sexta-feira, 22 de setembro de 2017

NOTA JORNALÍSTICA - Centenário do Dr. Carlos Studart


CENTENÁRIO
DO
DR. CARLOS STUDART


A família Studart prestou hoje (22.09.2017) uma comovente homenagem póstuma ao médico Carlos Alberto Studart Gomes, comemorando o centenário de seu nascimento.



A solenidade vespertina teve lugar no belo anfiteatro campal dominado por um grande busto fundido em bronze do Dr. Carlos Studart, localizado no bosque de eucaliptos do hospital que tem o nome do homenageado, o antigo Sanatório de Messejana.



Aquele hospital foi dirigido pelo Dr. Carlos desde o início da década de 60, que lá residia com a família, por muitos anos, transformando aquele velho nosocômio, então destinado a tratar tuberculosos, em uma casa de saúde moderna e bem equipada, com leitos de pneumologia e de cardiologia.
  
O Governador Lúcio Alcântara, que também é médico, no apagar das luzes de sua  gestão, entre seus últimos atos, determinou que o Sanatório de Messejana passasse a se denominar oficialmente Hospital Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em reconhecimento do valoroso trabalho realizado por ele naquela unidade estadual de saúde. 

A cerimônia, singela e elegante, organizada para um público selecionado de parentes, profissionais de saúde e amigos da família, foi aberta com o discurso do Dr. Frederico Augusto Lima e Silva, atual Diretor-Geral do hospital.



Falaram em seguida o empresário Beto Studart, primogênito do Dr. Carlos, e o cardiologista Flávio Studart, o filho caçula, o qual comoveu a todos relatando o falecimento de seu pai, que ele assistiu até o fim.


Falaram também o Secretário de Saúde do Estado do Ceará, Henrique Javi, e o pneumologista Gilmário Teixeira, de 97 anos de idade, contemporâneo do Dr. Carlos Studart na administração do antigo Sanatório de Messejana. Na sequência, a família Studart e a Diretoria do Hospital agraciaram colaboradores da casa com a entrega de uma placa.

Beto Studart, atual Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará,  é Membro Benemérito da ACLJ, que lhe concedeu o título de Homem do Ano em 2016,  enquanto o seu saudoso pai, o Dr. Carlos Studart, está entre os Patronos Perpétuos da ACLJ, que estava representada na solenidade pelo advogado e jornalista Reginaldo Vasconcelos e pelo engenheiro Humberto Ellery. 

Acesse o link abaixo para assistir ao discurso de Beto Studart  


CRÔNICA - Karla, Dita e Meirinha com Fátima Bernardes (RV0


KARLA, DITA E MEIRINHA
COM FÁTIMA BERNARDES
Reginaldo Vasconcelos*



A confreira Karla Karenina participou da edição desta quinta-feira (22.09.17) do programa Encontro Com Fátima Bernardes, em que se criticou a decisão judicial que reconheceu aos psicólogos o direito de tratar o sofrimento psíquico de homossexuais.

No programa, o circo estava montado para praticar uma condenação, não um julgamento. As bruxas já estavam julgadas e a fogueira da inquisição estava ardendo. 

Não havia espaço para que um convidado pudesse fazer qualquer contraponto – embora uma psicóloga presente o tenha feito – ainda que discretamente.  

Ora, homossexuais têm todo o direito de procurar tratamento médico para as suas angústias íntimas, assim como os psicólogos não podem ser obrigados a negar atenção profissional aos homossexuais que os procurem, até porque eles incorreriam em omissão de socorro.

Estranhamente, em nome de uma tal “ideologia de  gênero”, os adeptos do politicamente correto, que deveriam defender as liberdades civis, sob o dístico “é proibido proibir”, querem interferir no direito alheio de recorrer à ciência médica, e de praticar a ciência médica.

Quem for homossexual e se sinta feliz, que o seja, mas não queira defender que somente nessa condição sexual resida a felicidade plena. 

É preciso entender que pode haver homossexuais infelizes, portanto doentes, do ponto de vista psicológico. É preciso considerar que, até para melhor se aceitar como tal, um homossexual pode desejar ser ouvido e tratado por um especialista na matéria.

Foi assim que entendeu o Juiz Federal Waldemar Cláudio de Carvalho, que concedeu a liminar, sem denunciar nenhum grau de discriminação e preconceito, e sem temer as patrulhas fascistóides entrincheiradas na internet, que a grande mídia repercute.

Mas a participação de Karla Karenina no programa era principalmente para falar de sua personagem na novela A Força do Querer, atualmente no ar pela Rede Globo, em que ela vive a Dita, fiel escudeira de uma dondoca, adicta do jogo de azar, mas que não admite o vício.


Na entrevista, Karla deu uma canja de sua personagem Meirinha, que ela encarnava na Escolinha do Professor Raimundo, do saudoso Chico Anysio. A nossa KK é sempre brilhante.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CRÔNICA - Os Quadro Dês (HE)


OS QUATRO DÊS
Humberto Ellery*


A posse ontem da Procuradora-Geral da República, Dra. Raquel Dodge foi plena de sinais positivos. Se palavras podem significar alguma coisa, seu discurso de posse foi irretocável. Depois dos desmandos e atropelos às Leis perpetrados por seu antecessor, foi com alívio ouvi-la dizer que “os valores que defenderemos e que definirão nossas ações estão na Constituição (...) o respeito à Lei e às instituições, observância do devido processo legal e responsabilidade. São os atributos da Cidadania”.

A não citação da Operação Lava-Jato foi emblemática, significa dizer que ela percebe um Ministério Público muito maior que uma operação de combate à corrupção, por importante que seja. Sua atuação por certo vai mostrar ao País a verdadeira dimensão do MP, que tem sido relegado a um “samba de uma nota só”.

Os que a conhecem dizem ser a Dra. Raquel uma pessoa Dura nas suas exigências, Destemida na persecução aos criminosos, Determinada em seus objetivos, e, por ser uma pessoa polida, educada, é muito Delicada no trato com as pessoas. São quatro dês, que combinam bem com seu sobrenome Dodge.

Já o Sr. Rodrigo Janot não tem atributos que eu admire. A começar por sua intolerável arrogância, sua postura de quem está rempli de soi-même, seu linguajar debochado, incompatível com uma autoridade que deveria estar, isso sim, num jardim de infância brincando de índio com seus bambus e suas flechas. 

Seu descompromisso com valores da nossa Constituição, como a presunção de inocência, o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa. Sua total irresponsabilidade com o sigilo judiciário, promovendo vazamentos seletivos com objetivos espúrios. Seu descaso para com uma investigação criteriosa a partir das delações (pois para isso é que existem), elevando delações e ilações ao patamar de provas. Sua desfaçatez em mover um Processo contra o Presidente da República e depois admitir cinicamente que não tem provas.

Além dessa imagem pública, fátua, para mim totalmente negativa, pesam contra ele episódios mal explicados, como o diálogo do Ex-Presidente Lula com o Advogado Sigmaringa Seixas, quando o boquirroto, naquele seu típico linguajar de mictório de cabaré, referindo-se ao então Procurador-Geral afirma que “...esse cara, se fosse formal, não seria Procurador-Geral, teria tomado cajú, teria ficado em terceiro lugar”, numa claríssima confissão de que houve fraude na eleição entre os procuradores que o alçaram ao posto que ele não soube honrar.

Seu açodamento em vazar para o Lauro Jardim, da Rede Globo, noticia da delação do Joesley, afirmando conter “coisas gravíssimas” contra o presidente Temer (que depois se mostraram completamente ineptas), justamente no dia 17 de maio, quando todos sabíamos que estava marcado para o dia seguinte, o dia 18, a primeira votação da inadiável Reforma da Previdência, que por conta do escândalo fabricado foi cancelada, e até hoje estamos aguardando que o Congresso dê esse passo importantíssimo para o deslanchar da economia do País.

Se vocês se deram ao trabalho de ler sua denuncia contra o PT, viram com certeza esta pérola de redação, assassinando a “inculta e bela”: “...entre os anos 2002 e 2016 integraram e estruturaram uma Organização Criminosa com atuação durante o período em que Lula e Dilma sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos, em especial contra a Administração pública em geral”.

O “ilustre” Procurador certamente queria dizer exerceram a titularidade da Presidência da República, mas, para demonstrar uma erudição que não tem, numa ousadia que só os ignorantes possuem, inventou o verbo “titularizar”, que não existe no vernáculo.

Em suma, o Sr. Janot, pelos fatos expostos, também pode ser definido através de quatro dês: Despreparado, Debochado, Deletério e Desonesto.



terça-feira, 19 de setembro de 2017

PREFÁCIO - Estudos Qualitativos (VM)


ESTUDOS QUALITATIVOS
(Para a Área da Saúde - Livro no Prelo)
Vianney Mesquita*


Ó saúde, saúde! Bênção dos ricos! Riqueza dos pobres! Quem pode comprar-te por preço demasiadamente caro, se sem ti não há prazer neste mundo? (Benjamin Jonson, dramaturgo inglês).


Depreendemos ser de domínio do saber geral, porém não é nocivo relembrar, o fato de que, antes de instituído o SUS no Brasil, pela Lei número 8080, de 19 de setembro de 1990, o cuidado público em relação à saúde no País era atrasado, inteiramente obsoleto e quase exclusivamente empresarial.

Conforme a letra rica da História, excetuam-se, por exemplo, os atendimentos procedidos pelas Santas Casas de Misericórdia e outras instituições de caridade, quase sempre vinculadas a confissões religiosas, ao modo como se verificou com a saúde pública desde os começos da civilização em todo o Mundo, especialmente para as pessoas desprotegidas de recursos financeiros, mulheres, crianças, portadores de doenças mentais e outros pouco ou não favorecidos pela sorte.




De tal maneira, no Brasil, a “atenção à saúde” era, por assim dizer, inexistente, e só funcionava para aquelas pessoas com relação de emprego e carteira de trabalho assinada. Os hospitais, na sua maioria, eram particulares e mantinham vínculo comercial com o Poder Público, provavelmente, em pactos vantajosos para os primeiros, por intermédio dos então institutos de aposentadoria e pensão, muito depois substituídos pelo INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, instituído somente após a Nova Constituição, em 27 de junho de 1990, o qual tomara, bem antes, outros nomes e atribuições.

Sucedeu que, afortunadamente – embora em ocorrência bem tardia – foi promulgada a Constituição de 1988, marcante evento histórico a situar nossa Nação na lista de Estados democráticos e em desenvolvimento, modificando diametralmente, e para melhor, o status quo do País no concerto internacional e, muito particularmente, no âmbito dos seus limites internos, fato representativo da inauguração da segunda fase da nossa história, assinalada, pois, pela Carta Magna, há 29 anos em vigor.

De tal sorte, como saudável consequência deste sucesso sem igual para o enredo autêntico do Brasil, aconteceu, também, a criação do Sistema Único de Saúde – SUS, o qual, diferentemente das circunstâncias mencionadas há pouco, na conjunção das quatro unidades federadas – União, Estados, Distrito Federal e Municípios – trabalha a atenção global, universalizando-a desde o atendimento ambulatorial ao transplante de órgãos. O SUS opera obediente às diretrizes do Art. 198-CF, conformado a ampla legislação complementar e a inúmeros outros instrumentos normativos e – não demora lembrar – sob a medida das ideias de descentralização, atendimento integral e participação comunitária.

No mesmo rastro do atraso secular há instantes manifesto, evidentemente, inexistiam estudos mais espessos em configuração e teor, em especial, como os experimentos defendidos neste livro. Tal sucedia porque as universidades e institutos de estudos formais e investigação científica no plano da Saúde, pelo fato de pesquisarem muito pouco (expressamo-nos em termos de Brasil), não se atinham à necessidade de investigar, por exemplo, assuntos como os que configuram a coletânea de que ora cuidamos.

Realmente, em sua maior parte, os motivos demandados eram matérias substantivas das Ciências da Saúde, como, no terreno da Patologia, o estudo das doenças no contexto dos vários sub-ramos e ofícios funcionais dessa conjunção de conhecimentos ordenados, relações dos profissionais com pacientes e tantos outros temas desse repertório, estudados com maior profundez desde Hipócrates e Paracelso, sem pesquisar, certamente por descabido, a respeito de temáticas vinculadas à apropriação de métodos e técnicas de busca sob os pressupostos da Metodologia Científica, conforme os capítulos enfeixados nesta publicação, estudos absolutamente necessários na contextura atual de pesquisa.

No decurso desse tempo, principalmente após a comentada instituição do SUS, consequência direta da Constituição Cidadã, cresceu em proporções a produção de trabalhos acadêmicos no recinto das diversificadas taxionomias das Ciências da Saúde, considerando-se as ligações estreitas com outros ramos do disciplinamento científico, conforme acontece de ser com os estudos qualitativos, envolvendo teorias e meios de coletar informações para servir à causa adjetiva da percepção e propagação, por via do trabalho intelectual, de descobertas resultantes das investigações.

Muito nos contenta, pois, vir a público para certificar a qualidade e já atestar a certeza do alcance editorial de uma obra da dimensão desta, que o público especializado brasileiro, leitor e produtor na seara de estudos em Ciências da Saúde, tem a oportunidade de deparar e, após seu exame, contribuir com os acrescentamentos naturais em pesquisas que houver por bem realizar, em favor da evolução dos pensamentos aqui esboçados.

Decerto, pelo que este livro traz no concernente a entendimentos novos e bem meditados no que respeita ao modus operandi de produzir conhecimento no terreno da progressiva criação do saber ligado à Saúde no Brasil, vai o leitor-estudioso incorporar às suas produções os conceitos recém-alcançados e aqui reunidos, fazendo aportar ao repertório científico da área as compreensões mais recentes, transitadas pelo crivo da Metodologia própria deste largo ramo da literatura ordenada e atestadas pela exigente autoridade da Epistemologia.

Estudos Qualitativos – Enfoques Teóricos e Técnicas de Coleta de Informações – é um conjunto de dezoito capítulos, organizado pela Prof.a Dr.a Raimunda Magalhães da Silva e cols., abrigando ensaios de elevado valor informacional, da lavra de nada menos do que 61 autores nacionais e do Exterior (Espanha e Portugal), em sua maioria, vinculados ao ofício acadêmico, particularmente da seara do magistério superior e em programas de pós-graduação stricto sensu.




Todos os textos, sob providências editoriais das Edições UVA, de Sobral-CE, provêm de análises procedidas na contextura de instituições universitárias em atividades de pós-láurea, também de estreito sentido, de modo a nos alimentar a convicção de que esta seleta experimentará excelente recepção por parte dos consulentes afins ao seu sortimento em todos os quadrantes por onde circular.


CRÔNICA - Rachel Vive (RV)


RACHEL VIVE
Reginaldo Vasconcelos*


Escrevi uma crônica há algum tempo, tratando da tristeza “crônica” que nossa imensa Rachel de Queiroz sempre acusou. Viva, personagem histórica, passado glorioso, reconhecimento público absoluto, mas, não obstante tudo isso, sempre a dizer que morrer tanto faz, que não se incomodava se morresse.

Dentre outras tantas expressões de modéstia e desapego, Rachel fez pouco do seu romance de estréia, O Quinze, que de tão parco volume, não teria competência para ficar “em pé” sobre uma mesa. Seria para ela apenas um livrinho que escreveu e que a “persegue” desde então.

Elvis morreu, morreu Hitler lá pela Europa, Lampião aqui pelo sertão – talvez não exatamente quando e como se acredita. Inobstante tenha sempre havido alguma discórdia sobre isso, morreram sim. Consta que Jesus ressuscitou e subiu aos céus, mas morreu na Cruz; quanto a isso não há dúvida alguma.

Agora me dizem que morreu Rachel de Queiroz. Não sei. Não vi. Não quero acreditar. Ficarei como os suspicazes inimigos de Hitler, como os inconformados fãs de Elvis Presley, como os crentes que confirmam as escrituras, em que Jesus, embora morto, enviveceu. Para reforçar minha dúvida, vou percorrer os cemitérios cearenses, em Fortaleza, no Quixadá, onde certamente haveria alguma lápide com seu nome, fosse verídica a informação.  

E para desafiar a minha crença, vou ao Junco, à Não Me Deixes, verificar se Rachel não estaria por lá homiziada, fugindo da celebridade que sempre a incomodou. Perguntarei aos caboclos se não a terão visto nestes dias; observarei se ela não terá colhido flores, esta semana, nos canteiros da fazenda; examinarei se as cinzas do seu fogão a lenha não estariam ainda fumegantes. E ficarei muito aborrecido com ela se todas as evidências de que esteja viva se frustrarem.

Disseram que acordou na madrugada, chamou pela mãe e pelo pai, em doce delírio, e que de manhã havia seguido com eles. Se foi assim, bem-aventurada partida, “chave de ouro” para uma vida de venturas. De todo modo, não era esse o combinado: nós a queríamos imortal. Sempre rebelde, ela teria decidido que, mesmo imortal, não era imorrível. Não sei. Eu prefiro a dúvida.

Em 05.11.2003







NOTA DO EDITOR

A crônica acima foi escrita no dia seguinte à morte de Rachel de Queiroz, e foi publicada no livro O Passado Não Passa, do mesmo autor, em 2005.

Constituindo-se em um protesto irônico contra o sepultamento de Rachel de Queiroz no Rio de Janeiro, a oportunidade de sua republicação aqui no Blog se prende aos esforços atuais pelo traslado dos restos mortais do jurista cearense Clóvis Beviláqua e de sua mulher, a poetisa piauiense Amélia Carolina de Freitas Beviláqua, da antiga Capital da República, onde também repousam até hoje, para a cidade de Viçosa do Ceará, da qual ele é natural.

A campanha é encetada pela Academia de Direito de Sobral, de que o grande jurista é patrono, encampada pela Prefeitura de Viçosa, com o apoio de toda a comunidade local, contando ainda com a colaboração da família Miranda, a que pertence a nossa confreira Inês Mapurunga, e com o assentimento da família Beviláqua, hoje radicada no Rio de Janeiro, mas que considera importante preservar hígidas as suas raízes cearenses.

O Colégio de Presidentes das Entidades Culturais do Ceará (COPENCE), que tem como titular o Ministro Ubiratan Aguiar, atual bastonário da veneranda Academia Cearense de Letras, está sendo instado a apoiar essa campanha, que visa trazer para o Ceará os despojos do pai do Código Civil Brasileiro e de sua mulher, que jazerão para sempre no plinto da estátua de Clóvis Beviláqua, na praça homônima em Viçosa. Quem sabe, um dia traremos também Rachel de Queiroz para Fortaleza. 

      

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ARTIGO - Que os Mortos Enterrem os Mortos (RMR)


QUE OS MORTOS
ENTERREM OS MORTOS
Rui Martinho Rodrigues*



Que os mortos enterrem os mortos. Líderes e partidos morreram politicamente. O Congresso, o Poder Executivo e o Judiciário estão desacreditados, vivendo em estado comatoso. O Brasil precisa cuidar dos vivos. Perder tempo com os mortos transforma o País num velório. Mágoas, agressividade e antagonismo extremados fazem parte do luto. Cadáveres insepultos exalam mau cheiro. Os mortos vivos estão cooperando entre si para evitar o próprio enterro, mas, diante do público, os que se associaram, em passado recente, para praticar ilícitos, agora travam uma guerra de acusações e desmentidos.

Os brasileiros não devem cair no logro da operação diversionista dos zumbis. Precisamos olhar para a frente, reconstruir partidos, buscar novas lideranças, debater programas realistas, sem a influência da demagogia produzida pelos interesses corporativistas, paradigmas desmoralizados em razão dos fatos, mas acalentados por jovens rebeldes sem causa, por ressentidos explorados politicamente, por velhos intelectuais prisioneiros de paradigmas equivocados, e por carreiristas inescrupulosos.

Alimentar ilusões românticas e demagógicas que, como uma Torre de Babel, prometem nos levar para o céu, arruína a economia e incendeia os ânimos da sociedade. A sustentabilidade financeira das propostas, a definição das fontes de recursos a serem utilizados, o fim das mentiras chamadas de “contabilidade criativa”, a atração de investimentos e a produtividade devem ser as preocupações dos brasileiros. Não existe desfrute sem custos. Não existem direitos sem obrigações ou ônus. Não bastam leis para garantir o bem-estar. Normas jurídicas não geram meios materiais, não devem ser confundidas com viabilidade financeira e administrativa.

Não existe a possibilidade de ruptura radical com a realidade social. A túnica de Clio, a deusa História, não tem emendas, isto é, não existem descontinuidades históricas radicais. Nem partidos nem líderes messiânicos podem ser salvadores da pátria. Mentiras e ilusões podem vencer eleição, mas não podem resolver problemas materiais.

Não existe paraíso a ser desfrutado, bastando que o conquistemos pelas armas ou pela via eleitoral. Precisamos pensar como Churchill que, realisticamente, no começo da II GM, disse aos britânicos que não tinha vitória fácil, só oferecia um caminho de sangue suor e lágrimas. Não se resolverá o endividamento de todos os entes federativos, que cresce vegetativamente em ritmo acelerado; nem a falta de investimentos em serviços essenciais ou em investimentos econômicos; nem em segurança pública sem muito sacrifício. Não podemos depositar as nossas esperanças no aumento indefinido da carga tributária nem no endividamento. A soteriologia política secular é engano ou farsa.


Porto Alegre, 18 de setembro de 2017



sábado, 16 de setembro de 2017

CRÔNICA-POESIA - Cochilo Sagrado (VM)


Cochilo Sagrado*
Vianney Mesquita*


O sono é um mergulho na Eternidade. (Coelho Neto).

Onde Deus possui um templo, possuirá Satanás uma capela. (Robert Burton).


Desde 2005, quando fui acometido e operado de infarto agudo do miocárdio, amiudei o comportamento de praticar as caminhadas, ao andar (eu e minha Help), em uma hora, seis mil metros em três dias da semana, perfazendo, pois, hebdomadários dezoito e mensais setenta e dois quilômetros.

Antigamente, não havia tal costume, o qual se foi proporcionar após os estudos procedidos pelo educador físico estadunidense Kenneth Cooper, que, em 1968, publicou o livro Aeróbica, originando a ginástica aeróbica – atividade ocorrente apenas em lugares onde bem circula oxigênio – de começo dirigida às Forças Armadas dos EEUU, depois entornada pela maioria dos países do Ocidente e, hoje, com variações, praticada em todo o Globo.

O leito dos andantes, objeto primeiro dessas linhas, coincide com as calçadas do Lago do Jacareí, na Cidade dos Funcionários-Cambeba, aqui em Fortaleza, neste tempo do ano contendo mais lama do que água, pois os esgotos das vizinhanças afluem todos para lá, às vistas e narinas das autoridades que, aqui-acolá, andam por ali, mas somente no tempo de eleição.

A despeito dessa circunstância, é impossível não se reconhecer a beleza do lugar, cheio de marrecas, socós, galinhas-d’água, patos (como a Janaína e o Zé-de-Abreu) e muitas outras aves aquáticas, além de bem-te-vis, rolinhas, sabiás, campinas e outros tantos miúdos da orquestração matinal da Mãe-Natureza, de Arnold Toynbee.

Tão seco está, porém, que, como diz seu Maia, industrial (paraibano) que pratica essa conduta salutar revigorada dos anos 1970 em diante, os carás, quando passam uns pelos outros reclamam da poeira... O Lago, enfim, é muito mais sujo do que gravata de trocador e cordão de amarrar pato.

Essa caminhada é uma verdadeira aula de hilaridade com aqueles mais industriosos na graça pegando os mais tolos para Cristo. Nunca vi uma hora passar mais ligeiro! Não são pescadores, mas há uns dois ou três que mentem mais do que cachorro de acuar alma, em particular na pabulagem de riqueza. Parece que estou é vendo a cara deles, um dos quais porta um cacetinho para bater (matar!) em gato!

Quem disser besteira na frente do srs. Fernando, Custódio, Washington e alguns outros resta liquidado, pois a hora que eles fazem só tem intermitência até o outro dia, quando do início de outra sessão. Seu Sombra – que nunca termina de contar histórias do Reino Unido – sofre mais do que couro de pisar tabaco.

Dona Fátima, torcedora do Ceará, anda mais ligeiro do que as mãos do Gedel Dantas contando dinheiro “honesto”. Quando o Ceará perde, o que não é essa raridade toda, sofre mais do que caixão de figueiro dos anos 60, no tempo do FRIFOR! Ela só se conformou quando disseram que o Fortaleza, nosso Íbis, desceu para a quarta divisão (não está longe o leão capado), e, então, for desclassificado, vai para o Intermunicipal. – “Intermunicipal” não, – disse um interlocutor – ele vai é para o Intercolegial até se acabar ...” Enquanto isso, outro diz que [...] o Ferroviário é como sabonete – só tem nome no começo: ganha uma empata duas e perde o resto ....

O Damasceno apanha mais do que o cão para ir à Missa, com aquele andar mais errado do que joelho de galinha, mais desnorteado do que “avoo” de anum, quando disse, por exemplo, que “o cara tem mais de dez “domicídio”. Haja, Deus! O Sr. Raimundo, então, sempre mais por fora do que Coração de Jesus, apanha mais do que mala velha pra largar a poeira; dá um livro de quinhentas páginas em letra oito e espaço simples. Faço como o Ibrahim Sued: “depois eu conto”...

Agora foi o advogado Antônio Custódio Matos Neto, que passou de Cristo para Dimas, o bom ladrão, divisado pelo lusitano João Batista da Silva Leitão de ALMEIDA GARRET, n’O Mártir do Gólgota. Aliás, muitas pessoas pensam, equivocamente, que os nomes do Bom Ladrão e de Gestas, o outro, estão na Bíblia. Ele agora teve mais azar do que eu, quando encontro o engenheiro Miranda já na segunda volta. (Também experimentou sorte, entretanto, pois bom ladrão não vai para a Lava-Jato).

Ocorreu que, no Terço dos Homens, na nossa Paróquia da Gloria, realizado às terças-feiras, ele teve a desdita de ser flagrado pelos Drs. Washington e Mesquita (este o Padroeiro das Marrecas) cochilando já do quarto mistério e foi até o fim do terço: dormiu mais do que calango atrás de retrato de santo na parede; mais folgado do que pitomba em boca de banguelo.

Então, por que o sucesso ocorrera no dia 12 passado, terça-feira, já na quarta seguinte topei a risadaria por causa desse “escorrego sonífero-oracional.” Em razão de ele haver passado, no conjunto da negrada, de alfa para ômega, dediquei-lhe este soneto para amatar a sanha dos seus detratores cooperianos.



COCHILO SAGRADO


Rezar para o cristão é inexcusável,
Achega em oração ao cristológico,
Para obter a graça inestimável,
Privado de um pensar demonológico.

Dormir, a seu turno, é indispensável,
É um determinismo fisiológico,
Obrigatoriedade indescartável
Do natural sistema biológico.

Se de tal modo aconteceu na Igreja –
E por qualquer alegação que seja –
Quem reza e dorme, a um tempo, chega ao pódio.

De reza e sono – dupla benfazeja –
Ninguém, em lance algum, jamais se peja,
Por que motivo pejar-se o Custódio?
  




*Soneto composto para Antônio Custódio Matos Neto, que, pelo fato de estar muito cansado, pegou uma piaba durante o Terço dos Homens, na Igreja de N. S.ra. da Glória, em Fortaleza-CE, no dia 11 de setembro de 2017, terça-feira.