleições presidenciais;
c) De que o Senador Aécio Neves seria um rematado mau-caráter, portador
de graves defeitos morais, jaças que ele imputa sem definir em que atos daquele
político estariam elas reveladas. Aécio também é citado em delações remiadas da
Operação Lava Jato, como beneficiário de doações de campanha não contabilizadas
(caixa dois), quando de sua eleição ao Governador de Minas Gerais.
Assim como o Prof. Cid Carvalho pensam outros próceres da ACLJ, conforme
se têm manifestado.
SEGUNDA CORRENTE:

a) O ciclo petista seria responsável pela derrocada econômica do País,
em virtude de suas políticas populistas e de se sua administração desastrosa.
b) De que Dilma Rousseff teria sido deposta em razão da perda de sua
base parlamentar, diante da falência do modelo ideológico arcaico que o seu
partido preconiza, mesmo equívoco que têm derrubado muitos governos mundo afora,
no passado e presentemente.
Dessa mesma maneira outros membros da ACLJ se posicionam.
TERCEIRA CORRENTE:

a) Considera que o sistema eleitoral que se pratica no Brasil seria
absolutamente canhestro, quando são submetidos ao voto popular alguns “seres
iluminados”, segundo o critério partidário, sobre os quais o povo não recebe a
devida informação, sendo portanto compelido a votar naquele que melhor lhe
seja “vendido” pela propaganda milionária, mediante programas de governo
mentirosos que os candidatos eleitos não cumprem e ficam impunes quanto a isso.
b) Pensa que haveria uma crise generalizada de autoridade no País,
garantida inclusive pelo hodierno ordenamento jurídico, que desprestigiaria a
grande massa que trabalha honestamente e que produz – sejam
empresários, sejam operários – favorecendo à anarquia, à corrupção,
ao crime organizado, à violência urbana, ao desrespeito à propriedade privada,
ao empoderamento dos cretinos, mantidos sob o pálio dos chamados “direitos
humanos”, quando, segundo pensa, esses direitos deveriam ser reservados aos
“humanos direitos”.
c) Teme que o caos na política termine justificando de fato uma
intervenção militar no País – assim como teme uma intervenção cirúrgica em si
mesmo, mas a consideraria bem-vinda se, em face de uma doença grave que o
acometesse, não houvesse outra solução plausível.
Este é também o pensamento de um outro grupo de acadêmicos da ACLJ. Mas
nenhuma deles traduz nem representa o pensamento da entidade.
COMENTÁRIO:
Digno de louvores o texto publicado no Blog da
ACLJ, no último dia 21 de abril, que analisa a crise político-ética que sacudiu a República.
Com objetividade, a Nota apresenta uma bem
construída retrospectiva histórica sobre os fatos, a partir do que o País
vivenciou no período pré-64, até os dias atuais, com à ascensão e a derrocada
da esquerda no Brasil, em razão das peraltices praticadas em seus governos.
Expressa de forma substantiva a pluralidade de
pensamento existente entre os acadêmicos, apresentando, inclusive,
manifestações dos acadêmicos e professores Cid Carvalho, Rui Martinho
Rodrigues e Reginaldo Vasconcelos, preservando entretanto a instituição de qualquer contaminação
ideológica e partidária.
Com singularidade, o editor coloca o papel que a ACLJ deve exercer, estimulando o debate em torno da pauta
política do País, ante os fatos que, em maior ou menor grau, nos atingem a todos.
O texto nos remete a uma reflexão, não apenas
sobre o fracasso do modelo político em vigência no País, onde a
representatividade sucumbiu ao desenvolvimento do maior projeto de engenharia
da corrupção de que se tem registro na História, mas especialmente sobre o
papel do cidadão, na perspectiva da reconstrução de um novo modelo político para
o Brasil.
Arnaldo Santos
Digno de nota o texto publicado no blog da ACLJ, no último dia 21 de abril, pelo acadêmico Reginaldo Vasconcelos, onde analisa a crise político ética que sacudiu a República. Com objetividade o autor apresenta uma bem construída retrospectiva histórica sobre os fatos, a partir do que o país vivenciou no período pré 64, até os dias atuais, com à ascensão e a derrocada da esquerda no Brasil, em razão das peraltices praticadas em seus governos. Expressa de forma substantiva a pluralidade de pensamento existente entre os acadêmicos, apresentando inclusive manifestações dos acadêmicos e professores Cid Carvalho e Rui Martinho, preservando entretanto a instituição de qualquer contaminação ideológica e partidária. Com singularidade o autor se coloca opinando sobre o papel que ACLJ, deve exercer estimulando o debate em torno da pauta política do país, anti os fatos que em maior ou menor grau nos atinge a todos. O autor nos remete a uma reflexão não apenas sobre o fracasso do modelo político em vigência no país, onde a representatividade sucumbiu ao desenvolvimento do maior projeto de engenharia da corrupção que se tem registro na história, mas especialmente sobre o papel do cidadão na perspectiva da reconstrução de um novo modelo político para o Brasil.
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