sexta-feira, 16 de março de 2012

FORTALEZA - DESRESPEITO À MEMÓRIA ARQUITETÔNICA

Velho cartão postal da cidade, com o Castelo do Plácido
No início dos anos 70, Fortaleza ainda não tinha shoping Center nem centro de convenções. Foi  quando fizemos um projeto para utilizar o prédio abandonado do Castelo do Plácido, na Av. Santos Dumont, para ali promover uma grande festa no Dia das Crianças. 

A ideia era celebrar uma locação com os proprietários, cercar a área de tapumes, pintar de róseo o velho castelo, dotá-lo de iluminação feérica, montar um parque infantil em seu entorno, colocar bonecos do Walt Disney interagindo com as pessoas. Procuramos a TV Verdes Mares, recém inaugurada, para dividir a promoção em parceria, como era comum acontecer naquela época.

Fomos recebidos pelo jornalista Sabino Henrique, então editor local do Jornal Nacional e responsável pelo setor de eventos da emissora. Apresentamos o nosso projeto, que ao final foi indeferido porque concluíram que o edifício poderia ruir sobre as crianças. 

Pouco tempo depois um grupo empresarial que adquiriu o prédio para naquele espaço construir um supermercado o demoliu, e as picaretas hidráulicas sofreram muito para remover cada tijolo, ficando então patente que a construção era segura, absolutamente sólida, edificada para ficar de pé por muitos séculos.

Talvez, se tivessem os homens da área de eventos daquela época topado a empreitada, apoiando o nosso ousado projeto, a festa da criança no Castelo do Plácido teria sido um sucesso e teria entrado para o calendário anual desta cidade.

Castelo da Disney
Tornado equipamento útil à sociedade e rentável para os proprietários, possivelmente não tivesse sido o castelo vendido e demolido, já que somente a importância estética e histórica não é suficiente para proteger o patrimônio arquitetônico brasileiro. Empresários sem cultura humanística querem lucros a qualquer custo e os políticos, mais ignaros ainda, querem votos, ambições que para eles são prioritárias ante os valores culturais.

Descaso e perigo
Agora é o prédio histórico da antiga Casa Paroquial de Fortaleza, onde até recentemente funcionou a Escola Nossa Senhora Aparecida, na esquina da Av. Santos Dumont com a Rua Coronel Ferraz, que ameaça ruir sobre as pessoas e automóveis que circulam por lá, sem que ninguém se incomode com isso e sem que as autoridades se abalancem para evitar que desmorone.

Amarrações precárias
Segundo informa a administração do Colégio da Imaculada Conceição, que lhe fica próximo, o prédio pertence ao clero local, mas não se sabe se foi tombado pelo competente setor do Poder Público, nem qual seria a causa de seu estado de abandono. Inclusive, segundo se diz, ali teria sido alfabetizado o ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco – dado que, em qualquer país sério, já seria suficiente para consagrar uma relíquia histórica do patrimônio nacional.  

Se o prédio tiver “sofrido” o tombamento, neste nosso país de contradições, pode vir daí sua maior desgraça, tendo em vista que, porquanto essa providência administrativa teoricamente vise proteger o patrimônio arquitetônico, termina por proibir que se promova, com a necessária rapidez, a sua restauração conservadora, antes de se vencer uma burocracia monstruosa.
  
Cine São Luiz
Por exemplo, o arquiteto Fausto Nilo, por encomenda dos antigos proprietários, concebeu um magnífico projeto para revitalizar (e salvar) o Edifício São Luiz, na Praça do Ferreira, onde funcionou por muitos anos a nossa maior e mais bela sala de cinema, mas seu trabalho não pode mais ser aproveitado pelo Governo do Estado, que adquiriu recentemente o imóvel, porque após a elaboração do projeto do Fausto o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico.

Paredes pichadas
Outro descalabro crônico com o patrimônio da cidade vem se arrastando há anos, com o   naipe situado na área da chamada Praça dos Leões, que além do próprio largo General Tibúrcio envolve o prédio do Museu Histórico, onde funcionou a Assembleia Legislativa, a Igreja do Rosário, e o Palácio da Luz, antiga sede do Governo do Estado, que hoje abriga a Academia Cearense de Letras, além de outras confrarias literárias.
Lâmpadas furtadas

Não há quem proteja aquele logradouro do vandalismo desvairado, paraíso dos vagabundos, dos drogados, dos pichadores, dos mutiladores de estátuas e dos ladrões de lâmpadas da iluminação pública e dos refletores das fachadas.

Diante disso, apelemos ao Governador do Estado, à Prefeitura, ao Iphan, ao Ministério Público, ao Arcebispado, às famílias a que hipoteticamente pertencem imóveis desses, aos magistrados que porventura presidam demandas cíveis envolvendo tais prédios, enfim, a quem de qualquer maneira possa intervir, transigir, ou agilitar providências, para proteger e preservar a memória física da cidade.

Postado por Reginaldo Vasconcelos

quinta-feira, 15 de março de 2012

RICARDO BACELAR É EMPOSSADO NA ACR

Ricardo Bacelar e Damasceno Sampaio
O secretário adjunto e corregedor geral da Secional Ceará da Ordem dos Advogados do Brasil, Ricardo Bacelar, ocupará a cadeira de número 14 da Academia Cearense de Retórica, durante solenidade de tomada de posse que acontecerá nesta quinta-feira, a partir das 19:30h, na sede da Academia Cearense de Letras.

Ocupará a cadeira que tem como patrono o jornalista e político João Brígido, um dos maiores historiadores do Ceará, nascido no século XIX. O lugar foi ocupado anteriormente por José Milton Gaspar Brígido.

Presidida por Maurício Benevides, a Academia Cearense de Retórica foi fundada em 1979, por iniciativa do escritor Itamar Espíndola, seguindo o perfil tradicional concebido pela Academia Francesa.

Ricardo Bacelar é membro do Conselho Estadual de Cultura do Estado do Ceará e do Conselho de Políticas Públicas de Cultura de Fortaleza, e vice-presidente da Academia Cearense de Letras Jurídicas.

A Academia Cearense de Letras Jurídicas foi fundada em 28 de setembro de 2011. No passado, a ínclita jurista Wanda Othon Sidou reuniu uma gama de juristas para iniciação deste sodalício, entretanto, a ideia não prosperou. A Academia não foi registrada, e teve apenas duas ou três reuniões. No ano passado a ACLJUR finalmente foi instalada, sob a presidência do advogado José Damasceno Sampaio.

domingo, 11 de março de 2012

IMPRENSA DISCUTE CENSURA A DICIONÁRIO


O programa Visão Política, do confrade Arnaldo Santos, que vai ao ar pela FGF TV, Canal Universitário 14 da Net, na edição da semana passada, entre outros temas candentes, repercutiu a notícia nacional sobre a censura presentemente imposta pela Justiça ao Dicionário Houaiss, quanto à acepção atribuída por ele a certo verbete designativo de uma raça.

Entendeu o Ministério Público Federal que o léxico incorre em preconceito contra a etnia nômade, ao registrar o termo “cigano” como sinônimo de usurário, trapaceiro, burlador, embora ressalvando que esses significados não são literais, já que têm conotação pejorativa.

A questão é muito sensível, pois a medida de recolher livros e proibir a sua venda cheira a censura, embora envolta no enjoativo incenso modernoso do corretismo social. Um dicionário tem que registrar os usos que as palavras têm de fato, sem obrigação de analisar se tais usos são corretos ou injustos. Aliás, todos os bons dicionários de português dão ao substantivo “cigano” o conceito paralelo de negociante espertalhão, porque assim entende o mundo.

Ciganos têm orgulho de ser ciganos, e têm amor à sua tradição cultural, na qual se inserem a quiromancia, a  vida itinerante, a vocação para os negócios. Como se sabe, a esperteza é inerente ao comerciante hábil, que atribui maior qualidade àquilo que vende, enquanto deprecia aquilo que compra, para conseguir preços melhores – mesma característica que os judeus também ostentam.

No mais, deve-se ao nomadismo a ideia de que os ciganos sejam corsos, assim como os circenses, tradicionalmente acusados de raptar crianças e aliciar jovens das comunidades visitadas. Esse é um fenômeno sociológico histórico que um decreto judicial jamais poderá modificar.

De todo modo, talvez se pudesse recomendar enriquecer o verbete com uma melhor ressalva sobre as razões da antiga discriminação verbal, para não a propagar para as futuras gerações – mas jamais o exagero de negar a história, proibir edições e fazer “faxinas” lexicográficas.

Mais grave ainda foi a tentativa recente de censurar obra de Monteiro Lobato, por parte do Governo Federal, em virtude dos impropérios racistas contra a personagem Tia Nastácia, lançados pela boneca Emília, um tipo doidivanas de ante-heroína que nunca diz coisa com coisa.

Nesse caso, a grande insensatez da censura a Lobato reside no fato de que a intenção dele era exatamente criticar o racismo, num tempo em que os negros eram muito mal avaliados. Ele não podia fazer isso colocando uma negra culta e rica no Brasil rural de então, porque soaria falso, mas dotando a cozinheira negra do sítio de grande dignidade humana, sabedoria inata, inteligência emocional. E ele fez isso. A idiota boneca de pano, que a própria Nastácia confeccionou, é o seu antípoda moral.

sexta-feira, 2 de março de 2012

MARCIANO LOPES SOFRE PEQUENO ACIDENTE

Ontem, 1º de março, o jornalista veterano, antiquário e famoso escritor memorialista cearense Marciano Lopes passou mal e caiu na via pública, em avenida da Aldeota, ferindo a cabeça sem maior gravidade.

Por sorte o ferimento foi superficial, pois a chamada “queda da própria altura” é uma das causas mais freqüência de lesões graves em pessoas idosas – e o nosso Marciano declarou aos socorristas que já atingiu os 90 anos.

Esse número pode não se confirmar, pois no momento da anamnésia o jornalista ainda estava desorientado. Todavia, Marciano Lopes tem realmente idade muito avançada, de modo que se torna arriscado para ele andar sozinho pela cidade.

Uma equipe do SAMU, chamada por funcionários da revenda de automóveis usados do Grupo Ventura, que socorreram o jornalista, chegou muito rápido ao local, e prestou um atendimento exemplar ao autor de Royal Briard.

Louve-se o atendimento prestimoso e competente do médico Denis Colares, chefe da equipe, que aplicou os primeiros socorros, checou a pressão arterial e a glicemia do paciente, examinou o ferimento e convocou a ambulância, a qual também não demorou.

A foto que registra a ocorrência está propositadamente desfocada, em respeito ao Marciano, que sempre foi avesso a divulgar sua imagem, mesmo por ocasião dos concorridos lançamentos de seus livros de memórias. A ACLJ faz votos de pronta recuperação e de vida longa ao insigne jornalista.

quinta-feira, 1 de março de 2012

SESSÃO DA SAUDADE PARA IVONETE MAIA

Hino Nacional

Cumprindo a tradição acadêmica, realizou-se neste último 29 de fevereiro, no auditório da ACI, a Sessão da Saudade em memória de Ivonete Maia, falecida no dia 14 de fevereiro passado, titular da Cadeira de nº 2 da ACLJ, cujo Patrono é o insigne Perboyre e Silva. O mestre de cerimônia foi o jornalista Fernando Dantas, Membro Efetivo Titular da Academia.


Acadêmicos com a família
de Perboyre e Silva
Familiares e amigos da acadêmica falecida, bem como do patrono de sua cadeira, compareceram à solenidade, prestigiada pelos confrades que com ela tinham mais afinidade.



Mesa diretiva
A mesa diretiva foi composta pelo Presidente Rui Martinho Rodrigues, o Secretário da Cultura, representando S.Exa. o Governador do Estado, a presidente em exercício da ACI, Emília Augusta, a Professora Adísia Sá e o jornalista Vicente Alencar, presidente eleito da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

Fala de Vicente Alencar


Fala de Djalma Pinto
Usaram da palavra Vicente Alencar, representando as demais academias literárias cearenses, os acadêmicos Djalma Pinto e Reginaldo Vasconcelos, e por fim a Professora Adísia Sá, maior amiga de Ivonete Maia. 
Fala de Reginaldo Vasconcelos

Fala de Adísia Sá
Ao final, cumprindo norma regimental, o Presidente da ACLJ declarou vaga a Cadeira de nº 2 da entidade, para que a partir de então se inicie o processo de eleição de um novo acadêmico para essa titularidade.

Banda Militar
A solenidade teve início com a primorosa função da Banda de Música do Corpo de Bombeiros Militar, e foi encerrada com  homenagem póstuma musical do coral Vozes de Outono, composto por senhoras, sob a regência do Maestro Poty, que é Membro Honorário da ACLJ.


Coral Vozes de Outono

Final da Solenidade

domingo, 26 de fevereiro de 2012

TENDA ÁRABE

Esposas em seu recinto próprio na Tenda Árabe

Os diretores da ACLJ se reúnem informalmente todo mês para discutir os destinos da entidade lítero-jornalística. O cenário preferido para essas reuniões é o local privado, discreto e intimista, que o grupo denomina “Tenda Árabe”, no bairro da Aldeota.

Adriano, Rui, Dorian, Altino, Reginaldo

Após as deliberações administrativas os acadêmicos recebem convidados para trocar idéias, dizer poesias, discutir literatura, ouvir músicas e fazer experiências gastronômicas.

Neste sábado, 25 de fevereiro, o tema central do encontro foi a organização da Sessão da Saudade, em memória da acadêmica Ivonete Maia, que ocorrerá na próxima quarta, dia 29, no auditório da ACI.

O engenheiro Emanuel Costa, o médico Antônio Ellery Arcoverde Diniz e o russo Dmytri Sidorenko, intérprete oficial da Embaixada do Brasil na Rússia, em breve Cônsul Honorário do nosso país em São Petersburgo – esses os convidados da noite.

O objeto de degustação foi a culinária italiana, a vodka russa e a cerveja belga, bebidas de especial qualidade, oferecidas aos acadêmicos pelos próprios convidados. 

Dmytri, Rui, Arcoverde, Emanoel, Paulo, Altino, Adriano

sábado, 18 de fevereiro de 2012

NOTA ACADÊMICA

Embora a ACLJ tenha sido convidada pela Crônica Carnavalesca Cearense para acompanhar em carro aberto o séquito do Rei Momo, com uma representação de seus membros jornalistas, na primeira noite do desfile oficial das agremiações carnavalesca no carnaval de Fortaleza, patrocinado pela Secretaria de Cultura da PMF, bem assim tenha sido a ACLJ distinguida pela Diretoria do Náutico Atlético Cearense para ocupar uma mesa especialmente a ela reservada nos bailes que o clube promoverá durante o tríduo momesco deste ano, a Instituição teve que declinar dos honrosos convites referidos, aos quais já acedera, tendo em vista o estado de luto em que se encontra, pelo passamento repentino da acadêmica Ivonete Maia.    

O POVO DESTACA OS MENINOS DE AÇO

Finalmente a mídia cearense divulga – repercutindo jornais do mundo todo – a vitória dos dois estudantes cearenses em concurso internacional de engenharia metalúrgica, que aconteceu em Bruxelas, na Bélgica, no último dia 08 de fevereiro, conforme este Blog anunciou. 

Abaixo, reprodução  da 1ª página do Jornal O Povo de hoje, 18 de fevereiro, com chamada da matéria sobre o certame vencido por Helilton Lima e Fernando Viana, alunos do Curso de Engenharia da UFC.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Academia em luto pelo óbito da confreira Ivonete Maia


ACADÊMICO

Foto: Diário do Nordeste
Faleceu ontem, dia 14 de fevereiro, aos 73 anos de idade, a jornalista e professora Ivonete Maia, presidente da Associação Cearense de Imprensa, titular e fundadora emérita da Cadeira de nº 2 da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. 

Ivonete manteve sua doença em segredo até os últimos dias, e mesmo assim não foi revelado o verdadeiro grau em que a doença se encontrava, de modo que a sua morte surpreendeu a quase todos. Todavia, como a acadêmica não chegou a sofrer a degradação física que o câncer sempre causa, pode-se inferir que seu organismo não tenha resistido aos rigores do inevitável tratamento.

Seguindo a tradição acadêmica, a ACLJ deverá se reunir para a Sessão da Saudade em memória de Ivonete Maia no próximo dia 29 de fevereiro, em que a confreira receberá homenagens póstumas de seus pares, iniciando com a palavra o acadêmico decano.

Em seguida, pelo Presidente Rui Martinho Rodrigues, será declarada vaga a Cadeira de nº 2 da entidade, cujo patrono perpétuo é o jornalista Perboyre e Silva, abrindo-se a fase de candidatura e eleição do novo titular.     

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CRÂNIOS DE AÇO - GENIALIDADE CEARENSE


Estranhamente, a mídia do Ceará não registrou que dois jovens universitários cearenses acabam de obter um prêmio internacional na área de Engenharia Metalúrgica, em Bruxelas, na Bélgica, no último dia 8 de fevereiro.

Os alunos do Curso de Engenharia da UFC concorreram com estudantes do mundo todo, inclusive chineses, indianos e coreanos, que eram favoritos isolados, por sua notória disposição para estudar. Mas os nossos meninos os superaram de virada.

O concurso – Etapa Mundial do 6º Virtual Steelmaking Challenge – consistia em produzir presencialmente a melhor formulação industrial para a obtenção de aço, com a melhor relação custo benefício, em terminais eletrônicos instalados em torno de uma grande bancada quadrangular.

Ao centro, André Gerdau Johannpeter e nas pontas engenheiros da Gerdau
vencedores na categoria profissional
Os cálculos eram avaliados pelo computador, em tempo real, e os resultados lançados em um grande telão, com a imediata indicação dos vencedores.

Aliás, a notícia consta de matérias pagas pela Companhia Siderúrgica do Pecém, em meia página dos jornais de grande circulação de Fortaleza. A CSP parabeniza a equipe pelo feito, mas a imprensa não repercutiu como deveria.

Os vencedores são Helilton Lima e Fernando Viana, os quais, tendo vencido a Etapa Latino Americana do concurso em Fortaleza em 15 de novembro de 2011, fizeram questão de conduzir consigo à Bruxelas para a etapa final toda a sua equipe de estudos, complementada por Rômulo Souza, Thiago Menezes, Necy Alves e Mateus Paulino, exigência que a organização do concurso concedeu.

Veja o vídeo no link abaixo


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CARNAVAL DA SAUDADE E BAILE DO HAVAÍ

O Carnaval da Saudade, única festa pré-carnavalesca promovida pelo Náutico Atlético Cearense, é o mais tradicional evento anual da cidade, seguida de perto pelo Baile do Havaí, no Iate Clube de Fortaleza.

A festa do Iate é mais marinha, mais intimista, mais sensual, mais caribenha, mais mediterrânea, mais aventureira, mais permissiva, como o clima de um cruzeiro marítimo partindo do Havaí e seguindo pelos mares dos trópicos, por morenas latitudes.

A festa do Náutico é mais praiana, britânica, pomposa, aristocrática, a partir da arquitetura que recua com jardins e gradis robustos para exibir o portal iluminado, a escadaria, as colunatas, entre as quais se revelam ante-salas espelhadas, amplos salões palacianos e longos corredores sobranceiros, abertos ao vento mas guarnecidos por telhados elegantes.

No Baile do Havaí há juventude e amavios, há fantasias mais ricamente elaboradas na forma e mais sumárias nas medidas. Yoopys, gerações pós-baby-boomers, ambiente de jovialidade que se irradia e comunica aos mais maduros, bem adequada a casais novos, a casamentos renovados, a novos ricos, enfim, em qualquer sentido, a tradição reverenciando a novidade.

No Carnaval da Saudade, como o título trai, a tradição é soberana. É o reino das famílias mais antigas, dos empresários veteranos que acenam aos concorrentes, dos políticos formais que cumprimentam com sentimento olímpico os seus adversários nas urnas, dos profissionais medalhões que se encontram – não raro duas, três gerações de uma mesma família em cada mesa.

ACLJ NO CARNAVAL DA SAUDADE
O Iate Clube não fará seu baile deste ano. O espírito de Peter Pan que vive em nós lamenta e chora. O Náutico fez, com o brilho de sempre, pois a única crítica que se poderia fazer seria sobre o público numeroso que lotou a festa – o que não pode ser visto como defeito quando o espaço físico é tão extenso, e o comportamento dos convivas foi impecável. Há de se reclamar apenas de lacunas imperdoáveis, pela ausência de alguns habitues tradicionais.
 
   

IVONETE MAIA - UM SINÔNIMO DE DIGNIDADE

A confreira Ivonete Maia, jornalista veterana, professora, primeira mulher a presidir sindicato de jornalistas no Brasil, atual presidente da Associação Cearense de Imprensa, emérita titular da cadeira de nº 2 da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, concedeu uma longa e comovente entrevista ao Jornal O Povo, edição de sexta-feira, 10 de fevereiro.

Ivonete convalesce de um câncer no esôfago, já devidamente debelado, todavia ainda alvo de terapia química para prevenir sua recidiva, conforme o protocolo médico de praxe. Mas a história da doença que enfrentou e está vencendo com galhardia se torna um detalhe banal para quem a ouve falar de sua vida de sucessos.

De tudo que se lê na matéria de O Povo sobre Ivonete, por Ivonete, ressuma em síntese uma palavra que desafia sinonímia – DIGNIDADE – a qual rutila nas entrelinhas de sua narrativa biográfica, em que não fala de grandezas, e, até pelo contrário, confessa entre risos alguns dos santos pecadilhos do passado, dos quais, acredita, os sustos da doença a redimiram.

Os que fazemos a ACLJ, ao tempo em que parabenizamos O Povo pela belíssima entrevista com Ivonete Maia, nos solidarizamos com a nossa companheira de Academia nesse seu momento de apuros médicos, já quase superados. Ivonete Maia foi uma das primeiras personalidades a apoiar nossa entidade, que de pronto aceitou integrar, e fez questão de acolher na sede da associação que ela preside, a veneranda ACI.  Ave Ivonete!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

FAUSTO NILO NO VISÃO POLÍTICA




Evaldo Gouveia
Até os anos 60 não havia muitos cearenses nacionalmente projetados na área da música, além do confrade Evaldo Gouveia, compondo canções românticas de grande sucesso, em pareceria com o capixaba Jair Amorim, geralmente na voz de Altemar Dutra, e Humberto Teixeira, letrista regular do pernambucano Luiz Gonzaga. Ninguém bastante identificado com o Estado do Ceará que fanatizasse as multidões.



Então surgiu no cenário nacional um grupo de jovens compositores e intérpretes oriundos de Fortaleza, que a mídia rotulou de “Pessoal do Ceará”, aproveitando a expressão usada por eles como subtítulo do primeiro disco que publicaram, intitulado “Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo Gasto na Viagem”.












O termo “pessoal”, largamente utilizado por aqueles rapazes e moças cearenses, como por toda a população do nosso Estado, causava estranheza aos sudestinos de então, que ainda preferem referir “às pessoas”, ou aplicar o coletivo “galera”, conforme consignado no livro virtual “Dialeto Cearense”, do confrade Reginaldo Vasconcelos, que se pode acessar em link inserido neste Blog. A palavra “pessoal” é usual no Brasil inteiro como adjetivo, na acepção de “próprio”, “individual”, “particular”.  

Naquele grupo de jovens artistas cearenses se inseria o intelectual Fausto Nilo Costa Júnior, letrista primoroso, hoje com mais de 400 composições musicais, feitas em parceria com mais de 100 compositores do Brasil inteiro, muitas delas celebrizadas na voz dos mais renomados cantores do país, em cerca de 500 gravações. Ele está completando 40 anos como compositor profissional.

Mas Fausto Nilo, que é Membro Honorário da ACLJ, também é arquiteto e urbanista de grande talento e prestígio, e nessa condição tem feito grandes intervenções nos principais logradouros de Fortaleza, como a Praça do Ferreira, a Ponte dos Ingleses, o Mercado São Sebastião e o Centro Cultural Dragão do Mar, alguns desses projetos em parceria com colegas arquitetos.




























Neste momento em que a cidade reclama soluções para a chamada “mobilidade urbana”, tendo em vista estar Fortaleza incluída entre as sedes do próximo campeonato mundial de futebol, e já estar instalado verdadeiro caos no tráfego local de veículos, Fausto Nilo foi convidado pela produção do Programa Visão Política, pela FGF TV, Canal 14 da NET, para dar sua opinião abalizada sobre o tema, na edição que vai ao ar na próxima semana.
Os debatedores Rui Matinho Rodrigues e Djalma Pinto, com  o convidado
Fausto Nilo, durante a gravação



Esta será a última edição do Programa Visão Política sob a interinidade do confrade Reginaldo Vasconcelos, tendo em vista que na semana seguinte reassumirá suas funções o seu produtor e apresentador titular, o jornalista e sociólogo Arnaldo Santos, que chefia a equipe de debatedores do programa e que se ausentou do Brasil por quatro meses para um curso de especialização em Nova Iorque.  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PIONEIRISMO PEDAGÓGICO

Acessando o blog “Leitura e Contexto” leio interessante crônica recentemente postada pela bibliotecária Ana Luíza Chaves, e descubro que a sua mãe, a confreira Concita Farias, ocupante da Cadeira nº 7 da ACLJ, poetisa refinada, manteve escola de ensino fundamental em Fortaleza por mais de vinte anos.

“Nessa época,  o Maternal era objeto apenas das escolinhas menores, os colégios maiores não ofertavam vaga nesse sentido, e somente depois, já nos fins dos anos 80, descobririam esse nicho de mercado.”

E ainda a revelação de que seu estabelecimento de ensino, inaugurado em 1971, era absolutamente alternativo para a época nos seus métodos pedagógicos, e que foi pioneiro em grande parte do que se aplica hoje em todas as creches, escolas maternais e jardins da infância, confirmando o acerto do que então ela fazia.

“O Cogumelo (...) destacava-se pela forma diferente de tratar e ensinar as crianças, sempre utilizando a arte como recurso lúdico, para atingir o fim didático e pedagógico. Poesia, música, parlendas, desenhos, dança, expressão corporal, dramatização, recreação, teatro de fantoches, recorte e colagem, contação de história, tudo era instrumento de aprendizado para a vida, e também para se chegar ao conhecimento formal, aquele que era exigido para a classe posterior, a Alfabetização.”

Não significa que lhe tenham todos copiado, posto que isso possa ter acontecido aqui e ali, de modo pontual, mas indica que Concita Farias antecipou, por sábia intuição, metodologia original, que outros só descobririam anos à frente.   

"Parquinho? Tinha sim, mas, todo projetado artesanalmente e artisticamente (a arquitetura e a pedagogia se uniam em corpo e alma), visando explorar a coordenação viso-motora – ladeiras e degraus, para subir e descer; pontes, para passar e se equilibrar; pneus coloridos (aqui cabe ressaltar o pioneirismo absoluto), para fazer caminho de obstáculos; anéis de cacimba, para servir de casinha e abrigo; areia, muita areia de praia, para brincar e se sujar. E as mães perguntavam: Tem parquinho? Eram mostrados esses brinquedos, e elas se admiravam pela excentricidade.”


O Brasil ainda precisa entender que educação de qualidade é a chave para se reduzirem as desigualdades, a criminalidade, o desemprego, a fome, bem como para se produzirem profissionais de alto nível, que ajudem a promover a evolução tecnológica e econômica do País. E tudo começa no ensino básico. Pelo que se vê Concita Farias há muito tempo sabe disso.

(Vide: www.leituraecontexto.blogspot.com)