sábado, 7 de julho de 2012

A PEDAGOGIA DA PALAVRA

As palavras, e principalmente as expressões idiomáticas, nascem, vivem e envelhecem. Algumas vezes morrem, mas algumas delas duram muito, geralmente mudando de cara, de pronúncia, de sentido.

Ninguém sabe hoje, por exemplo, por que se diz “lavar a burra”, expressão de uso ancestral que ainda vigora e que corresponde a “se dar bem”, no moderno falar da juventude.

Pode ser referência ao baú em que os antigos guardavam o dinheiro, uma antiga versão do cofre, que se chamava “burra”; o verbo “lavar” pode estar aplicado no sentido de seu transbordamento.

Alguém defende ainda a tese mais fraca de que os novos ricos do passado, para ostentar a riqueza, lavavam suas alimárias com cerveja, ou seus cavalos de corrida com champanha. 

Assim, lavar a burra, inicialmente, referiria especificamente à fortuna financeira. Mas essa é ainda uma interpretação muito forçada.

Mais plausível pode ser uma alusão velada à zoofilia dos rapazes do passado, que, quando incumbidos de lavar as montarias fêmeas, tinham o “privilégio” de fazer uso erótico delas.

A zoofilia é algo muito tosco para os atuais civilizados, porém, mormente a equina, é prática corriqueira em milênios de evolução da humanidade – ainda em voga pelos cafundós deste Planeta.

Mas há exemplos recentes em que os termos perdem o sentido original quase que imediatamente, em virtude da vertiginosa evolução tecnológica. Há vinte anos se criou a expressão “queimar o filme”, com o sentido de estragar a imagem social de alguém. Fazia referencia ao “filme”, fotográfico ou cinegráfico, que o excesso de luz podia “queimar”.

As novas gerações não convivem mais com filmes para fotografar, nem para produzir vídeos, tudo hoje convergindo para os métodos eletrônicos. Aliás, os modernos aparatos digitais que fotografam e gravam vídeos, não são “câmaras”. Câmaras eram apenas as antigas máquinas, dotadas de uma caixa escura onde os filmes eram expostos às imagens selecionadas e admitidas pelo obturador da lente.

Os mais jovens também não sabem por que “cair a ficha” significa compreender uma mensagem ou um fato, completando, finalmente, as necessárias sinapses cerebrais.

Isso remonta ao tempo recente em que os telefones públicos funcionavam com fichas metálicas, que tilintavam dentro do aparelho quando as ligações se completavam.

Há uma famosa entrevista concedida pela cantora Elis Regina, gravada em vídeo, ainda em preto e branco, em que ela diz que ao chegar ao Rio de Janeiro “transava” com muitas pessoas do meio musical.

Quando essa gíria nasceu significava apenas relacionar-se socialmente, conviver, ter amizade. E foi nesse sentido que Elis Regina a empregou. Somente depois o termo “transar” substituiu a expressão eufêmica “fazer amor”, que apagaria a memória de seu primeiro uso. A expressão “fazer amor”, por seu turno, para designar o ato sexual, fora extraída do jargão hippie.

É inelutável que as línguas evoluam, ganhem acréscimos vocabulares, façam expurgos, alterem o sentido semântico das palavras. Mas é mister dos homens de letras fazer o link histórico entre o falar das gerações, para que as pessoas saibam exatamente o que dizem, e por que dizem, pois isso lhes enriquece a capacidade de dizer, e até de criar novos dizeres. Conhecer o passado é a melhor forma de contribuir para o futuro.

Seria ótimo que soubéssemos hoje com absoluta certeza a exata origem da expressão “lavar a burra”, acima especulada. Para isso seria necessário que alguém entre os antigos a tivesse notado e anotado, antes que sua geração passasse adiante o “bastão” vocabular, levando para o túmulo a sua peculiar explicação.

Por outro lado, se não se fizer o registro da evolução do termo transar, a memória de Elis Regina ficará distorcida para sempre naquele vídeo, pois sua gíria antiga pode fazer entender que ela praticava sexo com muita gente para galgar posição no mundo artístico.

Mas não só no que se refira a uso antigo, os usos atuais também devem ser analisados, para que a comunicação tenha um norte de clareza e coerência.

Por exemplo, quando se diz que uma coisa é “paia”, para lhe desqualificar, se está referindo à maconha de má qualidade, contendo “palha” na sua composição. Da mesma forma, quando alguém aplica o termo “viagem”, para falar de uma convicção equivocada, está referindo às alucinações produzidas pelo ácido lisérgico, droga conhecida como LSD.

Nos dois casos, sem o saber, o inocente falante estará recorrendo à gíria dos usuários de drogas ilícitas. Se for um abstêmio absoluto, um legalista ferrenho, um educador, enfim, um enérgico ativista contra as drogas, estará traindo seu caráter, ou a sua bandeira ideológica, ingressando por ignorância no universo verbal dos marginais.

Um último exemplo de mau emprego verbal: hoje em dia se tem visto, com grande frequência, notórios pacifistas referirem a alguém muito esforçado, que resistiu bem aos embates da vida, que superou dificuldades e progrediu, como um grande “guerreiro”.

Ora, nada mais impróprio do que evocar a guerra para significar o denodo e o progresso de um pacato cidadão. Guerra pressupõe ferocidade, agressão, morte, violência. E certamente não é essa imagem grotesca e sangrenta, inerente ao termo empregado, que se quer produzir... mas é exatamente ela que se termina produzindo.

Reginaldo  Vasconcelos

quarta-feira, 27 de junho de 2012

NOTA ADMINISTRATIVA 01/2012


Comunicado aos acadêmicos
Assembleia geral extraordinária


Os membros efetivos da ACLJ ficam convocados para Assembleia Geral Extraordinária, em que se dará a Sessão da Saudade em memória do acadêmico José Alves Fernandes, falecido em 17 de maio deste ano.

A solenidade está marcada para o dia 12 de julho de 2012, quinta-feira, às 20:00h, no auditório da Associação Cearense de Imprensa, na Rua Floriano Peixoto nº 735, Centro, Fortaleza-Ce.

Os membros honorários da ACLJ, bem como integrantes de outras academias literárias, assim também parentes e amigos do homenageado, estão convidados desde já. 

Na oportunidade o Presidente Rui Martinho Rodrigues declarará vaga a Cadeira de nº 39, patroneada pelo publicitário Tarcício Tavares, de que era titular fundador o acadêmico falecido.

Os acadêmicos Arnaldo Santos, Lindival de Freitas Júnior, Fernando Dantas e Fernando César Mesquita já formalizaram indicações de candidaturas à vaga acadêmica mortis causa do saudoso confrade Alves Fernandes.

Ao final da solenidade acima anunciada o Presidente receberá novas indicações, que eventualmente se queira formular. Se manterá sob reserva interna os nomes dos candidatos propostos, para não constranger, em futuro, os que não forem eleitos.


A DIRETORIA  

   

quinta-feira, 21 de junho de 2012

PRÊMIO EDUARDO CAMPOS DE LITERATURA - IDEAL CLUBE



O ideal Clube abriu inscrições para o seu tradicional concurso literário, já na sua décima quinta edição estadual, e na quarta edição em âmbito nacional, desta feita dedicado exclusivamente ao gênero CONTO.

Concorrerão nacionalmente livros de contos inéditos, em originais que tenham entre 80 e 120 páginas, e em nível estadual vão disputar contos inéditos isolados, de até seis laudas cada um, podendo cada concorrente inscrever três contos distintos.

A edição deste ano do Concurso Ideal Clube de Literatura recebeu o título de honra de PRÊMIO EDUARDO CAMPOS, merecida homenagem ao mais completo intelectual cearense contemporâneo, recentemente falecido.

Manuel Eduardo Pinheiro Campos, conhecido no meio radiofônico como “Manuelito Eduardo”, foi radialista, jornalista, poeta, escritor e dramaturgo. Fundou a televisão no Ceará como principal executivo local dos Diários Associados.

Eduardo Campos é Patrono Perpétuo da Cadeira de nº 20 da ACLJ, fundada pelo seu atual titular, Reginaldo Vasconcelos. Postamos abaixo uma crônica publicada pelo referido acadêmico, quando do seu falecimento.

†

MORRE EDUARDO CAMPOS: UM TOQUE DE SILÊNCIO

Foi sepultado na tarde desta quinta-feira, 20 de setembro (2007), o maior orador do Ceará, Manuel Eduardo Pinheiro Campos. Ou, “o último grande orador cearense”, como mais enfaticamente dizia Haroldo Serra, em programa transmitido pela Rádio Universitária, exatamente no momento em que o cortejo de parentes e amigos seguia o féretro em carreata.

Tenho a honra de poder me imiscuir em sua família, na veleidade de fintar um contraparentesco com ele, quando um certo lote de seus sobrinhos afins são meus sobrinhos legítimos, nessa trança em que ainda se enroscam todas as famílias mais antigas da cidade, ao deslindarmos a genealogia cearense como um todo.

Mas o que me fez intumescer os olhos e constranger a garganta ao receber a notícia, e de novo depois, diante do caixão, não foi esse pseudoparentesco que tenho o topete de querer ostentar.

Foi a amizade, foi a gratidão, foi a ternura que aquele homenzarrão me pôs na alma, a afabilidade com que me recebia, a magnanimidade com que acatava os meus apelos, a gentileza com que compareceu a todas as minhas noites de autógrafos para apresentar os trabalhos que fiz publicar.

“Esse Reginaldo é um louco!”, bradava ele do púlpito, com seu vozeirão afetuoso. “Mas um louco adorável!”, rebatia então, depois de provocar acessos de risos na plateia.  “Teima em fazer crônicas, que é um gênero menor, quando na verdade é um contista de mão cheia”. E falava mais, e falava muito, e fazia imagens, e lembrava gentes, sempre encantando a audiência como se fora um canoro pintagol.

No final, em refinada ironia, desculpava-se pela má oratória, “que hoje eu não estou com os meus duendes” – delicada modéstia de querer negar o estro e a verve que na verdade lhe sobravam.

Eduardo Campos teve a ventura de envelhecer, com o bônus da sabedoria e da vivência, sem contudo arrostar o maior ônus da velhice.  Era um homem belo, e não deixou de sê-lo com o avanço dos anos. A senectude não pode com ele. E jamais lhe faltaram o ânimo de tudo dizer com voz potente, que ainda no dia de sua morte os amigos que o visitavam constataram.

Mas lhe faltou no seu enterro a voz alheia, quando nenhum dos presentes àquele ato fúnebre fez uso da palavra, como merecia o ex-presidente e membro destacado de nossa Academia de Letras, fundador da Academia de Retórica. Eu, que fizera o corso até o campo santo e sacrificara o tempo de outro compromisso inadiável para ouvir discursos majestosos encontrei a frustração.

Além das exéquias nas palavras bíblicas do Pastor Elnir Cortez, só o silêncio. Políticos, jornalistas, intelectuais ali presentes quedaram-se mudos. Ainda bem que um bem-te-vi sobrevoou a campa e trinou numa árvore próxima, quebrando o silêncio triste, preenchido de prantos e soluços.

Reginaldo Vasconcelos

terça-feira, 19 de junho de 2012

SITE ARQUIVO NIREZ - VALE A PENA VISITAR

Foi lançado hoje, no Museu da Imagem e do Som do Ceará, o site Arquivo Nirez, através do qual se poderá ter acesso ao acervo do nosso confrade Miguel Ângelo de Azevedo, o pesquisador e museólogo Nirez, atual presidente do  MIS. Recomendamos acessar.
www.arquivonirez.com.br

domingo, 17 de junho de 2012

DESCOBRIR UM SANTO PARA COBRIR OUTRO

Foto: Jornal O Povo
Martinho Rodrigues foi um advogado e jornalista cearense do final do Século XIX, abolicionista e republicano, deputado na Assembleia Provincial do Ceará. Foi precursor do também jornalista e advogado Jader de Carvalho, que nasceu em Quixadá e viveu em Fortaleza no século seguinte, pois coincidiam nas suas profissões, na sua atividade e na sua coragem de enfrentar os poderosos. 
Jader de Carvalho

Com o advento da República, Martinho Rodrigues integrou a bancada cearense na Assembleia Nacional Constituinte de 1891 e em virtude da oposição que fazia ao oligarca Nogueira Acioly, que governou o Ceará com mão de ferro a partir de 1896, teve que sair da cidade, deixando o jornal denominado “O Rebote”, que ele fundara, sob o comando de seu sócio e sobrinho, Tibúrcio Rodrigues.

Martinho Rodrigues morreu em 1905, mas deixou aos descendentes o legado da sua inteligência e de sua bravura moral, os quais fizeram de seu antropônimo completo um honroso sobrenome. Quando do centenário de seu nascimento, em 1948, a edilidade fortalezense deu seu nome a uma rua do Bairro de Fátima, em merecida homenagem a esse personagem da história do Estado.
Maestro Mozart Brandão

Pois neste último dia 13 de maio os moradores da Rua Martinho Rodrigues despertaram com servidores da Prefeitura substituindo as placas do logradouro. A Câmara Municipal havia resolvido homenagear outro personagem cearense, o maestro Mozart Brandão, mais recentemente falecido, desfazendo a homenagem que a cidade fizera ao insigne jornalista, já há 64 anos.
Rui Martinho Rodrigues

A família Martinho Rodrigues, à qual pertence o Presidente desta ACLJ, indignada com esse ato de desapreço da Câmara Municipal de Fortaleza, já se mobiliza para tentar reverter tal injustiça – sem prejuízo de considerar que o nome do maestro Mozart Brandão de fato merece designar um logradouro público da cidade, quiçá ainda mais importante e destacado.

Transcrevemos abaixo matéria do Jornal o Povo sobre o tema, veiculada na edição de 03 de junho.


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JORNAL O POVO – 03 de Junho de 2012


Moradores querem anulação de novo nome de rua


Moradores da rua Martinho Rodrigues, no bairro de Fátima, preparam abaixo-assinado pedindo anulação do novo nome do logradouro, que passou a ser Maestro Mozart Brandão

FABIO LIMA


“A gente dormiu na rua Martinho Rodrigues e acordou na Maestro Mozart Brandão”, denuncia a moradora Maria Veronice de Carvalho. Ela se refere ao dia 13 de maio, quando os residentes da rua Martinho Rodrigues, no Bairro de Fátima, souberam pela placa na esquina que o nome do logradouro havia sido alterado para Maestro Mozart Brandão. Os moradores reclamam que não foram consultados e agora se mobilizam com assinaturas para pedir a anulação da mudança. 

A ideia da nova denominação partiu do então vereador - hoje deputado estadual - Paulo Facó (PTdoB). Em 23 de dezembro de 2009, Facó submeteu o projeto de decreto legislativo que sugeria a mudança no nome da rua para a aprovação do presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, à época, vereador Salmito Filho (atual PSB). O ex-petista promulgou a alteração em 7 de abril do ano seguinte.
Apenas no último dia 13 de maio, porém, os moradores descobriram. E por acaso. A aposentada Piedade Macêdo, 84, conta que soube da mudança pelo técnico que iria consertar o freezer. “O rapaz disse que caminhou, caminhou, procurou e não achou a rua. Quando a gente foi abrir a porta da casa para ele, depois que nos encontrou, foi quando a gente descobriu a mudança. A minha filha disse a ele: ‘Essa placa não estava aí. Só se botaram ontem à noite’. Isso não foi nem comunicado”, critica Piedade, moradora da Martinho Rodrigues há 48 anos.
“Não fomos convocados para audiência pública e ninguém foi consultado”, queixa-se Veronice, moradora e síndica do condomínio Esplanada do Sol. Ela diz que a mudança é fruto de interesse privado e não de interesse público. A filha do maestro homenageado, falecido em 2006, Lúcia Brandão, é vizinha de prédio de Veronice, também na antiga Martinho Rodrigues. Procurada pelo O POVO, ela não foi encontrada.
O POVO teve acesso ao processo que tramitou na Câmara nos últimos três anos. Em anexo, estava a carta de Lúcia Brandão, encaminhada ao então vereador Paulo Facó, solicitando homenagens ao pai. Na justificativa para o projeto de decreto, Facó defendia que o maestro Mozart Brandão merecia homenagens. “Pelos motivos expostos, nada mais justo que denominar a rua Martinho Rodrigues, que não possui denominação oficial (...) de Rua Maestro Mozart Brandão”, revela o documento.

O atual deputado Paulo Facó foi procurado e confessou não saber qual era o nome da rua antes da mudança. “Estou em dúvida. Se não me engano, a rua na época era outro nome”. Dados da Secretaria da Infraestrutura de Fortaleza (Seinf) indicam que a rua, hoje batizada de Maestro Mozart Brandão, não possuía denominação oficial.
A informação foi confirmada pelo consultor técnico do departamento legislativo da Câmara Municipal, Carlos Alberto. “Só posso alterar uma coisa que já existe. Foi a população que colocou o nome (na rua). Oficialmente, para os órgãos públicos, essa rua não existe”, revelou. Enquanto isso, os moradores garantem que não vão desistir da luta. “Vamos até as últimas consequências para que não se consolide. Até à Justiça, se for preciso”, garantiu Veronice.

sábado, 2 de junho de 2012

ROSEMBERG CARIRY NO CINE CEARÁ

Wolney Oliveira - Diretor do Cine Ceará
Foto: Eliomar de Lima


Rosemberg Cariry
O cineasta Rosemberg Cariry, Membro Efetivo Titular da ACLJ, participará do 22º Cine Ceará, festival de cinema anualmente promovido por Wolney Oliveira, com um documentário por ele produzido sobre o repentista cearense Aderaldo Ferreita de Araújo, conhecido como “Cego Aderaldo” (1878-1967).

Cego Aderaldo
O filme de Rosemberg, denominado “Cego Aderaldo - O Cantador e o Mito”, será exibido hors concours, portanto não participará do concurso que o referido festival iberoamericano de cinema promove, nas categorias curta e longa metragem.

A exibição ocorrerá no Teatro José de Alencar, no domingo, dia 03 de junho, às 21:00h, com entrada franca.


KARLA KARENINA NA HOMENAGEM A CHICO ANYSIO



O IV Festival Nacional de Humor, iniciado na noite da última quinta-feiora (31.05), prossegue até este sábado, em Maranguape (Região Metropolitana de Fortaleza), com a primeira montagem da “Escolinha do Professor Raimundo” após a morte de Chico Anysio.
Foto: Felipe Abud
 André Lucas, filho do humorista, emocionado, se caracterizou e interpretou pela primeira vez, nessa noite de quinta-feira, o “Amado Mestre” para uma plateia de seis mil pessoas na Praça Capistrano de Abreu.


No elenco, a poetisa e atriz Karla Karenina, confreira da ACLJ, no papel de Meirinha, personagem cômico que ela lançou nacionalmente sob os auspícios do mestre Chico Anysio. O filho dele, Nizo Neto, e outros atores que fizeram parte do programa humorístico, também participaram da montagem.



Malga Di Paula, viúva de Chico Anysio, recebeu na abertura do festival o troféu que leva o nome do humorista. Foi entregue pelo prefeito George Valentim. Na oportunidade Malga cantou, em homenagem ao falecido marido. Participaram da solenidade o Secretário da Cultura do Estado, Francisco Pinheiro, além de outras autoridades.

Fonte: Nuclik.net 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

ACLJ NO FESTIVAL DA CANÇÃO



Foi um sucesso o I Festival de Música da Assembleia, que terminou sábado último, 26 de maio. Na finalíssima do concurso disputaram os votos do juri as doze  melhores composições selecionadas nas eliminatórias, tendo obtido o primeiro lugar Aparecida Silvino, com a canção “Janela Aberta”, que ela compôs em parceria com Gilvandro Filho, e que ela mesma apresentou – ou “defendeu”, como se dizia nos festivais de antigamente.


Hermann Hesse entrega troféu aos concorrentes Tom Drummond e Ló Nunes
Convidados pelo organizador do Festival, Hermann Hesse, que é membro da ACLJ, compareceram ao evento os acadêmicos Reginaldo Vasconcelos, Pedro Altino, Adriano Jorge, Concita Farias, Mônica Silveira, Paulo Ximenes e Evaldo Gouveia, o grande compositor veterano cearense, que em 60 anos de carreira compôs nada menos de 1.018 músicas, muitas delas nacionalmente consagradas. 

Acadêmicos
Altino, Concita, Adriano, Paulo, Reginaldo e Mônica
Evaldo Gouveia fazendo a premiação dos concorrentes
Márcio Resende e Fernando Rosa
Acompanhava Evaldo Gouveia a sua companheira e assessora, a advogada Liduina Lessa.
Lia Veras, Liduina Lessa e Virlane Araújo

No júri, o comediante Falcão, o promotor musical Amaro Pena e o Secretário da Cultura no Estado, Professor Francisco Pinheiro. O Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Roberto Cláudio, também prestigiou o evento.






FONTE: Coluna Frisson, de Lia Pinheiro
FOTOS: Geovanne Jinkings

sábado, 26 de maio de 2012

CARLA SORAYA RECEBE A ACADEMIA


A jornalista Carla Soraya recebeu o acadêmico Reginaldo Vasconcelos em seu programa Tarde Livre, que vai ao ar todas as tardes pela TV Diário.

A entrevista foi no último dia 15, e versou sobre os eventos da ACLJ, onde a apresentadora, dentre outras coisas, quis saber sobre a pelerine ritual usada pelos imortais e sobre o dístico latino que consta do brasão da Academia.

Carla Soraya é a mais competente e simpática apresentadora vespertina da televisão cearense, porque imprime muita personalidade ao seu modo simpático de abordar os diversos temas e de conduzir suas entrevistas, sem trair qualquer influência viciosa das congêneres sudestinas.  

terça-feira, 22 de maio de 2012

CIRO SARAIVA COM ARNALDO SANTOS


J. Ciro Saraiva é um jornalista das antigas. E um jornalista às antigas, o que significa ética e talento a toda prova.

Ele vem do tempo em que para militar na imprensa era preciso texto fácil, português correto, conhecimentos gerais.

As informações, na época de Ciro Saraiva, eram garimpadas com esforço e checadas com acuidade, pois então ainda não se tinha ajuda do celular, do computador, nem da Internet.

j. Ciro Saraiva é um ícone do jornalismo cearense. Trabalhou no Correio do Ceará, na Ceará Rádio Clube, na TV Ceará, na Rádio Dragão do Mar, na TV Cidade, na Rádio Uirapuru, no Jornal O Povo e na Tribuna do Ceará.

Governador Manoel Castro Filho e J. Ciro Saraiva

Ele foi Secretário de Comunicação dos Governos Manoel de Castro e Gonzaga Mota (1981/1986), quando então deixou o Governo e se incorporou à equipe de marketing que levou Tasso Jereissati ao Governo do Estado.

Após afastar-se do jornalismo ele se tornou historiador, dedicando-se atualmente a escrever livros sobre o passado recente do Estado, tempos que viveu de perto, na imprensa e na política.


Em “No Tempo dos Coronéis” ele trata sobre a política vigorosa dos velhos oficiais da reserva, que durou alguns anos no Ceará. Em obras vindouras certamemte abordará os governos do empresariado e da tecnocracia, que a eliminou e sucedeu. 

VIDAS E MORTES



Vi horizontes, sóis e luas.
Vivi vidas e... Chorei mortes.
Algumas eram mortes repletas de vida;
Outras, vidas com jeito de morte.
E sigo assim, entre horizontes, sóis e luas;
Vidas e mortes.
Sigo porque é minha sina, e tenho que seguir.
E cada vida que faz parte da minha me ilumina mais e mais,
Mas ao partirem, me enchem de morte.
Morro por cada uma dessas vidas;
Revivo a cada morte!

Pedro Altino Farias, em 30/12/2005

domingo, 20 de maio de 2012

EXÉQUIAS AO ACADÊMICO ALVES FERNANDES

Compareceram nessa sexta-feira, 18 de maio, ao velório do professor e acadêmico José Alves Fernandes, na funerária Ethernus, no bairro fortalezense da Aldeota, os confrades Paulo Ximenes e Reginaldo Vasconcelos, representando a ACLJ.  

Na madrugada desta quinta-feira, 17 de maio, o professor Alves Fernandes empreendeu sua triunfal viagem para o outro lado do arco-íris. A vida ainda lhe impôs alguns dias de suplício com a doença súbita, mas ao final lhe entregou a paz profunda que Deus reserva aos seus mais diletos filhos e compadres.

Após a missa, instado a falar em exéquias ao morto em nome da nossa Academia, o acadêmico Reginaldo Vasconcelos lamentou que o grande literato, bibliófilo, lexicógrafo, latinista, e principalmente professor José Alves Fernandes tenha vergado a pelerine ritual da ACLJ por apenas poucos meses.

Muito comovido, com a voz embargada, com dificuldade de conter o pranto, por empatia com o sofrimento da filha do acadêmico falecido, a também acadêmica Karla Karenina, sua velha amiga, o orador encerrou sua fala dizendo o Pai Nosso em latim, oração atribuída a Jesus Cristo, no clássico idioma que Fernandes dominava e que lecionou aos grandes juristas cearenses de sua época.


O Prof. Alves Fernandes e sua filha, a atriz e poetisa Karla Karenina

Em nome da Academia Cearense de Letras, à qual José Alves Fernandes também pertencia, falou o médico e poeta José Telles, titular da Cadeira de nº 34 daquela arcádia, que confessou também ter chorado ao visitar o amigo em seus momentos terminais, embora o seu jaleco profissional costume imunizá-lo de emoções. Ele terminou o discurso com uma linda paráfrase de Manuel Bandeira:

Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, “José Fernandes”. Você não precisa pedir licença.


Na saída da missa, ao comentar com Paulo Ximenes que sua emoção o impedira de melhor homenagear o grande confrade, Reginaldo Vasconcelos ouviu dele uma expressão consoladora: “A frieza não tem nenhum mérito. Quanto mais frio o homem, tanto mais ele assemelha-se  com uma pedra”. 


O médico e poeta José Telles, da Academia Cearense de Letras, e o jornalista
Vicente Alencar, Presidente da Academia Cearense da Língua  Portuguesa, a
que o Prof. José Alves Fernandes também pertencia havia anos.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

ACLJ PERDE JOSÉ ALVES FERNANDES


Faleceu na data de ontem em Fortaleza o Prof. José Alves Fernandes, membro da Academia Cearense de Letras, da Academia Cearense da Língua Portuguesa e Titular Emérito da Cadeira de Nº 39 da ACLJ.

Professor Fernandes, escritor, bibliófilo, intelectual de grande valor, fundou o primeiro cursinho preparatório para o exame vestibular em Fortaleza. Era o pai da confreira Karla Karenina.




O meio intelectual e o mundo acadêmico cearenses estão de luto. Esta ACLJ, que com grande orgulho contava com Alves Fernandes entre seus quadros, se solidariza com a família, especialmente com a confreira Karla Karenina, sua filha querida e devotada.  


   

terça-feira, 15 de maio de 2012

ACLJ ANO II - INDEPENDÊNCIA

Como a ACLJ é integrada por escritores e jornalistas, críticas a condutas administrativas dos Poderes da República, em suas três esferas, bem como comentários sobre temas sociais, produzidos e assinados com rigor científico, isenção técnica e imparcialidade política, serão sempre bem aceitos e respeitados no âmbito acadêmico, e em seus veículos e publicações oficiais, pois deve vigorar a obrigação opinativa do militante na imprensa e esplender a ampla liberdade de expressão dos literatos em geral.

Mas a ACLJ também promoverá consultas e debates internos sobre temas estaduais, regionais, nacionais ou mundiais, de cunho cultural ou social, espontaneamente, em virtude da repercussão geral das matérias, ou mediante eventual consulta de entidade interessada, para, se possível, havendo consenso ou maioria qualificada, formar opiniões institucionais e elaborar pareceres sobre a posição oficial da Academia, para fornecer ou publicar.

DIXI

FILHO (Crônica)

Em uma noite em amor a tive.
Usei todo o tesão com que a meia vida me regala.
Moça jovem linda que, como eu, muitos desejaram,
e eu o sei.
Mas, somente eu a tive, sonho meu!
Dali muito grávida saímos e não sabíamos ainda o final daquele fato divino.
Meses se passaram e ele estava lá.
Nutrindo-se de sangue pelo cordão e de amor pelo nosso próprio amor.
Assim foi até o momento fatal...
Parto!
Parto tão esperado e operado pela mão sã do divino.
Nasceu!
Ao primeiro encontro me estendeu a mão, como quem cumprimentasse a quem já amasse e não conhecia.
Meu filho! 17 anos de parceria.
Crescemos juntos na mais perfeita harmonia.
É antes de tudo amizade.
Amizade que preservo pela recíproca verdadeira que o fato exige.
É o filho, o amigo, o parceiro.
Aquele que Deus me confiou e que hei de agradecer eternamente.
Vamos envelhecer juntos e um dia partirei em tempo prévio.
Mas, certo de ter deixado um homem a quem um pouco ensinei e com quem muito aprendi.
Irei feliz.

Dennis Vasconcelos
Maringá-PR – 10/4/2012

ACLJ ANO II - DIVERSIDADE

A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo é uma entidade eminentemente literária e cultural, sem fins lucrativos, de absoluta laicidade religiosa, e sua linha de conduta institucional não admite nenhuma inflexão de cunho político-ideológico ou político-partidário.

Entre seus membros se admitem mulçumanos e cristãos, evangélicos e católicos, praticantes de qualquer culto votivo lícito, bem como pertencentes a outra qualquer profissão religiosa. Da mesma forma, os acadêmicos podem ser capitalistas e comunistas, conservadores e vanguardistas, integrantes de quaisquer partidos ou correntes políticas do Estado e do País.

Os requisitos necessários aos acadêmicos, bem como aos candidatos que estes proponham a novas vagas que surgirem, é a condição de cearenses natos ou radicados no Ceará por muito tempo, e de literatos ou jornalistas, ficando todo o mais a critério da maioria, pela via eleitoral.

Posto isso, o fato de ser titular de uma das 40 Cadeiras acadêmicas não indica adesão ao grupo político, ou simpatia à filosofia pessoal, ou concordância com o pensamento ideológico de outro membro, efetivo ou honorífico, da mesma Academia. Nem sequer deve indicar necessariamente que exista amizade íntima entre ele e todos os outros acadêmicos – embora imponha a presunção de que não exista inimizade.

IRENISMO