ANOMIA ESCANCARADA
Rui Martinho Rodrigues*

A profundidade da crise se revela pelo grau de
violência nas cidades capixabas. Tanto saque, tiroteio e homicídio seriam espontâneos?
A hipótese de cumplicidade entre bandidos e policiais, para valorizar o papel
da polícia e fortalecer a barganha dos amotinados, ganha verossimilhança. A
crise é muito mais do que um simples motim, denunciando relações promíscuas
entre policiais e bandidos, num mutualismo criminoso intolerável.
As polícias militares eram ligadas a uma
diretoria do Exército. Isso deixou de existir? Ou o Exército está se omitindo
do dever de controlar amotinados? O mau exemplo poderá contaminar as FFAA.
Nelas também os salários estão defasados, e não faltam desculpas para o
“grevismo”.
As autoridades, em todos os escaninhos do
Estado, estão constrangidas, sem condições de cumprir o dever, seja porque não
seria “politicamente correto”, ou porque cumprir o dever daria lugar a exploração
política, ou porque a sociedade está desorientada pelos intelectuais ungidos,
que apontam solução indolor para tudo, sem se importar com (in)viabilidade das
ditas soluções.
Vivemos sob o império da hipocrisia, agravada pelo déficit de
legitimidade decorrente da falta de representatividade política em todos os
entes federativos, ao lado da desmoralização decorrente do desmascaramento da
corrupção generalizada e sistêmica. Tudo isso destruiu a autoridade legítima.


Estamos sacrificando preciosas garantias do
devido processo legal a troco de nada, se as mais altas esferas dos três
poderes acintosamente promoverem a impunidade. Quem poderá nos salvar? Não será
o Chapolin Colorado nem outro salvador da pátria. É preciso que a sociedade
reaja.
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