POR QUE VOTAR?
Arnaldo
Santos*
É consabido que o sistema político partidário e eleitoral brasileiro
apresenta os mais variados desvios, tanto de forma como de conteúdo, e de
comportamento dos participantes.

Como jornalista e cientista político participei dessa última campanha.
No primeiro turno percorri a cidade, fiz reuniões com "lideranças"
políticas e comunitárias, e me surpreendi ao constatar que pouco mudou no
comportamento de exploração de parte dos eleitores, e o grau de extorsão
praticada por algumas “lideranças”. Ainda está presente a pergunta: “O que você
me dá para eu votar?”. Até quando?

Outra grave distorção é o sistema partidário, que mais parece uma feira
de cacarecos com essa infinidade de partidos, voto e coligações para as
eleições proporcionais, dentre outras.
Embora o aumento da abstenção nas eleições do último dia 02 de outubro
tenha sido de apenas 1,5 pontos percentuais, em relação à média histórica, esse
fato foi recepcionado com grande repercussão na imprensa e impacto na classe
política.
A média de abstenção no período (2000 a 2012) foi de dezesseis por
cento, enquanto o percentual de votos nulos e brancos foi de sete, no mesmo período.

Essa abstenção, quando somada aos votos nulos e brancos, corresponde a
uma votação que venceria as eleições em 21 capitais, sendo em 10 já no primeiro
turno, e levando para o segundo turno em outras 11. Na prática, é como se o
eleitor tivesse transformado o voto, que é obrigatório, em facultativo.
A pergunta que os políticos tentam responder é: “Por que o eleitor não
foi votar?”. Proponho uma outra angulação para essa reflexão e pergunto: “O que
ainda motiva o cidadão a sair de casa para votar, se o que ele recebe como
retorno é tão pouco, em termos dos serviços essenciais continuados, como saúde,
educação, transporte e segurança, enquanto sobra corrupção?”.
Para entendermos o significado dessa abstenção e do número de votos
nulos e brancos devemos observar igualmente o desinteresse dos jovens entre 16
e 18 anos, (período em que o voto é facultativo). Até junho deste ano apenas
quarenta por cento haviam requerido o título de eleitor, o que significa uma
diminuição de nove por cento, se comparado ao mesmo período de 2012.
Essa realidade nos impõe a todos uma ampla e urgente mobilização em
favor de uma reforma política, que contemple a adoção do voto distrital, fim
das coligações para as eleições proporcionais, e a instituição da cláusula de
desempenho para os partidos, para por fim a essa farra partidária que existe
hoje – 35 partidos registrados e mais de 28 esperando registro pelo TSE.
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