sexta-feira, 30 de junho de 2023

ARTIGO - Deus Seja Louvado - Divisa nas Cédulas Brasileiras (VM)

 De Retorno a um Velho Tema
DEUS SEJA LOUVADO
DIVISA NAS CÉDULAS BRASILEIRAS
Vianney Mesquita*

                                               

Suprime a Deus e terás a noite dentro da alma. [Alphonses Marie Louis de Prat LAMARTINE. 1790-1869].


Nas nossas vigílias reflexivas ocorrentes de modo sistemático, conforme sucede com a maioria das pessoas, conduzimos a memória à conjuntura glosada à sequência, assunto já bem distante do tempo ora percorrido, eximindo-nos totalmente de nos louvar em quaisquer conformações políticas, tampouco em aproximações ideológicas e, ainda, postado como republicano afeito à Constituição, respeitoso aos demais credos em curso, sejam mono ou politeístas. 

Como exemplo da inscrição  em francês no brasão da Família Real Britânica – Dieu et mon Droit, bem como no assentamento nos papéis-moeda de dólar estadunidense – In God we Trust, veio o então Presidente José Sarney solicitar ao Banco Central do Brasil que incluísse na parte inferior esquerda de todas as notas de cruzado (1986) a insígnia Deus Seja Louvado. 

Orientado por doutrinas teístas de outros Estados leigos, o Chefe do Executivo nacional, o pinheirense (MA) José Sarney de Araújo Costa, de crença católica e imortal da Academia Brasileira de Letras, certamente, pensara nas diversas controvérsias que a decisão acarretaria, em decorrência de a Nação Brasileira constituir um Ente Estatal leigo. 

Em consequência de não conformar, entretanto, a oportunidade de descender a pormenores acerca dos tentames de remoção da ideia – incluindo moções jurídicas e propostas parlamentares, que demandaram extensos períodos, algumas das quais ainda hoje têm curso – a dicção SOB O PODER DE DEUS, distinguida no preâmbulo da Carta Maior do País, desterra de nacionais e entes dos poderes montesquieuanos da República, há compridos 37 anos, os propósitos de remover das notas de real em voga o louvamento a Deus – Trindade Santa. 

Esta ideação de Deus Pai, Filho e Espírito Santo – sabem as pessoas mais devotadas ao enredo do desenvolvimento humano – está de acordo com as certezas eclesiásticas, assentes, irremovivelmente, entre outras, nos Credos de Niceia e de Santo Atanásio, dos quais, sob o prisma histórico da Igreja, divergiu Ário de Alexandria, configurando uma heresia, daí por que é conhecido como o heresiarca de maior relevo, conforme o são Donato Magno e Paulo de Samósia. 

Atente-se para o argumento de que, consoante os laicistas em todo o Mundo, as desconcordâncias de confissões não se fazem representadas por uma unidade de ideias que privilegia apenas as religiões monoteístas, conforme a dicção proposta pelo Presidente-Senador-Deputado-Governador, Escritor de O Dono do Mar, Norte das Águas e Saraminda, pretexto a nos conduzir de retorno às reflexões iniciadas neste segmento. 

Providência salutar, já no bem distanciado 1986, chegou exatamente num instante necessário ao cultivo das coisas espirituais. Sobreveio numa ocasião em que a permissividade se escudava na sombra malentendida da democracia, quando a imoralidade e a amoralidade embasavam as consciências nascentes e plasmavam defeituosamente os caracteres. 

A reminiscência de Deus, quase esquecido no burburinho da faina diária, ainda hoje, nos acorda para a transcendência, com vistas à vida definitiva, transportando-nos a atualizar ambas as colunas da contabilidade de cada qual para o lance em que se efetivar o derradeiro encontro de contas. 

Para a maioria das pessoas, que costumamos exagerar no personalismo, Deus é uma espécie de INSS-INAMPS espirituais, de Sistema Único de Saúde - SUS celestemente transato, previdência privada, Agência Nacional de Saúde Suplementar da alma. 

Com efeito, de Deus, com a máxima recorrência, somente se recorda sob a dor, apenas se O invoca no perigo e embaixo da tribulação. Exclusivamente na agonia, se faz Seu chamamento. Mesmo assim, pretensiosamente, como se todos, a tempo e a hora, tivéssemos o merecimento da Sua audição. Não se Lhe pede proteção preventiva. Tampouco se Lhe agradece por nada! Sua evocação depende da conveniência de cada qual, numa circunstância de veemente aperto. 

Ele encontra-se, também e principalmente, na alegria, saúde, lazer, no regaço das famílias e das amizades – altivo, humano, horizontal a nós, transparência e onipresença. É realidade, empírica quanto científica. 

Jean-Paul Sartre, celebrado mestre do existencialismo heideggeriano, possuiu grandes momentos de Sua Luz, Lhe admitindo crédito, e Albert Einstein manifestou publicamente a sua ideia que tenho de Deus. 

Seja Ele louvado! Não exclusivamente pelo dístico nas cédulas do nosso dinheiro, representativas da axiologia pecuniária humana. Não só na ocasião do transe, no contato iminente com a foice da morte. 

Uma vez expressa, pois, a divisa nos títulos de nosso papel-moeda, à vista constante de todos os monoteístas de curta memória, que Deus retorne à nossa perseverante evocação, por intermédio da ideação do poeta José Sarney – extensão de Deus, conforme somos nós e toda a Humanidade, gerada, criada e pretendida como Sua imagem e semelhança.

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