Viajar sempre fez a alegria dos meus dias. Em férias pelas ruas do Aracati, ou nos sítios de Tururu, minha infância foi um prazer só. Adolescente, contava os dias para a chegada do carnaval em Salvador ou da partida do trem rumo à exposição do Crato.

Mas, curioso mesmo é o viajar dos idosos. Com a experiência que acumularam na vida, juntam numa combinação sábia a aventura e o conhecimento a um novo fator agora marcante: a hospedagem. De detalhe do passado, o hotel passa a ser essencial nos planos de viagem da chamada terceira idade.
Talvez por não ter atingido a idade do saber dos idosos, ou, quem sabe, por ainda considerar que o hotel se faz necessário apenas para guardar os pertences, não trago na lembrança os lugares em que me hospedei. Mas como a exceção é que faz a regra, lembro de um hotel sim-senhor!
Certa vez, chegamos boquinha da noite – eu e amigos de imprensa – no longínquo “reino” do Dr. Eunício Oliveira, Lavras da Mangabeira, para observarmos uma reunião política.

Redes armadas e atadas a um mourão central do caramanchão, que permitia que a mexida de um se propagasse para os outros, nos deitamos para jogar conversa fora até sermos vencidos pela embriaguez do sono.
Fazia uma noite belíssima naquele verão sertanejo. A luz da lua passava por entre as ramagens do maracujazeiro; o céu era um salpicado de estrelas... Acordamos madrugadinha com o insistente bom dia do senhor galo.
De volta pra casa, o interrogatório de praxe:
- A viagem foi boa?
- Surpreendentemente ótima. Amor, você sabia que em Lavras da Mangabeira tem um hotel de pra mais de cinco estrelas?
Por Dorian Sampaio Filho
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