segunda-feira, 1 de maio de 2017

CRÔNICA - A Boa Esfinge (RV)


A BOA ESFINGE
Reginaldo Vasconcelos*


Morreu Belchior; ficou o mistério. Permanece o enigma. Morando na mesma cidade por duas décadas, frequentando as mesmas ruas e os mesmos bares, só vi Belchior presencialmente uma única vez.

Fortaleza, anos 90. Eu vinha chegando de carro e ele estava em pé na penumbra da noite, fumando o seu cachimbo, a mala no chão, o casaco no braço, toalha nos ombros, no final da subida que dá acesso ao terminal de passageiros, aguardando sozinho alguém que o viesse apanhar no aeroporto. Certamente se escondia do assédio dos fãs.

Mas a pessoa do Belchior não interessava, porque para mim ele não tinha glamour nem história. Era apenas um senhor latino-americano, tabagista degustativo como eu. Nunca passou disso. “Não me sigam, porque eu também estou perdido. Ou façam, ou descubram o próprio caminho” – disse ele, já artista consagrado, mas ainda pouco resolvido.


Paulo Limaverde conta que o Belchior saía do Iate Clube na madrugada, com ele e com Wilson Ibiapina, preocupado em proteger o violão, porque chovia. Tomaram um taxi, e ali dentro do automóvel nasceram os primeiros trinados da sua cantiga “Paralelas”. Paulo insiste; Ibiapina não lembra, entre as tantas passagens de sua juventude com o “Pessoal do Ceará”, do qual fazia parte surdamente.  

Aliás, parece que Belchior nunca se encontrou, que tudo era pequeno para si, que tudo era menor do que ele esperava que fosse – do hábito monacal ao jaleco hipocrático – ambos caminhos que ele buscou e abandonou. Nada o contentava. Por fim, a proposital insolvência civil, o autoexílio, a anulação profissional.     

Imenso mesmo, descomunal de fato, absurdamente denso, de valor impagável, de beleza inefável, de memória indelével, é o patrimônio lírico que ele produziu e entregou à sociedade.

A música de Belchior me embalou a juventude, sucedendo ao Taiguara. Evoca amigos que já seguiram para o Éden; traz de volta, por sinestesia perfumosa, evanescentes namoradas do passado – e reforça o vínculo eterno com as atuais, que me acompanham desde lá.

Dá sentido a memórias preciosas de farras de rum, de penúrias antigas, do primeiro emprego, do primeiro artigo publicado, da primeira casa de casado, mobiliada unicamente com tatames. A música de Belchior me dá saudades de mim mesmo – em paráfrase Guilherme-netiana. 

Até mais, boa esfinge. Muito grato pela obra, que me coloriu a mocidade.



COMENTÁRIO:

Reginaldo, essa citação do Paulo Limaverde, que você fez na crônica sobre o Belchior, me fez lembrar os anos 60 quando o grupo de novos artistas cearenses surgia.

Trabalhando na TV Ceará, tentava fazer a cabeça do João Ramos, da Neide Maia, do Guilherme Neto e do Augusto Borges para que programassem suas apresentações, todos meus amigos. O João Ramos dizia “seus cabeludos estão chegando”. Era aos sábados, no programa que o Gonzaga Vasconcelos apresentava à tarde, que o pessoal do Ceará começou a aparecer.

Quando o Gonzaga resolveu retornar ao Rio, o Augusto Borges me fez substituto dele na edição do telejornal Crasa e entregou ao Belchior o comando do programa musical. Com a competência que Deus lhe deu, caro Reginaldo, sua crônica mostra que Belchior foi mesmo imenso.

Um de seus projetos inacabados é um livro que escrevia à mão, em caligrafia gótica. Trata-se da Divina Comédia, de Dante Alighieri que ele traduziu. Pediu minha ajuda junto à Embaixada Italiana  para editá-lo.  Como sumiu, não pude ajudá-lo.   No final da vida, Belchior protagonizou uma história de amor e decadência. Em matéria na revista Época, Marcelo Bortoloti escreveu sobre a "Divina Tragédia de Belchior".

Belchior trilhou vários caminhos. Assim como Fagner, ele pintava quadros.  Como você lembra na crônica, parecia que nada o contentava, e então partiu para autoexílio, para a anulação. Para nós, que conhecíamos Belchior de perto, fica a certeza de que ele nunca vai morrer.

Para seu parceiro Raimundo Fagner, Belchior está mais vivo do que nunca “pois não faltará quem queira descobrir sua obra”. Na entrevista que deu ao Fantástico, ele revelou que queria voltar para sua terra. Não imaginava que seria assim.

Veja abaixo a homenagem que Chico Anysio prestou ao Belchior, no programa do Rolando Boldrin, com o homenageado na plateia.


Wilson Ibiapina


domingo, 30 de abril de 2017

MENSAGEM PÓSTUMA - Remissão (KK)


REMISSÃO
Karla Karenina*


Segue, Belchior! Tuas dívidas expiaram. De minha parte, saldadas! Muitas canções ainda haverão de ser cantadas, muitas dívidas ainda haverão de ser pagas... 

Todos contraímos dívidas. Tu pagaste as tuas, mesmo sem saberes, antes mesmo de algumas terem sido contraídas.Pagaste-as com tuas magistrais composições. 

Ah! A arte! Tem o poder de imortalizar e até de pagar dívidas, que seriam eternas. Também tenho as minhas! E tento, da minha forma, honrá-las.

As mais caras são aquelas que nos doem na alma. A essas me dedico diariamente para quitá-las, com meu perdão a mim mesma. A única forma que conheço de não acumular e de viver no inferno da consciência pesada.

Vá em paz! Deixaste um legado à arte e ao teu povo que é maior que qualquer valor monetário ou realização material. Fica comigo agora uma "Joia de Jade", obra tua e minha, ainda inacabada.


Joia de Jade é o nome do CD gravado por mim e produzido pelo Belchior (1996), que nunca foi lançado, em razão do "sumiço" do compositor, desde 1999.


Infelizmente o citado produtor se foi devendo aos cofres do Estado do Ceará a soma de quarenta mil reais, através do FEC, pela produção e lançamento do CD



sábado, 29 de abril de 2017

ARTIGO - MANIFESTAÇÃO E DISTÚRBIO (RMR)


MANIFESTAÇÃO E DISTÚRBIO
Rui Martinho Rodrigues*


A greve geral de 28 de abril próximo passado começou como uma legítima convocação para uma iniciativa lícita. O direito de greve está previsto no nosso ordenamento jurídico. A motivação partidária, proclamada pelos promotores de evento com a maior desenvoltura, já não é matéria pacifica no mundo jurídico. Os dias atuais, embora sejam marcados por grande intolerância em certos assuntos, são extremamente complacentes quando se trate de algumas situações. Greves de motivação partidária são toleradas na prática.

O uso da força para interromper vias públicas; intimidar a população que não segue as palavras de ordem partidárias; incêndio de ônibus; depredação de lojas; apedrejamento e lançamento rojões contra policiais, tudo feito sob os olhos da nação, ao vivo pela televisão. A tática é provocar o uso da força pela polícia para se colocar como vítima, com a cumplicidade de vozes havidas como respeitáveis.

Alegam as ditas vozes que é legítimo interromper o trânsito e forçar a paralisação de serviços públicos essenciais, a despeito da vedação constitucional à solução de continuidade em tais serviços. Argumentam ser necessário o impacto para que as reivindicações sejam ouvidas. Legitimariam assim os crimes de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do Código Penal). Impedir o direito de ir e vir da população é contrapor um interesse corporativo e um direito controverso ao direito líquido e certo de ir e vir da população.

É cediço que o direito de alguém encontra limite no direito de outrem. É contrário ao monopólio do uso da força pelo Estado que particulares usem de violência com o objetivo de paralisar serviços públicos, interromper vias públicas, vandalizar as cidades e submeter a população aos interesses corporativos e partidários. É paradoxal que os defensores do gigantismo Estatal usurpem o mais legítimo dos monopólios do Estado: o uso da violência. O Leviatã perdeu o monopólio da força? É a guerra de todos contra todos, de Thomas Hobbes? É a anomia?

A democracia é ferida.


CRÔNICA - A Igreja do Demônio (RV)


A IGREJA DO DEMÔNIO
Reginaldo Vasconcelos*



O que se verificou no Brasil no dia de ontem, 28 de abril, foi a mais abjeta manifestação de cretinice, patrocinada pelos insatisfeitos com as reformas em curso no Congresso, que vão acabar com a contribuição sindical, obrigatória para o trabalhador, passando a ser opcional, o que com certeza vai reduzir drasticamente a receita das esquerdas sindicais.

A virtude dessa medida não está na economia que ela vá ocasionar aos empregados, os quais têm o valor correspondente a um dia de salário por ano legalmente confiscado para o respectivo sindicato. Não. A despeito de ser obrigatória, o que não é republicano nem democrático, essa contribuição, de fato, não “mata” ninguém, como diz o populacho.  

A grande justiça dessa alteração normativa entrevista na reforma trabalhista está no fato de que essas verbas, que, pelo efeito da escala, representam milhões, terminam sendo manipuladas por ativistas políticos, que não as destinam ao benefício dos seus provedores compulsórios, mas as empregam nos chamados “movimentos sociais”, que na verdade são focos de diversionismo ideológico, não raro ilegais e violentos.

Restou enfim evidenciado que as esquerdas em geral, e que o movimento sindical que com elas é imbrincado, nada têm a ver com democracia, embora conste de suas bandeiras e de seus métodos o uso desse “santo nome em vão”. Sob o manto licencioso de estarem decretando uma “greve”, uma excrescência jurídica legalmente tolerada, na verdade promoveram piquetes e quebra-quebras pelas ruas do País.

Ora, greves e lockouts (este último proibido no Brasil), não passam de um tipo de chantagem, quando, no primeiro caso, os empregados paralisam o trabalho para impor sua vontade ao empregador, levando prejuízo à organização que os contrata e alimenta, e, no segundo caso, a empresa fecha as portas e suspende salários para punir os empregados.

Entretanto, no caso, nem houve greve, pois as paralisações foram impostas por desocupados que tomaram as ruas para praticar vandalismo, interromper vias, atrapalhar a circulação de transportes coletivos, ameaçando e intimidando os trabalhadores em geral, patrões e empregados. Uma ação diabólica. Uma vergonha para a pretensa república brasileira com o seu canhestro entendimento de democracia e ordem pública.

A propósito, Machado de Assis tem um pequeno conto denominado “A Igreja do Demônio”, em que o grande escritor imagina que satã tem a ideia de criar a sua própria igreja, e vai comunicar a Deus sua decisão de se tornar seu concorrente no pastoreio das almas.

Pontua o capiroto que os fiéis da igreja de Deus, mesmo vestidos com o veludo da virtude, como nos trajes das mais ricas rainhas, entretanto trazem a fraqueza moral nas suas franjas de algodão, por onde pretende seduzi-los.  

Deus o escuta, desdenha, e como certamente o Senhor é “politicamente correto”, não manda escorraçar imediatamente belzebu de sua presença, mas faz com que os serafins encham “o Céu com a harmonia do seu canto”, para incomodar o impertinente, que enfim ficou sem o chão nefelibático e voltou à Terra como um raio.

O que se vê na prática é que também nesse caso a vida imita a arte, e vice-versa, porque a ficção se realiza de fato, pois evidentemente o “negócio” do demônio prosperou.

Machado descreve de como lúcifer, sem negar quem era,  convenceu pessoas honestas de que a virtude está no mal. Usando dos mais inteligentes sofismas, dos mais francos paralogismos, explorando o egoísmo humano para lhes justificar a perfídia e a vilania, e dando a esses vícios os melhores ares de grandeza, fez-se acreditar, afinal, por um grande número de sequazes.

Mas, ao final da sua história, conta Machado que o capeta queixou-se depois a Deus que os seus perversos prosélitos assumiram a maldade como predicado, e que portanto se vestiam com a mais reles estopa de algodão moral, mas que alguns deles mantinham agora franjas da seda virtuosa nos seus trajes, fazendo bondades aqui e ali, a que o Supremo Arquiteto do Universo respondeu-lhe:

Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana”.

E foi por essas nobres e insuspeitadas franjas de seda, que indefectivelmente se insinuam sobre os panos da improbidade, que a estrige Dilma Rousseff sancionou a lei da delação premiada, que viria a fazer implodir a sua paróquia,  porque o mal por si só se destrói; foi por essas mesmas franjas bonançosas que o tinhoso Eduardo Cunha deu seguimento ao pedido de impeachment contra ela, beneficiando assim as forças divinas que protegem os brasileiros.

Por fim, foi também por essas mesmas franjas benignas que rebrilham sob o pálio da maldade que o mefistofélico Michel Temer tomou a peito a tarefa benfazeja de promover as reformas profundas e necessárias que salvarão o nosso País – mesmo com sangue, suor e lágrimas.

Resta o demoníaco Renan Calheiros, com sua capa de trapos que tem franjas andrajosas, o qual, juntamente com o seu pior acólito, Roberto Requião, tenta ameaçar as legiões angélicas e as pretorias do bem que muito justamente o perseguem, encaminhando um projeto de lei contra a mais legítima autoridade. Mas Deus é grande. Deus é maior.





COMENTÁRIO:

Essa crônica sobre os distúrbios de ontem é uma página literária. O autor recorre ao nosso melhor escriba, Machado de Assis, para fazer uma análise das mais felizes.

A linguagem alegórica é a mais rica forma de comunicação. Cristo falava por parábolas. O simbolismo de que se serviu o cronista é dos mais expressivos. As contradições da política, a torpeza do jogo de poder da vida pública e os rumos surpreendentes da História, tudo foi posto no pequeno espaço.

Herois-macunaímicos e macunaímas involuntariamente heróis, que acabam por contribuir para o interesse social, tudo foi apresentado com clareza meridiana, sem as tecnicalidades que podem afastar considerável parcela do público.

Rui Martinho Rodrigues

sexta-feira, 28 de abril de 2017

NOTA ACADÊMICA - Assembleia Aniversária


ASSEMBLEIA ANIVERSÁRIA
CONVOCAÇÃO GERAL

Na noite do próximo dia 04 de maio a ACLJ se reunirá no Palácio da Luz, a partir das 19:30h, em Assembleia Geral Aniversária, quando será comemorado o sexto aniversário da entidade.



Para marcar da data, durante a solenidade serão descerrados os retratos, pintados a óleo, dos jornalistas Jáder de Carvalho e Dorian Sampaio, para a Galeria Pictórica dos Patronos Perpétuos da ACLJ.

Jáder Moreira de Carvalho, falecido em 1985, era advogado, jornalista e militante de esquerda, detentor do título de 3ª Príncipe dos Poetas Cearenses, outorgado pela Academia Cearense de Letras, da qual fazia parte.

Ele é Patrono da Cadeira de nº 1 da ACLJ, cujo Titular Fundador é o professor, jornalista, advogado, ex-senador da República, Cid Saboia do Carvalho, que descerrará o seu retrato.


Dorian Sampaio Xavier era odontólogo, gráfico, jornalista, também militante de esquerda, deputado cassado pela ditadura militar nos anos 80.  

É Patrono da Cadeira de nº 23, fundada pelo seu primogênito Dorian Sampaio Filho, que por seu turno fará o descerramento do retrato paterno.


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Tendo em vista a crise em que se precipitava a vida brasileira em dezembro passado, a Decúria Diretiva da ACLJ decretou “ano sabático” para 2017, como a tripulação náutica que recolhe o velame quando no horizonte se prenuncia a tempestade.

O ano sabático remete a uma tradição judaica, em que um período é reservado à introspecção, não ao repouso, em analogia ao shabat, o sétimo dia da semana, que, segundo o Torá, o livro sagrado dos judeus, deveria ser guardado para o repouso da terra, que não seria amanhada a cada sábado.

Desbordando da sua origem étnica e religiosa, o ano sabático é hoje aplicado no mundo corporativo, quando uma empresa ou instituição concede um período, de no máximo um ano e no mínimo seis meses, para que um executivo se afaste do trabalho, e volte psiquicamente renovado – ou ela mesma suspende as atividades com o mesmo objetivo.

Contudo, não obstante a borrasca política e a ressaca moral que o País vive, a tormenta econômica tem sido moderada, com inflação baixa, juros caindo e expectativa de melhoras. Então se deliberou pela realização de três Assembleias Gerais, em meses avançados deste ano.

A primeira, em 04 de maio, para comemorar o aniversário de seis anos da entidade; a segunda, a 8 de junho, para dar posse ao empresário Edson Queiroz Neto na dignidade de Membro Benemérito; e a terceira em data do final do ano a ser  marcada, como já é tradicional.

Dessa maneira se atendeu ainda ao inconformismo do Dr. Lúcio Alcântara, ex-senador da República, ex-governador do Estado, nosso 4º Membro Benemérito, que de Portugal onde estava em viagem nos recomendou expressamente: “Nada de ano sabático!”.



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Fica assim convocado todo o corpo titular da ACLJ, e de resto convidados os demais integrantes do colégio acadêmico, comendatários e amigos da entidade, a se fazerem presentes à solenidade da próxima quinta-feira, prestigiando os Patronos que serão homenageados e reforçando os vínculos institucionais com a confraria.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

ARTIGO - Professor Régis Kennedy


PROFESSOR RÉGIS KENNEDY
Vianney Mesquita*


Só há poesia no desejo do impossível ou na dor do irreparável. (Charles-Marie LECONTE DE LISLE. *Saint-Paul, 22.10.1818; Voisins-le-Bretonneux, 17.07.1894).



Este amigo e colega do magistério é natural de Pacoti, município vizinho da minha Palmácia. Conheci-o na U.F.C., ainda quando estudante de Letras daquela instituição, onde se graduou e pós-graduou. Procede de uma família muito fina e educada e é um grande apreciador de Literatura, Música e Cultura como um todo, bem como ocorre com seus irmãos Plauto Jackson e Adyrson Byron – ambos músicos e compositores  (os outros, que são muitos, não conheço).

Professor de Língua Portuguesa e do idioma Inglês, trabalha duro em dois contratos que mantém com as redes estadual e municipal (Ceará e Fortaleza), porém ainda lhe sobra tempo para o exercício das atividades do espírito (e do espirituoso, também), em especial, na escrita, pois detentor de excepcional texto.

Casado com Dona Rejane Carvalho Cruz, o casal têm dois filhos – Rafaella, psicóloga clínica, pesquisadora e articulista de temas vinculados à Ciência de Carl Gustav Jung, atuante na UFC, e em consultório particular; e Lucas Vinícius, ainda garoto, acerca de quem me reportei em matéria publicada neste jornal eletrônico no dia 18 de maio de 2014, indicando seu nome como verso decassilábico perfeito – Lucas Vinicius de Carvalho Cruz – tal como é dodecassílabo exato o crédito do poeta Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac.

Em 2 de fevereiro de 2004 – há um pouco mais de doze anos, portanto – dediquei-lhe estas estrofes, também com a eiva de não rimar os versos dos quartetos,  falha apontada, a instâncias minhas, pelo Prof. Dr. Rafael Sânzio de Azevedo,  da qual me cumpre redimir.


S O N E T O

No clerical mister de professor,
Em que te descometes da missão,
Pareces debulhar uma oração,
A fim de que se ilustrem teus pupilos.

Assim, ao dirigir-se ao Criador
– Contrito, piedoso e genuflexo –
Um companheiro teu queda perplexo,
Pois defeso enxergar quaisquer vacilos.

Se Régis és porque de reis derivas,
Também maravilhas teus convivas,
Porque és modelo, personagem sã.

Notar muito me apraz tua postura,
Teus procederes de intenções mais puras
Como o aljôfar nevado da manhã...



ARTIGO - Cegueira e Tática (RMR)


CEGUEIRA E TÁTICA
Rui Martinho Rodrigues*



O petrolão potencializou a irracionalidade na política. A chamada cegueira dos paradigmas impossibilita a compreensão do óbvio. Pressupostos e convicções impedem a percepção e a compreensão. Todos vivenciamos isso entre amigos e até entre familiares. Galileu não conseguiu explicar sua teoria aos intelectuais do seu tempo. Outro fenômeno é a negação, por conveniência, da realidade. Na política temos ambas as coisas: compreensão bloqueada pelos pressupostos equivocados, de um lado; conveniência, de outro. O momento é pródigo nas duas coisas.

A compreensão é bloqueada pelos pressupostos segundo os quais a História tem como motor o conflito e a ética é guiada por finalidades, justificando meios abjetos. O ceticismo epistemológico afasta a verdade. A atitude quixotesca de quem defende dulcineias e ataca moinhos de vento é vista como superioridade moral e intelectual. Montado em teorias que são verdadeiros pangarés, o Macunaíma se apresenta como sábio e virtuoso.

O autoengano e o engano do eleitor são cegueira e tática. A falácia ad hominem se insinua neste espaço. “Nós e eles” afasta o exame do mérito da argumentação. É o maniqueísmo manifesto. A dicotomia de uma análise política de dois sacos – direita e esquerda – potencializa o engano próprio e o do outro. Basta dizer: isso é argumento “deles”, não “dos nossos”. E os nossos são “do bem”. Os outros são “do mal”. Flagrados fazendo o mal, são “justificados” pelos fins, ou negam a realidade.

A ética teleológica e a lógica do conflito levam à morte da razão e à maldade. O líder passa a ser ídolo. Daí o culto à personalidade nos partidos com espírito de seita. A torpeza do líder é negada, ou causa choque, quando não é justificada. Só não leva ao reconhecimento da realidade. Foi assim com Stalin. É assim com Lula Odebrecht da Silva. Só a rapacidade do outro é denunciada com indignação real ou fingida.

Interesses menores, paixão, irracionalidade e ilusões políticas são destrutivos.




RESENHA - Programa Dimensão Total (23.04.17)


PROGRAMA
DIMENSÃO TOTAL
23.04.17




Dimensão Total é um programa radiofônico semanal de debates, do Jornalista Ronald Machado, pela Rádio Assunção de Fortaleza, na sintonia AM 620 ou pela Web, aos domingos, entre 10 e 12 horas,  tendo como assistente de estúdio o radialista e produtor executivo Alexandre Maia.



A edição deste domingo do Programa Dimensão Total, apresentado pelo titular Ronald Machado, contou com a presença dos debatedores Cid Carvalho, Cesar Bertozi, Roberto Pires, Fábio Timbó, Carlos Alberto Alencar, Antônio Mourão, Reginaldo Vasconcelos e Jeová Mendes, tendo como convidado especial o colunista social veterano, José Rangel.

Foram discutidas a conjuntura política atual, as últimas delações de executivos da Odebrecht e os atos de vandalismo ocorridos no Ceará nos últimos dias, com a queima de ônibus e de veículos do Serviço Público, comandados por líderes do crime organizado.





domingo, 23 de abril de 2017