DO QUE SE TRATA?
Rui Martinho Rodrigues*
O momento é grave. Uma tíbia recuperação
econômica não é suficiente para afastar a múltipla crise. O clientelismo irrita
os brasileiros. A velha corrupção e os privilégios pessoais e corporativos,
típicos da indiferenciação entre a fazenda pública e o patrimônio privado das
autoridades, herança do patrimonialismo, transformou-se na preocupação central
da sociedade. O combate à corrupção é um imperativo moral, legal e econômico. A
Lava Jato deu uma grande contribuição despertando-nos para isso. Os temores de
que o crime triunfe sobre ela está gerando pânico.

A crise atual tem uma dose de patrimonialismo,
com os privilégios e a corrupção elevada a um novo patamar, nos últimos quinze
anos. É relevante, mas não surpreende. As desventuras econômicas, porém,
decorrem da ideologia do “nacional-desenvolvimentismo”, com a hipertrofia do
estamento burocrático-patrimonial, facilitando a corrupção e o desperdício,
além de fortalecer a ideia dos gastos públicos ilimitados e do desfrute sem
ônus. O paradoxo de um povo que não confia nos políticos, mas deposita suas
esperanças no Estado, é o ponto central.

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