domingo, 16 de fevereiro de 2020

POEMA - Ridículo (RV)


RIDÍCULO
Reginaldo Vasconcelos*

Posso esvaziar a mente de todo pensamento, e é isso o que faço. 
Não compensa pensar. 
Não é viável esperar que os circunstantes sejam todos bem-pensantes.

Calo. Sento. Sorvo um pouco de alimento e ouço os passarinhos. 
Morrer talvez fosse ridículo, mas não tanto quanto a vida. 
A vida é tão ridícula quanto as cartas de amor, mas não tanto quanto esse verso de Pessoa.


Não quero rir, nem quero chorar. 
Não quero ouvir sobre meus erros. 
Não quero o medo. Prefiro a morte. Não quero ser o que não sou. 
Nem o que sou eu quero ser. 
Eu quereria não ser nada. 
Não sou nada.

A presunção, a cupidez, a vaidade, a ufania... tudo ridículo sentimento. 
Quero a companhia, quero o olhar, quero o silêncio. 
Querer bem sem interesse é tudo o que eu quero.

Estou farto do que é fátuo, do que é ridículo, do que é vicioso, do que é ocioso. 
Quero deitar e morrer. Dormir e descansar. 
Não quero mais nada.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

NOTA CULTURAL - Palestra Sobre Graciliano Ramos

GRACILIANO
A LUZ PARA
CERTOS OLHARES


Foi sucesso absoluto a palestra do Prof. Alison Ramos sobre a vida e a obra do escritor Graciliano Ramos, na noite desta quinta-feira (13.02.20), no auditório da Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec).

Graciliano Ramos de Oliveira foi um jornalista e literato alagoano, falecido em 1953, que se notabilizou com a obra Vidas Secas, e, postumamente, Memórias do Cárcere, inspirada em sua experiência de preso político.

O palestrante, Alison Ramos, é um jovem intelectual cearense, Doutor pela UFC e Pós-Doutor em literatura pela UFMG, com passagem pela Universidade de Sorbone – em Paris, França.     

Alison foi “garimpado” em um Sarau organizado pela poetisa Alana Alencar, entre psicanalistas,  a que ele compareceu, anos atrás. Recentemente foi apresentado à Academia Cearense de Literatura e Jornalista (ACLJ), proposto e eleito para o título de Membro Honorário da nossa confraria.


A poetisa e psicanalista Alana Alencar, proponente do nome do Prof. Alison, já foi instada a organizar uma segunda palestra sobre o mesmo tema, no Palácio da Luz, especialmente para os intelectuais das academias literárias cearenses.









     

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

REUNIÃO NA TENDA ÁRABE (11.02.2020)

REUNIÃO NA TENDA ÁRABE


Na noite da última terça-feira (11.02.2020) reuniram-se na Tenda Árabe os acadêmicos Arnaldo Santos, Reginaldo Vasconcelos, Altino Farias, Humberto Ellery, Vicente Alencar, Adriano Vasconcelos, Luciano Maia, Dorian Sampaio, Dennis Clark, (Membro Correspondente em Maringá visitando Fortaleza), Dmitry Sidorenko (Membro Correspondente em São Petersburgo visitando Fortaleza), os comandatários Alexandre Maia e Almir Gadelha, e como convidados especiais a o agrônomo Jackson Albuquerque e a  empresária Margarida Fortes.





A experiência gastronômica da semana foi Arroz de Camarão, um prato característico da culinária brasileira, análogo no preparo e nos ingredientes ao risoto italiano.




ARTIGO - Sexo na Infância e na Adolescência (RMR)


SEXO NA INFÂNCIA E
NA ADOLESCÊNCIA
Rui Martinho Rodrigues*


A gravidez na adolescência e na infância é uma realidade. Ganhou proporções epidêmicas. É um problema de saúde e desafio social de grande complexidade. Não tem solução simples, fácil ou rápida. O aparente paradoxo do aumento da gravidez infanto-juvenil quando os métodos contraceptivos tornaram-se conhecidos e de fácil acesso, em plena era da informação não é nenhum mistério. Crianças e adolescentes não são tão disciplinadas quando exercem atividade sexual. Não usam os referidos métodos de modo eficaz.

Os meios de prevenção da gravidez não são tão disponíveis nessa fase da vida e se vierem a ser certamente não terão eficácia em meio a impulsividade própria da idade e a improvisação das práticas. Os anticoncepcionais não são recomendáveis na imaturidade anátomo-fisiológica. Pode-se redarguir que sempre houve sexo com crianças, o que não é suficiente para que deixe de configurar crime. Sempre houve sexo e entre crianças, mas esta modalidade não resulta em gravidez e a continuidade de uma prática não significa que seja legítima também neste caso.

O aumento dos casos de gravidez infanto-juvenil indica o aumento das práticas sexuais neste grupo. Erotização da faixa etária é um fator importante na gênese do fenômeno, cuja análise exige o exame de muitos aspectos. Pode haver um componente psiquiátrico quando se trate de abuso praticado por adulto, mas não representa uma parcela significativa dos casos de gravidez na adolescência. A mudança cultural fortaleceu o relativismo axiológico e estimulou o hedonismo. A busca do prazer e o descrédito da normatividade social propiciam a sexualidade precoce e a gravidez é consequência.

O debate político opõe diferentes concepções. Alguns consideram a sexualidade na adolescência e até na infância como uma forma de libertação, recusando o adjetivo precoce, embora em certas circunstâncias manifestem revolta em face da pedofilia. É tentador acomodar contradições. Outros entendem que as práticas sexuais na faixa etária aqui considerada constituem abuso de vulnerável, contando para tanto com o amparo da lei. Outros, ainda, olham as práticas sexuais sem as quais não haveria gravidez como reprováveis do ponto de vista moral e confessional.

Que todos tenham liberdade para defender suas ideias, ainda que sejam contrárias ao ordenamento jurídico, para que este possa ser modificado. Defender teses contrárias a lei não se confunde com práticas ilegais. A crítica é necessária, mas não justifica ataque. A moral do outro não é preconceito. Formulada sabendo do que se trata é conceito. A lei deve ser respeitada sem cercear a crítica. A liberdade de crítica,todavia, não é exclusividade de nenhuma corrente política. Condenar a pedofilia não um ato escandaloso e não deve ser apresentado como tal.

A educação é importante fator a ser considerado. A escola deve ter lugar na reflexão sobre o tema cuja análise também deve considerar a família, a capacitação, a confiabilidade e a credibilidade de professores, os limites da diretividade da escola em matéria de foro íntimo como é a sexualidade. Desestimular o erotismo na adolescência como parte dos valores de grande parcela da sociedade; exercer a crítica do hedonismo e do relativismo axiológico; advertir para o potencial de problemas práticos ligados a atividade sexual é um direito. Não é absurdo. Adiar um pouco a iniciação sexual reduz o índice de gravidez na adolescência como aconteceu na África.

RESENHA - Observatório - 09.02.2020

PROGRAMA OBSERVATÓRIO


A edição deste domingo, 09 de fevereiro, do Programa Observatório, do jornalista Arnaldo Santos, recebeu como entrevistadores o jornalista e advogado Reginaldo Vasconcelos, o advogado e professor Rui Martinho Rodrigues,  integrantes da ACLJ, e o professor e advogado Maia Filho.  


Os debates dessa edição do Programa Observatório versaram sobre o relacionamento dos Três Poderes da República neste Governo Bolsonaro

Arnaldo Santos provocou os debatedores sobre se o Presidente da República, á frente do Executivo, não estaria demonstrando desprezo pelos demais Poderes, ao se recusar a manter uma boa interlocução com o Legislativo, como sempre se fez, já que a democracia recomenda sejam eles harmônicos, embora independentes.   

Rui Martinho Rodrigues opinou que não, pois essa harmonia a que a Constituição se refere não impende que haja absoluta sintonia entre essas três funções do Estado, que idealmente devem contrapor teses e antíteses para chegar a uma boa síntese, o que pressupõe discordância sadia e confrontos construtivos. Rui observou que as mudanças de práticas e costumes impostas pelas novas tecnologias vêm interferindo de forma incisiva na forma de influência da vontade dos representados em face dos seus representantes, e tem alterado, inclusive, pela força das redes sociais, a difusão das atividades artísticas no planeta.       

Reginaldo Vasconcelos, lembrou, a propósito, que a Palavra do Ano de 2018, eleita pela Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) foi "disrupção", palavra do inglês para designar essas mudanças de paradigmas em geral trazidos pela modernidade, tanto na política quanto nas artes, e em 2019 a Palavra do Ano que foi eleita pela ACLJ foi "protagonismo" (e suas cognatas), termo recorrentemente empregado pela imprensa naquele ano, tendo em vista o embate constante sobre qual dos políticos, qual dos partidos e quais dos Poderes da República mereceriam os louros pelas reformas necessárias, ou deveriam suportar o reproche pelas falhas e problemas.


Maia Filho pontificou que essa dita interlocução que o Presidente Bolsonaro se recusa a fazer, era, na verdade, cooptação, que resultou na grande corrupção sistêmica e histórica da República Brasileira, nos ditos "anões do orçamento", no episódio Severino Cavalcante, nos casos mensalão e petrolão. Que essa promiscuidade entre Executivo e Legislativo só favorecia aos feudos eleitorais, ao patrimonialismo, aos grupos que se queriam perpetuar no poder para enriquecimento de seus integrantes.  

O Observatório, apresentado pelo Jornalista e Sociólogo Arnaldo Santos, titular fundador da ACLJ, vai ao ar todos os domingos, pela TV Fortaleza, canal 6 da Multiplay (canal 61.04 na na TV aberta) às 23 horas, com reprises às segundas e sexta-feiras, às 22 horas. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

NOTA SOCIAL - EMBAIXADA TEM REI MOMO

EMBAIXADA
TEM REI MOMO
FESTA PRIVATIVA
NO PRÉ-CARNAVAL




A Embaixada da Cachaça, butique climatizada de bebidas finas, e bar ao ar livre com música ao vivo, comandada pelo confrade Altino Farias e a sua Embaixatriz Gorete, vem promovendo festas de pré-carnaval nos últimos sábados, das 15 horas em diante, desde o dia 25 de janeiro.







A casa elegeu o seu próprio Rei Momo, entronizando Sua Majestade Dom Laurão – O Rei Comilão e sua Rainha Socorrinha, com o mascote real, Tuala Buiu. Participou da cerimônia de posse do Rei Momo da Embaixada o Rei Momo oficial de Fortaleza, Gil Baratha.



Na tarde-noite deste último sábado, dia 08 de fevereiro, a Embaixada comemorou o natalício do Presidente da ACLJ, Reginaldo Vasconcelos, com uma festa íntima na Tenda Árabe, lounge privativo da nossa Academia.

Foi servida uma feijoada, durante o dia, e à noite uma moqueca de serigado e camarão, tudo regado a cerveja e, obviamente, cachaça.


Compareceram fisicamente os confrades Altino Farias, Arnaldo Santos, Paulo Ximenes e Adriano Jorge; os membros correspondentes Dennis Clark (Maringá) diretamente do Paraná, e Dmitry Sidorenko (São Petersburgo), diretamente da Rússia. E os comendatários Alexandre Maia e Marcelo Melo – dentre outros convidados e membros da família.







Compareceram virtualmente os acadêmicos Antonino Carvalho, Geraldo Gadelha, PC Norões, Júlio Soares, Alana Girão, Karla Karenina, Inês Mapurunga, João Pedro Gurgel, Luiz Rego, Djalma Pinto, Vianney Mesquita, Roberto Moreira, Geraldo Jesuino, Wilson Ibiapina, Sávio Costa, Luciano Maia, Dorian Sampaio Filho, Totonho Laprovitera e Aluísio Gurgel do Amaral Júnior.   

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

NOTA DE PESAR - Godofredo Chaves Queiroz (CB)

NOTA DE PESAR
Cássio Borges*

Acaba de falecer (05 de fevereiro de 2020) o nosso colega e amigo Godofredo Chaves Queiroz, um dos nomes de maior respeito e admiração do nosso Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, (Dnocs). Em sua brilhante passagem  como técnico e dirigente daquele Departamento Federal, foi Presidente da Comissão do Vale do Moxotó, sediado no Açude Poço da Cruz em Pernambuco. Posteriormente, passou a chefiar a Comissão do Vale do Rio Pajeú com sede em Serra Talhada, tendo como finalidade a construção do Açude Serrinha.  

Em 1958 foi nomeado, pelo Presidente Juscelino Kubitschek, Chefe do 3º Distrito do Dnocs, com sede em Arcoverde. O  engenheiro Godofredo Queiroz participou da construção de vários açudes no Estado de Pernambuco, com destaque para os Açudes de Serrinha, Boa Vista, Engº Camacho, Poço da Cruz e Custódia.

Participou também da construção de várias rodovias no Estado de Pernambuco, tendo chefiado a Comissão responsável pela Rodovia Fortaleza-Brasília. O referido engenheiro é autor de várias publicações, inclusive “O Semiárido Nordestino e Sua Gente”, que depõe em respeito aos flagelados da seca de 1932, quando ainda era menino, em sua terra natal, a cidade de Quixadá, no Sertão Central do Ceará.


CRÔNICA - Ceará Literário (ES)

CEARÁ LITERATO
Edmar Santos*


Encontramos em Souza et al. (1989) no seu História do Ceará, que foi nos Outeiros que surgiram nossas raízes literatas na época do Ceará colônia. Germinou e floresceu com o tempo em grupos, agremiações e academias tais como: a Fênix Estudantal, a Academia Francesa, a Escola Popular, o Clube Literário, a Padaria Espiritual, a Academia Cearense e o Centro Literário. Hodiernamente, diversas outras entidades de literatura estão vívidas por todo o território estadual.

Admirável verificarmos que na história da efervescência intelectual cearense, ainda nos tempos provincianos do Ceará, ocorreu a preocupação cidadã verificada na Escola Popular, ligada à Academia Francesa e, por iniciativa de seus membros, aulas regulares e gratuitas que eram ministradas para operários. Deselitizando e desconcentrando o ensino e a cultura.

Romantismo, Naturalismo, Realismo, Simbolismo, foram tendências estéticas que se sobrepuseram, por vezes, pela influência e evolução do pensamento literário e científico americano e europeu. Entretanto, é possível verificar que nenhuma das correntes foi totalmente abandonada, remanescendo, vez por outra, autores produzindo um rebuscamento do estilo apreciado, ainda que a voga fosse de outro.

Em nossos dias, assim como me encantou o despojamento e espírito de equidade dos que fizeram a Escola Popular no período do Ceará província, hoje, não menos admirável e digno de reconhecimento é a ação da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo – ACLJ, Órgão formado por doutas personalidades do nosso Estado, que admite trazer em seu veículo de comunicação, site eletrônico, obras de colaboradores noviços no mundo da literatura, a exemplo deste autor. Gratidão é o que devo.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

COLUNA VICENTE ALENCAR - Edição nº 1586 - 05.02.2020


COLUNA VICENTE ALENCAR
EDIÇÃO Nº 1611
QUARTA-FEIRA, 05 DE FEVEREIRO DE 2020
FORTALEZA - CEARÁ

ACEMES – Em sessão  extraordinária a Acemes – Academia Cearense de Médicos Escritores vai reunir a sua Diretoria nesta quinta-feira a partir das 19 horas.

APOIO – Inclusive estará em destaque o apoio  da Uece, através do seu Magnífico Reitor Jackson Sampaio, a presença da entidade no III Encontro de Academias do Ceará, nos dias 01 e 02 de maio, na centenária cidade de Cedro. 

PROSA E VERSO – Lembro aos amigos poetas, escritores, trovadores, professores e alunos, que a nossa Terça-Feira em Prosa e Verso deste mês será realizada na próxima semana, dia 11, às  9:30h, na Academia Cearense de Letras.

FORTALEZENSE – A Academia Fortalezense de Letras tem reunião programada para às 16 horas do próximo dia 12, na Varjota, em sua sede, ao lado da Faculdade Farias Brito.

PARTICIPAÇÕES – Os acadêmicos presentes acompanharão as notícias advindas do balancete do ao anterior e poderão apresentar trabalhos ao vivo, em poesia, trovas, crônicas e pequenos textos literários.

ANIVERSÁRIO – O Presidente da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos receberá sábado, data do seu aniversário, os cumprimentos dos seus muitos amigos e colegas.

LÚCIO – O Jornalista Lúcio Brasileiro, o maior colunista do Brasil será o primeiro entrevistado do Programa UM LIVRO ABERTO, que vem sendo produzido e será apresentado numa emissora de TV Cearense muito em breve.

PROGRAMA – Ás 22 horas desta quinta-feira na Rádio Assunção Cearense AM 620, logo apos o Programa Liberdade de Expressão, de Morais Filho, estará no ar o Programa Vicente Alencar – Educação, Cultura e Esporte, atualmente apresentando em sua trilha musical sucessos da Época de Ouro do carnaval brasileiro.

MORTE – Os pacientes pobres que padecem de diabetes e não podem comprar seus remédios estão morrendo a míngua em Fortaleza. São pessoas que não ganham nem mesmo o salário mínimo. É preciso que seja construído em Fortaleza o Hospital Público dos Diabéticos, coisa esquecida pelas autoridades políticas municipais e estaduais.

CÂMERAS – Nada valem as instalações das chamadas câmeras de segurança. Na verdade são apenas câmeras de filmagem, pois não dão segurança a ninguém. Nem em residências nem em estabelecimentos comerciais.


Nosso contato: vicentealencar25@yahoo.com.br


ARTIGO - Bonapartismo Sem Bonaparte (RMR)


BONAPARTISMO
SEM BONPARTE
Rui Martinho Rodrigues*


Bonapartismo, na literatura política, é personalismo, prática totalitária, presença castrense na política e populismo, a exemplo a figura de Napoléon Bonaparte (1769 – 1821) e seu sobrinho, Charles-Louis Napoléon Bonaparte, Napolão III (1808 – 1873). Os fatores citados, porém, são anteriores aos Bonaparte.

Alexis-Charles-Henri Clérel, visconde de Tocqueville (1805 – 1850) ressaltou, citando Honoré Gabriel Riqueti, conde de Mirabeau (1749 – 1791), o fato de que, a despeito das proclamações libertárias dos jacobinos, a Revolução Francesa concentrou em sua autoridade todo o poder do regime decaído, antes disperso por muitos nichos do Estado e da sociedade.

A concentração de poder não é coisa só de liderança personalista com os seus laços familiares. Não foi Napoleão quem concentrou o poder, mas a revolução, antes de enveredar pelo personalismo. A migração da concentração de poder de um movimento impessoal para uma liderança personalista não é um caso isolado.

A concentração de poder, na Revolução Russa, junto com o personalismo e um certo militarismo com Ioseb Besarionis Dze Jughashvili (Josef Stalin, 1878 – 1953), só não teve, entre os fatores do bonapartismo, os laços familiares. A Revolução Cubana e os irmãos Castro; a Coreia do Norte e a dinastia Kim; a Revolução Chinesa e Mao Tsé-Tung (1893 – 1976) com a madame Mao (Jiang Qing, 1914 – 1991), continuada com a centralização e as lideranças personalistas; a Iuguslávia e o Marechal Josip Broz Tito (1892 – 1980) são sugestivas de uma tendência aparentemente inescapável dos movimentos revolucionários, que têm a pretensão demiúrgica de proceder a uma reengenharia social e por meio dela criar um novo homem.

Hebert Marcuse (1898 – 1979) reconheceu, no fim da vida, que todos as revoluções falharam e foram traídas. Começar do zero, apagando inteiramente as raízes culturais, é uma tarefa ingente. Forçar transformações gera resistências que não podem ser superadas com boas maneiras. Paredão e arquipélago Gulag não são acidentes, mas essência de um processo que busca fazer com que a sociedade e as pessoas deixem de ser o que são para serem o que parece certo aos reis filósofos.

A herança iluminista tem grande parte da culpa em tudo isso, diz Antônio Ferreira Paim (1927 – vivo), que ressalta a influência francesa no cientificismo político. A adjetivação pejorativa revela a falsidade do cientificismo, que desqualifica o que resiste ao seu dirigismo como retrocesso. Pressupõe a existência de um destino determinado pela marcha do progresso. Isso se verifica no campo material.

Ciência e técnica progridem. Têm parâmetros bem definidos. Temos progresso técnico quando uma geladeira consome menos energia; um remédio cura com menos ou sem efeito colateral. Jacques Le Goff (1924 – 2014) reconhece como óbvio o progresso da ciência, da técnica, das instituições jurídicas e políticas. Mas não reconhece o aperfeiçoamento do homem, sem o qual não existe progresso da história. Uma marcha para o destino grandioso da cidade de Deus, de Agostinho de Hipona (354 – 430), não resiste a uma análise e, embora seja uma visão adotada por grande parte dos cristãos, contraria a escatologia bíblica.

Não há como falar em progresso. Retrocesso é uma cavilação para constranger e desacreditar o outro. Arautos do progresso não citam Agostinho nem o levam a sério, mas repetem a visão dele. Autoritários, ao contrário dos totalitários, não são cientificistas, não formam religiões civis, seus erros são mais fáceis de corrigir e dominam por pouco tempo.


domingo, 2 de fevereiro de 2020

NOTA CULTURAL - Palestra Sobre Graciliano Ramos


Obra de Graciliano Ramos
será tema de palestra na 
Esmec


A Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (Esmec) receberá no dia 13 de fevereiro a palestra “Graciliano, a Luz para Certos Olhares”, com o Doutor Alison Ramos. O evento, proposto à Esmec pela Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), acontecerá na Sede da Escola, às 19 h, e será aberto ao público em geral.

O palestrante é Doutor em Letras – Literatura Comparada pela UFC com estágio na Université de Paris – Sorbonne, Pós-doutor em Estudos Literários pela UFMG, Membro Honorário da ACLJ, e desenvolve pesquisas sobre o teatro grego (tragédia e comédia) e sobre a obra de Graciliano Ramos.

Participantes terão direito a certificado equivalente à 3 h/a, emitido pela Esmec. Interessados deverão realizar inscrição através do Portal Minha Esmec.

Serviço:

Palestra – Graciliano, a Luz para Certos Olhares
Palestrante – Dr. Alison Ramos
Data – 13 de fevereiro de 2020
Local – Sede da Esmec
Horário – 19 h
Carga-horária – 2 h/a
Inscrições – Até o dia 12 de fevereiro de 2020, pelo sistema Minha Esmec:

ARTIGO - Saber Unificado Parcialmente (VM)


 SABER UNIFICADO

PARCIALMENTE

(Fragmentos)
 Vianney Mesquita*



A ninguém citar é a especialidade dos que jamais esperam ser citados**. (GABRIEL NAUDÉ – bibliotecário francês. Paris, 2.2.1600; Abbeville, 10.7.1653).



Generalidades

Ao adentrarmos o trato da matéria, chamamos a atenção do preclaro leitor para o fato de que esta é continuidade de viagem a bordo do tema Conhecimento Empírico ou Ordinário, publicado neste medium no dia 20.1.2020, a penúltima segunda-feira.

O conhecimento científico (CC) é dotado de certeza relativa  pois esta não pertence à Ciência, mas aos mitos. Funda-se em procedimentos do método, como, v.g., a observação paciente de parâmetros sistematizados e ordenados. Quando se elabora o CC, há de se ter o cuidado de agrupar os fatos da mesma espécie, situando um em relação com os outros, determinando seus laços de semelhança, de existência concomitante ou de sucessão, bem como os princípios que os governam.


Ao reverso do saber empírico, o de conteúdo científico é pródigo em relações e, ita etiam, está habilitado a explicar a multiplicidade de fatores confluentes para a determinação de uma realidade. O operário da Ciência não representa, entretanto, um mago, um prestidigitador ou alquimista, portador de faculdades extranormais, para lograr exprimir, determinantemente, uma realidade. Apenas, ele conforma uma pessoa mais organizada, de exigência mais depurada do que os humanos comuns, sã de corpo e de bom espírito, e que – seja expresso – não descarta, por ser custosa, a coisa começada, da qual é fraqueza se desistir, ao modo de expressar do vate Luiz de Camões, frase sempre comentada pelo Reitor Martins Filho em nossas conversas.

De tal sorte, resultando o CC do encadeamento de fenômenos de igual ordem, componentes de um setor peculiar da realidade, o demandador de fato novo, se intenta explicar, como exemplo, o funcionamento dos órgãos humanos, recorre aos fenômenos fisiológicos, que serão sistematizados e examinados. Caso cogite em delinear, por exemplo, a ocorrência de chuvas, recolhe, relaciona e estuda todos os acontecimentos meteorológicos e, ao recorrer a instrumentos de precisão da tecnologia específica (felizmente, hoje a mão), se louva, ainda, noutras ordens de eventos fenomênicos, os quais, organizados, constituem nova série.

Características

Malgrado inexista, sob consenso, uma estrema (limite) entre a fonte do CC e o fim do saber não unificado, estes possuem características diametralmente opostas, conquanto não se possa pensar que o primeiro prescinda daquele de feição vulgar. Isto porque este serve de base de análise àquele – o ser humano altera os dados de experiência primária para transformá-los em verdade científica, certeza relativa. Eo ipso, os informes do conhecimento ordinário constituem o ponto de partida, o material a ser trabalhado para excursão à demanda do saber da Ciência.

No próximo segmento, a se publicar brevemente, oferecemos a oportunidade de o consulente interessado na matéria proceder às comparações entre as duas unidades taxinômicas e concluir pelas suas diferenças, retendo-as para futuras inferências.

** Nemo est nomen proprium illorum qui non credes quemquam esse citatis.