A MOSCA AZUL
Jovens
protagonistas, radicais, desafiavam a tudo e a todos. Mostravam-se ferrenhos
opositores do ancien régime, mas a névoa do tempo esgarçou seus ideais
e, como num passe de mágica, eles aprenderam a ladinice de como usurpar os
benefícios oriundos da sofrida República. Conciliados os interesses pessoais,
embotou-se o passado que se dizia “de lutas”.
Sob as benesses
palacianas, no entra e sai de governos, converteram-se em fiéis cortesãos dos
poderosos. Não largaram o osso, as convicções sim! De bolchevistas passaram a
bem-sucedidos homens de negócios. Com poucas exceções, muitos continuaram a
honrar os seus princípios e ideais, e a lutar por eles.

É importante que
a defesa dessas posições afaste os infiltradores; ingenuidade seria não admitir
os quintas-colunas que as toldam mediante vandalismo, danificando os
patrimônios público e privado. Com efeito, é legítimo o protesto social, e à
polícia cabe acompanhá-lo, a fim de conter os excessos.


Aliás, nem
sempre as coisas são o que parecem; daí o contraponto com a essência da
verdade. Por isso, aqueles tocados por sua beleza contagiam-se pelo vírus da
fraqueza humana e perdem o senso crítico.
A inexistência
da bela mosca também demonstra que o poder não é eterno. E mercê da internet,
as fronteiras da democracia abrem-se à cidadania, a fim de que se coíba o mau
uso do dinheiro público. Por isso, vem tirando o sono de muita gente no país
tropical.
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