domingo, 12 de julho de 2020

ARTIGO - O Presidente, a Máscara e a Covid (AS)


O PRESIDENTE,
A MÁSCARA E A COVID
Arnaldo Santos*



Na semana que passou o vírus transmissor da “gripezinha” fez uma visita inesperada ao Palácio do Planalto: pegou seu ocupante desprevenido, sem estar usando máscara, como de hábito, e o contaminou!

Para a comunidade médico-científica em todo o mundo, até que se descubra uma vacina, o uso de máscaras ainda é, e continuará sendo, o mais eficaz meio para se prevenir e evitar a transmissão da Covid-19, de uma pessoa para outra, e salvar milhões de vidas, pois impede a passagem das gotículas infectadas pelo coronavírus, que saem da boca.

A Organização Mundial da Saúde – OMS divulgou, há pouco, uma carta assinada por cerca de 200 cientistas em todo o mundo, confirmando a contaminação pela Covid-19 através do ar, o que torna o uso de máscara ainda mais necessário, respeitando o princípio da precaução que todos, sem exceção, devemos obedecer.

Como é cediço, a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais públicos e privados, abertos e/ou fechados, consta de todos os protocolos sanitários da OMS, dos governos de todas as nações – inclusive pelas autoridades sanitárias do Brasil, menos pelo Governo Federal, que há mais de sessenta dias, sequer nomeou, ainda, o Ministro da Saúde.

Perante tais evidências, cabe perguntar: Por que o Presidente Jair Bolsonaro é contra o uso de máscaras, se está provado que pode salvar milhões de vidas? Ele mesmo poderia ter evitado se infectar, não fora o mau exemplo de não respeitar os protocolos sanitários recomendados. Será superstição, medo ou narcisismo?

Como se sabe, “[…] os narcisistas são arrogantes e prepotentes, mas não por acaso. Acreditam-se únicos, especiais, donos e senhores de uma existência maravilhosa que está muito longe da que os demais poderiam sequer imaginar”. Eles possuem a mesma capacidade de ouvir que têm as pedras – assim como alcança José Elias Fernández, membro do Colégio de Psicólogos de Madrid.


Para tentar entender por que há essa rejeição, e/ou medo que o Presidente demonstra quanto ao uso da máscara, fomos buscar na história a origem e o seu significado, para ver se existe alguma explicação.

“[…] A máscara tem origem no Antigo Egito, cerca de (664-535 a.C”). Enquanto “[…] na China as máscaras eram usadas para afastar os maus espíritos, no Egito Antigo e na Grécia, elas eram colocadas sobre o rosto dos falecidos na crença da passagem para a vida eterna”.

Pela origem e seu significado, aqui pode estar uma das explicações: o Presidente, um ex-capitão do Exército, com passado de atleta (não resistiu à ‘gripezinha’), de estilo tosco, machão e machista, parece ter medo de alma.

Numa perspectiva político-cidadã, o não uso da máscara é a reafirmação da desobediência ao princípio da precaução para com a saúde coletiva; e essa constitui a posição de centenas de milhares de pessoas, nesse início de reabertura de alguns setores da economia, notadamente naquelas atividades de convivência e maior interação social, como bares e restaurantes, que movimentam a vida noturna, nas grandes cidades. Identifica-se nessa atitude, a nefasta influência do comportamento adotado pelo Presidente, ignorando os protocolos sanitários de prevenção à pandemia, em flagrante incentivo à desobediência civil.

As pessoas precisam entender que o vírus está, e vai permanecer entre nós por longo período, o que vai nos impor uma cultura de convivência com a doença, para se evitar uma segunda onda, com números de infectados e mortos superiores aos que se tem hoje, provocando um retrocesso no processo de reabertura econômica, especialmente durante a quarta fase, em que os riscos de contaminação, serão ainda maiores. O momento exige bom-senso para se encontrar o equilíbrio entre a retomada da economia e a proteção da vida.

Analisando, sociologicamente, a movimentação e o comportamento coletivo nessa fase, a regra é a inobservância dos protocolos sanitários, por parte de alguns estratos, com ênfase para aquelas pessoas de maior poder econômico – e nível de “educação” – em adição a um elevado grau de incivilidade para com os agentes públicos, que, no nobre cumprimento do dever de proteger a saúde coletiva, ao tentarem fazer observar o que é exigido pelo poder público, estabelecido nos decretos que normatizam a reabertura da economia, estes são humilhados, quando não agredidos fisicamente. 

Está gravado na memória de todos o flagrante atentado à honra e dignidade da pessoa, além da ausência de qualquer fragmento de um padrão civilizatório, sofrido por um desses agentes, da parte de uma “cidadã”, com aquela famosa frase – “[…] cidadão não, engenheiro civil formado”; “nós é que pagamos você”, seu..” – mostrado pela televisão (até então não se  sabia que engenheiro não era cidadão). A frase pronunciada consubstancia o sentido de uma outra não menos conhecida, desprezível e arrogante que é – “[…] você sabe com quem está falando”?

O recorrente não uso de máscaras, por significativa parcela da população em geral, com relevo para os séquitos pertencentes “ao andar de cima”, e a inconsequente atitude de centenas de milhares de pessoas, que teimam em se aglomerar nas calçadas, praças e praias, contrariando as recomendações sanitárias, como vem ocorrendo em todo o País.

Tudo isso é emblemáticos do comportamento de uma sociedade adoecida, culturalmente analfabeta e politicamente ignorante, revelando, a um só tempo, incivilidade, narcisismo e menosprezo pela própria vida e pela vida do outro. São comportamentos não toleráveis em uma coletividade pretensamente moderna.

Em face dessa insensatez e vergonha, os governos devem adotar um padrão de análises com base nas ciências sociais, para observar e criar meios de ação que possam corrigir esse comportamento errático de expressivas parcelas da população, com foco nas movimentações que se dão no interior dos vários grupos, das distintas camadas sociais, objetivando fomentar o desenvolvimento de uma nova cultura comportamental ante a pandemia, que vai muito além dos atos coercitivos impostos pelos decretos que balizam a nova realidade em elaboração.

Para conformar essa pretendida realidade impõe-se a adoção de padrões de abordagens analíticas, consoante às novas configurações exigidas para os diversos setores de atividades, tanto profissionais, quanto político-sociais, dado que já se percebe uma tendência de influências ainda mais gravosas, tanto na saúde quanto no aspecto econômico-financeiro, de teor individual e coletivo, com danosos rebatimentos no aumento da pobreza e das desigualdades, se não houver um amplo e urgente reposicionamento comportamental no interior das várias redes, que incorpore uma rígida e efetiva observância das normas sanitárias, impondo novos hábitos, inclusive  relacionais, para evitar outra emergência.


“[…] Embora as redes sejam uma antiga forma de organização na experiência humana”, na contemporaneidade Manuel Castells nos apresenta um novo tipo de organização, que chamou de “[…] sociedade em rede”. O que difere a experiência antiga do formato atual são as suas estruturas, fundadas na comunicação interativa e em tempo real (o que não é pouco), trazidas pelas novas tecnologias digitais, que, para o bem e para o mal, promoveram uma revolução, na forma, nos conteúdos e na velocidade multiplicadora da informação, inimagináveis até para esses tempos.

É de aceitação geral o fato de que as novas tecnologias da informação constituem meios imprescindíveis para conectar pessoas e nações, primordialmente para a comunidade medico-científica comunicar os avanços da ciência, por meio dos ensaios e testes clínicos, a fim de desenvolver uma vacina e/ou medicamentos para o tratamento da Covid-19. No momento são as grandes aspirações da humanidade.

No universo pandêmico fluente, apenas por meio das novas tecnologias da informação uma descoberta científica, comunicada pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, ou pela Universidade de Pequim, é passível de chegar em tempo real à comunidade científica de todo o mundo, permitindo agilizar ainda mais os avanços científicos que serão levados ao conhecimento da humanidade.

Nessa perspectiva, tão importante quanto as novas descobertas científicas é a informação on-line, disponibilizada para toda a Terra, mobilizando global e simultaneamente a comunidade de ciência, em favor dos avanços dos saberes ordenados e da sociedade em escala mundial. Nesse contexto, confirma-se a essencialidade do bom uso que se deve fazer das novas tecnologias comunicacionais para o bem da ciência e do ser humano.

Mutatis Mutandis, assim também deveria ser o uso individual das redes sociais pelos cidadãos, mormente nessa fase de reabertura da economia, na produção de informação para a conscientização das pessoas, no sentido de assumirem uma atitude proativa na promoção de ações de prevenção e combate ao coronavírus, e respeito ao cumprimento dos protocolos sanitários, a que todos estamos submetidos na qualidade de cidadãos.

Deveria ocorrer assim, mas, quando examinamos o uso que é feito das novas tecnologias, o que se constata é apavorante, e contraria tudo o que se espera e se necessita na realidade em decurso. Criminosamente, o que vemos é a produção e distribuição massiva das fakes news, mais do que com o objetivo de desinformar e tentar confundir o cidadão consciente, buscando induzi-lo ao descumprimento do que está preconizado nos decretos de isolamento social.

Atos criminosos perpetrados com o uso das redes sociais são as mobilizações para encontros de grupos, formando aglomerações nos vários locais em funcionamento, e até incentivando a desobediência civil; e, não raro, até para  provocação de tumultos e  desafio às autoridades, com o objetivo de produzirem vídeos exibicionistas para alimentar vaidades narcísicas e outras alienações.

Umberto Eco, em seu estilo mordaz, criador de frases sarcásticas, disse que “[…] as mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, só falavam no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade”.

A julgar pelo que observamos hoje, ele tinha razão!




COMENTÁRIO

Tem toda a pertinência o ilustre articulista ao lamentar que a cultura libertária  brasileira dificulte que o povo compreenda a seriedade do momento, e impeça que ele se autodiscipline para o uso da máscara, única defesa de que dispõe a humanidade no momento contra o flagelo do coronavírus.

Eu mesmo comentei meses atrás sobre uma matéria em que um europeu residente em país oriental registrou no celular uma zona urbana em que todos, todos, sem exceção, do mendigo à criancinha, do empresário ao vendedor, adotaram espontaneamente a máscara nos primeiros dias da pandemia, e por isso haviam ocorrido apenas quatro mortes na cidade até ali, quando os cadáveres já faziam pilhas mundo afora.

Na ocasião eu comentei que, se o único transmissor do vírus era o aerossol de humores corporais expelido pelo nariz e pela boca, mesmas vias por onde se podia receber aquele patógeno, ninguém infectaria ninguém, e ninguém se infectaria. Tampouco restariam contaminadas as superfícies em geral, já que as pessoas não estariam depositando perdigotos sobre elas.

E lamentei à época que isso seria então inviável no Brasil por dois motivos: a um, porque não haveria mascaras para toda a população brasileira de repente; a dois, porque o nosso povo não teria a disciplina de adotar a máscara com o rigorismo necessário. Hoje já temos mascaras para todos... mas o povo como um todo não compreende a importância do seu uso.

Engana-se Arnaldo Santos em seu artigo, entretanto, ao dar a entender que somente a classe média sudestina, os manifestantes de rua a favor do Governo, os que frequentam a noite nas cidades grandes e as suas praias elegantes sejam os maiores insubmissos, porque nas cidades pequenas e nas periferias do País as máscaras se transformam em adereços de pescoço.

Sim, é estranhável que o Presidente Bolsonaro tenha resistido a essa necessidade e se tenha exposto ao vírus até ser infectado, o que apenas o insere nesse caldo de cultura nacional que faz o povo transgredir o que lhe impõe qualquer norma de obediência civil.

Mas esse fato nada tem a ver com “machismo” ou outro cacoete qualquer que Arnaldo atribui ao Presidente da República, dando a falsa impressão de que faz contra ele o tal do “discurso de ódio”. Bolsonaro é igual ao povo que o aplaude, e à massa que o elegeu. Paciência.

Também ouso dissentir do nosso ilustradíssimo sociólogo quando ele deixa vazar nas entrelinhas do seu texto um certo chorume autoritário, no sentido de que o Presidente da República deveria “obedecer” isso e aquilo.

Pior ainda quando diz que, apud fulano, o “povo” pode ser classificado como uma “legião de imbecis”, porque organiza manifestações pelas redes sociais, “até para provocar tumultos e desafiar as autoridades”. Enfim, seguindo o articulista na linha da frase do Pelé, execrada pelas esquerdas, segundo o qual, “o povo não sabe votar”.

Para mim, nas democracias, o povo é a autoridade suprema, e quem o povo elege para a Presidência, para o bem e para o mal, tem que ser fiel a ele até as eleições subsequentes.

Reginaldo Vasconcelos
                                 




POEMA - Aquarela Desbotada (HE)


Aquarela Desbotada
Humberto Ellery*


o teu doce perfume em minhas mãos,
tão intenso, tão gostosamente teu,
de tanto que o aspirei, desvaneceu...

o calor do teu corpo no meu corpo,
me envolvendo, me lembrando o que era meu,
de tanto me aquecer, desaqueceu...





tua imagem nos meus olhos, tão bonita,
me fitando, me lembrando o que restou,
de tanto não te ver, já se apagou...

tua foto colorida, tão querida,
era tão viva, tão real que me sorriu,
de tanto que a beijei, descoloriu...






sexta-feira, 10 de julho de 2020

CHAT - Papo da Semana


MELHOR POSTAGEM DA SEMANA - Somos Mutantes (DV)


Nesta semana, a melhor postagem no Grupo de Whatsapp da ACLJ  foi encaminhada pelo confrade Dennis Vasconcelos. 



Dennis Vasconcelos*

Trata-se de um vídeo denominado Somos Mutantes, que aborda especificamente a somatização dos sentimentos – exaltando a evidência de que aquilo a nossa mente processa e produz se reflete na nossa saúde física e no nosso bem-estar geral – tema de grande importância no momento que humanidade vive. 


CRÔNICA - Aprendendo a Ler (ES)


APRENDENDO A LER
Edmar Santos



Ontem ele não a tinha; hoje, apaixonado, espera preservá-la consigo para até o fim de suas vidas. Não sabe como.

Enquanto ela fala – ela parece ter ânsia de fala – ele a olha profundamente nos olhos; permanece calado como quem está tentando ler em seus olhos a infinitude de sua alma, esperando por essa tentativa de leitura da alma, saber tudo sobre sua amada: seus medos, seus desejos, seus sonhos. 

Que tolo apaixonado! Não sabe que todo aquele que tenta ler a alma alheia através dos olhos é como que um leitor noviço, seus próprios olhos “gaguejam”, silabando em repetência, não consegue ritmar a leitura.

A alma não se lê, justamente porque não é possível vê-la; a alma se aprecia ouvindo em revelação, quando ela se externa em silabas que se encaixam em palavras, quando em meio a frases e orações, configura e verbaliza seus desejos mais íntimos, suas expectativas em relação a si própria, aos outros, ao mundo. Ainda que emotivamente ditas, as palavras apresentam as expectativas da alma para – quem sabe ? – além de escutar, ouvir.

Ela calou-se. Ele perdeu uma preciosa oportunidade de saber um pouco mais sobre ela, pois, não é sempre que o momento é propício à uma fala reveladora do ser; por vezes, “palavras são apenas palavras”. Seus ouvidos estavam fechados pela concentração de seu olhar no olhar dela; no entanto, pelo olhar apenas se pode entender expressões de sentimentos relacionais, não de profundidade íntima. 



– Você parece não haver entendido, ou melhor, ouvido uma só palavra que eu falei!  – exclamou descontente. Um ouvinte atento parece ser um dos requisitos para elas, as mulheres, gostarem de seus parceiros.

– Eu estava lhe olhando, e de tão admirado de ter você aqui, me perdi um pouco nos meus próprios pensamentos; mas sim, escutei o que você disse!  – ele tentou amainar a situação.

– Então, depois de eu lhe falar tanto sobre mim, você irá? – ela lhe indagou. Por segundos ele ficou estático, pensando em uma saída estratégica para àquela situação. Não sabia do que ela estava falando, não ouviu nada do que revelou de si, nem seu desejo. 

– Meu desejo é realizar os seus; no entanto, você poderá me permitir uns dias para que eu me programe? Foi o que lhe veio à cabeça dizer.

– Bem, minha máquina de pensar programação, espero que seus bits e bytes não me façam esperar uma eternidade por uma coisa tão simples. Mas, tudo bem, aguardo.

– Obrigado, minha querida – ele a agradeceu, ao mesmo tempo em que segurava sua mão e suspirava de alívio.

– Só não entendo o porquê de ter que se programar para me acompanhar em uma visita à casa de meus pais!  – ela, em sua ânsia inconformada, exclamou descontente sem saber que estava dando uma segunda chance a ele para, finalmente, entender seu desejo, ainda que tenha perdido a melhor parte de sua fala.

– Você tem razão. Não há mesmo necessidade de tanto protocolo para isso; vamos amanhã mesmo  – aliviado por haver descoberto o desejo da amada, aprendeu a lição daquele dia.

Ler o outro a quem, por algum motivo ou situação nos importa, é uma ação que se realiza em manter atenção empática à fala, ao agir, ao modo ser, para que, por essa empatia atenta, possamos realizar uma leitura proveitosa e fluída; propiciando que nossos olhos não “gaguejem” e nosso ouvidos não se fechem e percebam, por fim, o esplendoroso texto encontrado na linguagem do ser, contida no outro.


NOTA SOCIAL - Lançada a TrendesCE


LANÇADA A
TrendesCE

Buscando conectar oportunidades a investimentos, 
TrendsCE foi lançada oficialmente


O Ceará ganha uma plataforma de conteúdo estratégico voltada para conectar oportunidades de negócio a investimentos. A TrendsCE (http://trendsce.com.br), que já está no ar e foi lançada oficialmente nesta quarta-feira (8), aposta em análises, cenários, tendências de mercado e mineração de dados como ferramentas para formar um robusto hub de informação do tipo no Estado.

No momento em que se discute a retomada da economia e as consequências da pandemia no mercado global, a TrendsCE surge como uma alternativa multiplataforma para quem busca uma leitura crítica do cenário por respeitados especialistas, que darão suporte ao conteúdo produzido por uma equipe que acumula experiência no mercado do cearense e nacional.


Com o jornalista e empresário Marcos André Borges, Membro Titular da ACLJ, como principal investidor e controlador, o projeto foi idealizado antes da pandemia, no programa da multinacional IXL Center, em parceria com a Boston Innovation Gateway, e apoio do Global Innovation Institute.

A multiplataforma contou, também, com um planejamento estratégico participativo com o mercado. Agora, no momento de reabertura, a plataforma será lançada oficialmente com conteúdo bilíngue, em português e inglês, potencializando a avaliação do cenário local por investidores nacionais e estrangeiros e oportunizando a entrada de capital internacional no Estado.

A iniciativa tem ganhado elogios e é recebida com expectativa por personalidades do setor produtivo e por autoridades, como o Secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior, que avalia que “a TrendsCE será um instrumento bastante rico para basear ações econômicas para o desenvolvimento do Estado. Será um ferramenta para auxiliar as decisões dos empresários cearenses, com informações e estratégias precisas, para impulsionar o Ceará a um novo patamar para toda a sua população”.

O lançamento oficial aconteceu em transmissão no canal da TrendsCE no YouTube. Na ocasião, a jornalista Mara Luquet mediou um debate com o tema: “Retomada do crescimento econômico e políticas de desenvolvimento regional”.

A discussão teve a participação do Secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior; do Prefeito Roberto Cláudio; do Presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante; do Presidente da Fecomércio, Maurício Filizola; e do Diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Eduardo Diogo, e focou no cenário do Nordeste pós-pandemia e, em especial, no Ceará.

Além da exibição no YouTube, a NossaTV retransmitirá o lançamento para quatro Estados, via TV a cabo, e o Economic News Brasil reproduziu reproduzir através de seu portal e redes sociais.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

NOTA ACADÊMICA - Sarau Virtual da ACLJ (07.07.2020)

SARAU VIRTUAL
DA ACLJ
(07.07.2020)
  
A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) promovia, nas noites de terça-feira, na casa de bebidas finas Embaixada da Cachaça, um poetry slam, consistente em um pequeno sarau de poesias, prosa poética e performances musicais acústicas ao vivo, segundo uma prática que começou nos EUA e se difundiu pelo Planeta.


   
Mas essa rotina cultural saudável foi interrompida pela pandemia de Covid-19, e então grupo de habitués passou a se reunir virtualmente, nas noites do mesmo dia da semana, em que acadêmicos, artistas, intelectuais e poetas em geral, frequentadores daquele reduto boêmio e cultural, matam a saudade e mitigam a carência de convívio, mantendo em atividade a ACLJ, apesar do isolamento social obrigatório.

Na sessão de ontem (07.07.2020) estiveram reunidos para declamações em prosa e verso quinze participantes, nomeadamente o engenheiro Altino Farias, a advogada, psicanalista e poetisa Alana Alencar, o jornalista Reginaldo Vasconcelos, o Marchand Sávio Queiroz, o advogado Adriano Vasconcelos, o ambientalista João Pedro Gurgel, o artista plástico Totonho Laprovitera, o agrônomo e poeta Paulo Ximenes, o físico e professor Wagner Coelho, a professora e poetisa Akemi Ito, sua amiga Amélia, o agente de exportação Dennis Vasconcelos, o procurador federal e professor Edmar Ribeiro, o filósofo, teólogo e psicoterapeuta Júlio Soares, e o engenheiro Sérgio Simonetti.    


LIVE - Bananas Alegres (RV)

BANANAS
ALEGRES
Reginaldo Vasconcelos*



Dmitry Anatolievitch Sidorenko é um linguista, formado em letras, com foco em línguas românicas (as de bases gregas e latinas) – especialmente o português.  

Ele é o interprete oficial da Embaixada Brasileira em Moscou, através do Consulado em São Petersburgo, a capital cultural da Rússia, onde mora. Trabalha traduzindo documentos e diálogos entre o russo e o português, bem como fazendo traduções simultâneas em congressos internacionais.    

Nessa função ele recebe e acompanha delegações brasileiras naquela cidade, seja de políticos, como Presidentes da República, Parlamentares e Governadores de Estados, seja de grandes empresários brasileiros, que viajam à Rússia em missões oficiais, ou para feiras de negócios e encontros de players do comércio exterior.
Dmitry atende também a algumas agências de turismo de São Paulo e do Ceará, entre nós, notadamente, os grupos de socialites organizados pela Baronesa Ana D’Áurea Chaves. Nesse trabalho conheceu os empresários Tasso Jereissati e Beto Studart. 

Apaixonado pela terra alencarina, bem entrosado com intelectuais locais, aos quais foi introduzido pelo saudoso Cláudio Pereira, então titular do setor cultural da Prefeitura de Fortaleza, Dmitry foi trazido ao convívio da Tenda Árabe pelo nosso comendatário, o radialista e promoter Alexandre Maia, e em 2013 recebeu o título de Membro Honorário da ACLJ, com posse registrada em ata de março de 2015.

Esta semana Dmitry Sidorenko nos enviou uma pequena live doméstica na qual sua filha pré-adolescente Anfissa, que estuda artes cênicas, dança com uma colega em sua datcha particular, nos arredores de São Petersburgo, aproveitando o isolamento social para ensaiar a performance coreográfica intitulada “Bananas Alegres”, sobre um rap e beatbox com esse nome, sucesso de uma banda russa.







ARTIGO - História e Literatura: Aproximações (LA)


HISTÓRIA E LITERATURA:
APROXIMAÇÕES
Luciara de Aragão*



História e Literatura em seus discursos diversos convergem na tentativa de representar a contemporaneidade de suas experiências. Modos diversos de explicar o presente, olhar o passado e observar o devir, embora a maneira de trabalhar a História, seja a de estabelecer as correlações possíveis entre os acontecimentos revelando os seus significados. A História é comprometida com o fato que interpreta e relata com a maior exatidão possível, a partir da evidência encontrada na sua representação do passado.

É do conceito de representação, concorde as teorias de História Cultural, que partem as análises da aproximação entre História e Literatura como fonte documental para a historiografia (Lima Grecco, 2014). Aproximação recente, desde a metade do Século XX, quando as invenções metodológicas e epistemológicas baseiam-se em perspectivas socioculturais.

Hoje, vários historiadores que reconhecem no texto literário a possibilidade de identificação com textos históricos com as peculiaridades próprias da linguagem artística, a poética, o criativo, veem colocando a literatura como um campo privilegiado para a investigação do historiador. Podemos enfatizar aqui as obras paradigmáticas pelo mito, a prosa romanesca, uma mostra de mundo em forma indireta, metafórica e alegórica para o fazer histórico e literário, tal como querem o historiador Roger Chartieu e o sociólogo Pierre Bourdier.

Por vezes, a coerência do sentido que o texto literário apresenta é o suporte necessário para que o olhar do historiador se oriente para outras tantas fontes, e nele consiga enxergar aquilo que ainda não viu (Pasavento, 2016).

Um bom exemplo disso é constatar que, para os estudiosos de América Latina, o debruçar-se sobre o colombiano Gabriel Garcia Marques no seu “O General em seu Labirinto”, romance baseado na vida de Simón Bolivar, o Libertador, desde os movimentos pró-independência é de grande valia. Este construir do olhar  sobre este tipo de fonte para pesquisa passa pela riqueza interpretativa e mergulha a sensibilidade do historiador em forças  mágicas e criativas.

Para a historiadora Yvone Dias Avelino a História se define como “uma constelação de forças contraditórias, em configurações pluridimensionais permanentes, tendo um caráter abrangente, onde o historiador deve captar o real” (História Cotidiano e Linguagem, 2012 p. 156).

O texto literário tem, pois, o condão de ser interpretado como documento e fonte em que se registram vestígios do passado e representações do seu autor, construção cognitiva, intencional e possível de perpetuar uma memória, onde se registram vestígios do passado e as evidências contidas na visão do seu criador.

Como manifestação humana a literatura marca as experiências, sonhos e aspirações e celebrações de uma época. Ainda como queria Cervantes “O poeta há de contar as coisas não como foram, mas como deveriam ser, e o historiador há de escrevê-las não como deviam ser, e sim, como foram (Cervantes, 2005).


terça-feira, 7 de julho de 2020

NOTA FÚNEBRE - Celmo Brasil Girão


NOTA DE FALECIMENTO
CELMO GIRÃO



Faleceu na tarde de ontem (06.07.2020), no Hospital Antônio Prudente, em Fortaleza, o arquiteto Celmo Brasil Girão, aos 86 anos, que já sofria insuficiência cardíaca havia meses, quando sobreveio a intercorrência  da septicemia abdominal que o vitimou.


Celmo era filho do grande historiador Raimundo Girão, que foi prefeito desta Capital, membro da Academia Cearense de Letras, um dos maiores intelectuais cearenses de todos os tempos.


Era ainda avô materno da poetisa Alana Girão de Alencar, nossa confreira na ACLJ, a quem a Confraria manifesta sentidas condolências. Alana mantinha um profundo vínculo de amizade com o falecido patriarca da família, a par do natural afeto avito.

Os pêsames da ACLJ são extensivos à mãe da Alana, Dona Celi, ao seu marido Júlio, e aos seus dois filhos, o Pedro Antonio e o Benjamim, que também eram muito ligados ao já saudoso bisavô.

Na imagem, Celmo e a Alana em sua infância.


ARTIGO - Transposição de Vazões do Rio São Francisco (CB)


Transposição de Vazões

do Rio São Francisco

Cássio Borges*



Em meio à discussão de quem é a ideia do Projeto de “Transposição de Vazões do Rio São Francisco”, hoje denominado “Projeto de Integração do Rio São Francisco às Bacias do Nordeste Setentrional” revejo nos meus alfarrábios meu artigo sobre este tema intitulado “Subsídio aos Estudos de Transposição de Vazões dos Rios Tocantins e São Francisco para o Nordeste”, publicado no Boletim Técnico do Dnocs (jul/dez) de 1981.

Vê-se no referido e despretensioso trabalho, porque naquela época não havia interesses empresarias envolvidos, seja do ramo de consultoria ou no ramo de construção, como acontece atualmente, e nem os políticos costumavam se pronunciar sobre temas técnicos. Tudo se fazia, se publicava e se dizia dentro da mais pura convicção e princípios visando os interesses mais nobres do povo nordestino. É triste observar que atualmente a água está sendo considerada como se fosse uma mercadoria, para ganhar dinheiro, e ter poder.

Na primeira página do mencionado trabalho, isto é, no seu RESUMO, se lê o seguinte: “Em fevereiro de 1978, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - Dnocs, preocupado com o problema das secas no Nordeste e sobremaneira sensível aos problemas da escassez de água, numa visão futura, resolveu trazer à tona o velho sonho da ligação das bacias hidrográficas nordestinas, já que as técnicas neste domínio, tendem a receber novos impulsos”.

Mas que “novos impulsos” eram estes que já se vislumbrava àquela época? Também no referido RESUMO nós realçávamos que “este empreendimento, de elevado custo inicial, somente seria implantado, após o esgotamento das disponibilidades hídricas locais”. Isto é, dando prioridade ao uso das águas armazenadas nos açudes do Dnocs de custo praticamente zero.

Ao elaborarmos o referido trabalho tínhamos em mente que, para transpor as águas desde o Rio São Francisco, vencer uma altura de 110 metros topográficos e levá-las a uma distância 120 quilômetros até os limites dos Estados de Pernambuco e Ceará, teríamos que recorrer ao bombeamento destas águas mediante a instalação de possantes Estações de Bombeamento. 

Isto, naturalmente, exigiria um elevado consumo de energia e, naquela época, este insumo já era considerado escasso e quase inacessível. Daí surgiu a ideia de fazer o bombeamento das águas do Rio São Francisco para a bacia do Rio Jaguaribe utilizando-se a energia “off-peak” da Chesf – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, a chamada energia ociosa, que é gerada depois das 22 horas até às primeiras horas da manhã, quando o consumo é muito baixo.

Todas essas iniciativas do Dnocs em torno deste assunto tiveram ampla repercussão nacional, tendo a imprensa falada, escrita e televisada dado grande destaque, como se pode verificar através dos arquivos da Divisão de Hidrologia do Dnocs. A revista do Ministério do Interior, ano IV-Nº 24, maio/junho de 1978, na seção ATUALIDADES, assim se expressou:

“Uma antiga e promissora ideia, por muitos considerada utópica, volta a repercutir entre técnicos em hidrologia de todo o país: a de transferência de água entre bacias hidrográficas vizinhas”.

A possibilidade foi novamente discutida durante Seminário de Recursos Hídricos promovido pelo Dnocs no início deste ano, e deverá ser estudada em profundidade a partir de 1979”.

Esta é mais uma comprovação documental que o Dnocs também é pioneiro neste tema da transposição. Como é que querem transformar esse Departamento, tão importante, numa simples secretaria?

Senhores Senadores, Senhores Deputados, toda a sociedade civil e eclesiástica desta sofrida Região, vamos fazer uma mobilização junto aos altos escalões da República e não permitir que isto venha a ocorrer.


 

domingo, 5 de julho de 2020

POEMA - O Jabre (GA)


O JABRE
Geraldo Amancio*

É o ponto culminante do estado da Paraíba, fica na Serra do Teixeira. Cantado por muitos poetas, até eu me atrevi a escrever este soneto:


Deus não tira uma vírgula nem bota
No que faz a suprema natureza.
Num monumento que uma Serra adota
Esculpiu um cenário de beleza.

Junto ao azul do céu que não desbota,
Onde as nuvens desfilam com leveza,
Lá nas alturas onde o vento trota
De crinas soltas sem a rédea presa.

O sol pela manhã lhe beija a testa,
À noite a lua o seu sorriso empresta
Na culminância o firmamento beira.

Altar perpétuo feito de granito,
Um brasão modelar do infinito
É o Jabre na Serra do Teixeira.


Em 20 de maio, de 2010.


ARTIGO - Os Partidos Políticos (AS)


OS PARTIDOS
POLÍTICOS
Arnaldo Santos*


Os partidos surgiram, pela primeira vez, naqueles países que adotaram a modalidade de governo representativo, com suporte na organização dos seus processos civis e sociais. Esse modelo – bom que se expresse – previa uma gestão do poder por parte dos representantes do povo.

Em essência, o nascimento dos partidos tem origem na busca pela criação de organizações de caráter participativo, é dizer, em razão do crescente aumento da demanda por participação nos processos das decisões políticas pelas diversas classes e estratos da sociedade.
              
Ainda no Século XVII encontramos registros da existência de dois grandes partidos pertencentes à aristocracia, atuantes no Parlamento inglês, e de representação política, mas sem relevância ideológica.

Segundo Weber, não eram mais do que séquitos de poderosas famílias aristocráticas. É tanto que, sempre que um lord, por alguma razão, mudava de partido, tudo o que dependesse de sua ação transmudava para o grêmio de oposição.

Nos registros mais recentes, na primeira metade do Século XIX, encontramos, na Europa e Estados Unidos, o partido dos notáveis. Esse é o período de afirmação do poder da classe burguesa, com a difusão das ideias e instituições parlamentares, bem assim a superação do conflito político pela sua constituição.

No período que precedeu e se seguiu o final do Século XIX, conforme afirma Norberto Bobbio, em (Dicionário de Política – Vol.2), essa realidade começou a mudar, quando aflorou o movimento operário baseado nas transformações econômicas e sociais, resultantes da industrialização, levando à “ribalta política as massas populares, através dos movimentos inicialmente espontâneos para logo a seguir dar lugar aos  protestos, até a criação do partido dos trabalhadores”.

Ainda segundo ensina Norberto Bobbio, “[…]”, é precisamente com o surgimento dos partidos socialistas – na Alemanha em 1875, na Itália em 1892, na Inglaterra em 1900, e na França em 1905”, que os partidos assumiram configurações completamente novas.

No itinerário malsão da política brasileira, historicamente, os partidos são a nossa primeira referência de negação da política, como instrumentos de constituição do bem-estar social coletivo, no contexto dos ideais de partidos programáticos e representativos de uma sociedade democrática.

A rigor, os partidos deveriam ser a porta de entrada para o efetivo exercício de uma práxis política, segundo nossas ideações, como organizações defensoras das reivindicações coletivas dos representados, nos oferecendo como opções eleitorais cidadãos vocacionados para o nobre exercício do poder político, entretanto, sob o aspecto ético e moral dos candidatos, o que se verifica é uma aguda deterioração, com graves impactos na qualidade da representação política, e para a democracia.
 
Para a consecução desse fim, aos grêmios partidários impõe-se a adoção de critérios no processo de formação dos seus quadros, mediante o estabelecimento da exigência de um padrão moral e ético, bem como de um perfil democrático, aos seus filiados, como precondição para se conceder legendas aos postulantes que disputarão mandatos eletivos; deveria, mas, na prática, o que prevalece é, tão-só, a “má” intenção daqueles que buscam se servir da política, em detrimento do bem societário.

As explicações para essa distorção podem ser encontradas na famosa definição de Marx Weber, onde ele ensina que “[...] os partidos têm caráter associativo, obedecem a um fim deliberado, seja ele de ‘objetivo’, a realização de um plano com intuitos materiais ou ideais, seja ‘pessoal’, isto é, destinado a obter benefícios, poder, e, consequentemente, glória para os chefes”!

Ainda na trilha de Weber, essa definição põe em relevo “[...] o caráter associativo do partido, a natureza da sua ação essencialmente orientada à conquista do poder político dentro de uma comunidade, e concretamente tem motivações à consecução de fins, ‘objetivos’ e/ou pessoais”.

No Brasil, essa definição foi interpretada, e é exercida pelos chefes (donos dos partidos), ao pé da letra, haja vista o caráter personalista em nossa cultura político-partidária. Não é por acaso que quase todos os políticos buscam ter um partido para chamar de seu, o que levou a essa profusão de legendas, consideradas de aluguel. As eleições do ex-presidente Collor (PRN) e do atual (pelo PSL) são emblemáticas dessa realidade.

A existência e o desenvolvimento dos partidos, na teoria política, se fundam ou deveriam se fundar, ancorados pelo princípio democrático da participação cidadã, e da representação política da sociedade, para afirmação de um Estado autônomo e soberano, assegurando a participação do cidadão nas decisões políticas.

Como é consabido, nos períodos de crises políticas e de transformações econômicas e sociais, com influxo direto na ordem tradicional da sociedade, como a que vivemos agora no Brasil, a demanda por participação fica ainda mais intensa, na defesa, especialmente, da democracia, e aos  partidos caberia o papel de mediador dos conflitos e dessas transformações, mas não é o que ocorre, pelo menos na realidade fluente.

O antirrepublicanismo da cultura partidária, no Brasil, se materializa, e tem negativo registro na História recente do País, no escândalo protagonizado pelos “anões do orçamento”, no período imediatamente após a redemocratização. Este vergonhoso moto teve destacada participação, notadamente, dos grandes partidos, visto que alguns dos pequenos eram, como ainda sucede, da oposição, e pertenciam ao “baixo clero”, sem qualquer poder e influência.

No referido escândalo, há uma maneira de associativismo, não no sentido weberiano, em sua definição de partidos, e sim na modalidade predatória para a prática de crimes contra o Erário, em que deputados e senadores formaram um conluio, e, durante mais de uma década, desviaram trilhões do orçamento do Governo Federal.

O método utilizado para essa prática antirrepublicana foi pela alocação de recursos no orçamento da União, uma das funções dos congressistas, que formaram uma “associação” de paridos, para, por via dos seus parlamentares, desviar recursos da saúde, educação, segurança, habitação, saneamento básico (35 milhões de brasileiros, ainda hoje, não têm água tratada, e mais de 100 milhões não têm esgotamento sanitário), para o  financiamento dos seus projetos de interesses particulares, (eleições e perpetuação no poder) e dos chefes de suas agremiações.

Nessa contextura de negar a função de representação dos interesses políticos da sociedade que deveriam ter os partidos, é imperioso lembrar, ainda, os mais recentes, e não menos famosos, que foram os escândalos do “mensalão” e da “lava-jato”, ainda bem acesos na memória.

Com tal ação, os partidos brasileiros, à extensão da história, não só foram perdendo a legitimidade intrínseca da representatividade política do País, como legaram às gerações de hoje o desestímulo à participação política, levando o cidadão de bem, vocacionado a servir na vida pública, a ter vergonha de participar.