RODRIGO JANOT
DOIS DESATINOS
Reginaldo
Vasconcelos*
Parece mesmo insano Rodrigo Janot, até muito recentemente
Procurador-Geral da República, ao revelar na imprensa que penetrou armado no
plenário do Supremo Tribunal Federal, lucubrando matar o Ministro Gilmar
Mendes, para em seguida suicidar-se.
Não me estranha o fato que ele narra, pois premido por
indignação extrema, eventualmente compelido ao campo da honra, não é raro que
um homem de bem tenha ganas de cometer um desatino e se prepare para tal – e
que, por fim, não chegue a cumprir o desiderato funesto, arrependendo-se
eficazmente do intento e se abstendo.

“Se
o homem é bom, eu respeito; se gosta de mim, morro por ele. Mas se porque é
forte entendesse de humilhar-me... Ah! Sertão! Eu viveria o teu drama selvagem.
Eu te acordaria ao tropel do meu cavalo errante como antes te acordava ao choro
da viola”.
Mas o meu pasmo ante o caso atual está no fato de que,
sendo Janot um operador do Direito “chapa branca” do mais alto coturno, tenha ele
confessado um evento tão grave e tão recente, declinando a motivação de sua
sanha, o local do presuntivo cometimento do ato, e o nome de sua vítima pretendida
– por seu turno, uma importante figura da República, ainda viva e ativa.
Ademais, a causa pela qual Janot diz pretendeu matar e
morrer não era tão grave que justificasse essa atitude tresloucada – pois a
ofensa se constituiu numa troca de acusações de que parentes de cada qual
advogasse para empresas envolvidas em escândalos – algo sem grande importância
moral e facilmente refutável, enfim, sem potencial para desmoralizar quem quer
que fosse no campo pessoal.


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