segunda-feira, 10 de abril de 2017

ARTIGO - Um Perigo Real (RMR)


UM PERIGO REAL
Rui Martinho Rodrigues*


O ataque americano à Síria pede uma reflexão sobre o perigo de guerra em larga escala. Conflitos entre grandes potências tendem a acontecer quando um lado está em declínio em face de outro. As duas guerras mundiais são exemplo disso. Os EUA e a Rússia estão em declínio.

A China é candidata favorita ao posto de primeira potência. A limitação do poder a dois polos facilitou o entendimento, na guerra fria. Hoje temos multipolaridade, com poderes regionais emergentes, como o Irã e a Índia, tornando mais complexa a política internacional, com maior probabilidade de conflito.

A demarcação das áreas de influência da URSS e dos EUA contribuiu para evitar a IIIGM. Havia uma linha separando os dois blocos, reconhecida por ambos. Hoje a China contesta os limites da área de influência americana no Oriente. A Rússia disputa os limites de influência da UEA, ameaçando a Ucrânia e as repúblicas bálticas.

Guerras acontecem quando as democracias se desarmam e tentam resistir às pressões das ditaduras. UEA e Japão gastam menos de dois por cento do PIB com defesa. Não por acaso temos crise na Ucrânia, na Coreia e no mar da China. Os EUA gastam muito, mas se encontram mais fracos do que nunca desde a IIGM.

As democracias estão falando grosso na Europa, dando garantias às repúblicas bálticas e à Ucrânia. A firmeza verbal diante da China; como em face das ameaças da Coreia do Norte, mas não têm respaldo na força militar. É o caminho do desastre. 

O conflito da Síria lembra a guerra civil espanhola às vésperas da IIGM, pela presença de potências rivais, internacionalizando o litígio e como campo de provas de armas e exibição de poder. Lideranças despreparadas, populistas e agressivas, usando os conflitos externos em busca de apoio popular interno, completam a receita da guerra. EUA, Rússia e Coreia do Norte se encaixam nesta situação.


Só as armas nucleares estão evitando uma grande guerra. Isso será suficiente?



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