QUEM VEM LÁ?
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Rui Martinho Rodrigues*
Marina Silva é candidata. Pretende participar
do certame para a escolha de quem chefiará o Poder Executivo. Olhando para ela, o eleitor pergunta: quem vem lá? Decompondo a pergunta compósita em indagações
simples, temos, em primeiro lugar, uma mulher não-branca. Isso rende votos? No
prélio eleitoral de 2014 não lhe trouxe eleitores.

A candidata tem partido? A pergunta parece
despropositada, mas, diante de tantas siglas virtuais, a indagação faz sentido. O
partido dela é a Rede, agremiação pequena. Já nos deparamos com o problema da
governabilidade sem base congressual. Tem mais: a Rede não exibe o nome de
partido, embora seja, pelo menos formalmente, exatamente isso. Será por
orientação de “marqueteiros”? Como reagirá o eleitorado sedento de renovação,
em face de uma candidata que enfatiza mais as técnicas de publicidade e
propaganda do que a realidade?
Qual a trajetória política de Marina? Tanto
tempo na política, qual é o seu histórico? Quais os seus pronunciamentos? O que
disse sobre os escândalos durante todos esses anos? Sobre o desequilíbrio das
contas públicas? Sobre as tão esperadas reformas tributária, previdenciária e
administrativa? O que diz da matriz energética? Qual a sua tolerância para com
hidrelétricas? Marina Silva é renomada como ambientalista. Precisaria explicar
os limites que pretenderá impor não só a energia hidráulica, mas também
atividades de mineração, principalmente em certas regiões, assim como a pecuária e o
agronegócio em geral.

Agora a situação mudou. A presunção de
superioridade moral naufragou na tempestade dos escândalos. A suposta
superioridades das teorias de intelectuais prestigiosos ruiu, diante do desastre
econômico, que deu lugar ao estouro da bolha de consumo, com o consequente
agravamento da situação dos pobres.
Não basta a Marina ter sido “esquerda” muitos anos. Isso pode até afastar uma parte do eleitorado. Ademais, a candidata rompeu com o lulopetismo. Religião política não perdoa os apóstatas. Ela poderá perder os votos de quem até então sufragava o seu nome.
Não basta a Marina ter sido “esquerda” muitos anos. Isso pode até afastar uma parte do eleitorado. Ademais, a candidata rompeu com o lulopetismo. Religião política não perdoa os apóstatas. Ela poderá perder os votos de quem até então sufragava o seu nome.
Quem vem lá? Ex-petista, silenciosa ou omissa
quanto a reformas e escândalos, sem uma bagagem de contribuições, após tantos
anos de vida pública. Eis a resposta.
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