quarta-feira, 9 de abril de 2014

ARTIGO (AF)

VOCÊS VÃO TER QUE ME ENGOLIR!
Por Altino Farias*



Copa América de 1997, Zagalo, então treinador da Seleção Brasileira, desabafa para as câmeras após a vitória brasileira: “Vocês vão ter que me engolir!”.

Esse brado emocionado tinha endereço certo. Ele foi dirigido a repórteres que agiam nos bastidores para minar o trabalho do treinador e apeá-lo do controle da seleção na Copa do Mundo do ano seguinte, segundo versão dele próprio.

Os acontecimentos e o  resultado da Copa de 1998 são conhecidos, e lamentados, por todos. No fim das contas, o episódio ficou gravado na história do futebol brasileiro.

O tempo passou, porém, nesse mundo de meu Deus, sempre alguém tem que engolir alguém...

Nesse sentido, boa parte dos cidadãos deste País têm engolido aquilo com que não concordam e que não merecem. Têm engolido até o que repudiam com veemência. Aqui se criou a filosofia do “nós” e os “outros”, os “corretos” e os “do contra”, colocando a sociedade brasileira numa situação de perigosa animosidade entre os que pensam de modo diferente.

Apoiado numa base eleitoral criada a partir de programas sociais assistencialistas idealizados exatamente para esse fim, o Governo manobra uma maioria cooptada até nos rincões mais remotos deste País. Pessoas estas que não participam dos acontecimentos políticos para além da cerca de seu vizinho. Pessoas que desconhecem as traficâncias de Brasília, o cotidiano dos altos gabinetes estatais, o jogo intrincado da economia e as sutilezas necessárias à diplomacia internacional. Pessoas que visam apenas e tão somente manter seu pequeno universo em movimento com o recebimento mensal de seus pingados trocados do benefício oficial.


Enquanto isso uma minoria eleitoral, estômago de avestruz, vai tendo que engolir o que lhes impõem à frente. A coisa funciona mais ou menos assim:

Em tempo recorde a Polícia Federal prendeu e deportou esportistas cubanos que pediram asilo ao Brasil, por ocasião dos jogos Pan Americanos do Rio, em 2007, tentando fugir da ditadura de Cuba. Algum tempo depois, o governo de esquerda, mesmo contra recomendação do STF, deu asilo político a um terrorista assassino italiano, julgado e condenado democraticamente pela mais alta corte daquele país.

Para seus eleitores-beneficiários o governo dizia: “Vou lhes dar crédito fácil para comprarem o que tiverem vontade!”.

Aos demais, o governo dizia: “Vocês vão ter que me engolir!”. 

O governo progressista aliou-se a governantes ditadores e assassinos. Chamou o Irã de  Mahmoud Ahmadinejad de pais irmão, brindou amizade com o truculento Kadafi e aliou-se a outras tantas republiquetas de regime antidemocrático.

Aos afilhados a quem garante uma subsistência inerte, dizia o governo: “Nós estamos aqui para defendê-los contra as elites dominantes deste país”.

Para os outros, dizia apenas: “Vocês vão ter que me engolir!”.

Em plena crise do apagão aéreo, a ministra do turismo de então, uma senhora sem a menor preparação para ocupar quaisquer cargos públicos, recomendou aos passageiros em pânico: “Relaxem e gozem”.

Aos seus, o Governo dizia: “Esse colapso na operação dos aeroportos é devido ao aumento de renda do povo”.

Aos outros, informava: “Vocês vão ter que me engolir!

O Governo, pretenso líder dos povos da América Latina, defendeu a soberania dos bolivianos, reconhecendo o direito deles de invadir e expropriar uma refinaria de petróleo brasileira legalmente instalada naquele país em detrimento de nossa própria soberania.

Para o povão, o presidente de então posava de estadista...

Para os “do contra”, bradava: “Vocês vão ter que me engolir!

A esquerda brasileira apoia a ditadura dos Castro, que apoia a Venezuela de Chávez, que apoia o narcotráfico, que tem negócios com Evo Morales, o próprio produtor da coca. De quebra, afastou-se do equilibrado Chile, levou um chega para lá do insignificante Equador, apoiou o patético golpe de Zelaya.

Com essas, garantiu boa propaganda junto aos seus eleitores e... Quase mata de vergonha “os outros”, que mais uma vez ouviram... “Vocês vão ter que me engolir!”.

A vida foi seguindo. Alguns que fazem parte desse governo socialista foram flagrados roubando a nação. Presos e condenados, disseram aos seus eleitores: “Estamos sendo perseguidos e injustiçados. Somos heróis!”.

Alguns dos que neles acreditam, juntaram (muitos) dinheiros para, imoralmente, quitar dívidas com a Justiça dos condenados. Os coitados deste país, vendo as notícias na imprensa, exclamaram: 

Oh, como são unidos esses heróis e seus seguidores!”, e logo correram para sacar na lotérica mais um mês.

Para os que acompanhavam a cena de longe, aqueles mesmos “heróis” gritaram, gesticulando uma “banana”: “Vocês vão ter que nos engolir!

Caso Rosemary, campanha eleitoral antecipada e com recursos públicos, compra milionária de refinaria sucata nos EUA, financiamentos oficiais generosos a Eike Batista, porto de Cuba, revisão no julgamento dos mensaleiros... 

Tudo goela abaixo dos “outros”.

Mas vem aí a Copa do Mundo. Grande conquista do Brasil!. A vez do binômio pão e circo. Aqueles camaradas, os dos benefícios e malefícios, estarão no circo que lhes foi armado esperando pelo pão bem longe dos estádios, onde estarão apenas “os outros”.

Por isso, o pessoal do Governo não vai poder aparecer nas magníficas arenas onde os jogos serão disputados, sob pena de serem sonoramente vaiados. Diante dessa hipótese já veio uma ordem do Planalto para os seus: “Nada de estádios! Todo mundo deve assistir aos jogos na copa!”.

Tomara que eles arrisquem uma aparição pública durante o evento, efêmera que seja. Talvez ouçam uma forte e estrondosa vaia. Talvez aquele povo que estiver presente aproveite ilustres presenças para devolverem-lhes em forma de vômito azedo tudo o que vêm engolindo contra a vontade, nesses últimos tempos... Tomara.

 *Altino Farias
Engenheiro Civil e Jornalista
Editor do Jornal Virtual
“Pelos Bares da Vida”
Editor do Blog
“Opinião em  Perspectiva”
Titular da Cadeira
de nº 16 da ACLJ

segunda-feira, 7 de abril de 2014

NOTÍCIA

A ACLJ, a convite da Delegação da União Europeia no Brasil, compareceu  ao Seminário Conjunto sobre Pesquisa e Inovação Entre a Europa e o Estado do Ceará, na manhã de hoje, no Auditório Paulo Petrola da UECE, evento promovido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Ceará, e a Universidade Estadual do Ceará.




O grande fito do encontro, que se repetirá em outros Estados, é o intercâmbio de tecnologia entre o Brasil e os países da Comunidade Europeia, no caso do Ceará, mais especificamente, com foco em desafios e oportunidades de negócios no campo da exploração de energias renováveis.

Na imagem, a abertura do encontro, tendo à mesa diretiva o Magnífico Reitor da UECE, Prof. José Jackson Sampaio, e a embaixadora portuguesa Ana Paula Zacarias, Chefe da Delegação da União Europeia no Brasil.


Acima, em primeiro plano, da esquerda para  a direita, Adriano Jorge, Reginaldo Vasconcelos, e Poty Fontenele, todos da ACLJ. Atrás, os engenheiros Stanislaw  Façanha e Ésio dos Santos, indutores do convite.

NOTA ACADÊMICA (IM)

A Lenda do Anjo do Pife

A acadêmica Inês Mapurunga compôs uma bela valsa, denominada A Lenda do Anjo do Pife, em homenagem ao seu pai Alfredo Miranda, falecido no último dia 29 de março, o qual fez do pífaro objeto de estudo e de culto pessoal  uma flauta do medievo europeu que no Nordeste Brasileiro foi sincretizado com a cultura musical indígena, com o nome metaplasmado para "pife". 

Alfredo Miranda é o Patrono Perpétuo da Cadeira de nº 35 da ACLJ, da qual a titular Inês Mapurunga é a fundadora. A peça rapsódica, em letra e música, texto e gravação, fará parte do acervo do Site da ACLJ, iniciativa do confrade Alfredo Marques, que estará disponível em breve na WEB.


domingo, 6 de abril de 2014

ARTIGO (VM)

À POETISA, BIÓLOGA E MICROBIÓLOGA, PROF.a. Dr.a. REGINE LIMAVERDE FERNANDES VIEIRA
                                            Vianney Mesquita*

Não falemos de poemas morais ou imorais; os poemas são bem ou mal escritos. É só (Oscar Fingel O’Flahertie Wills Wilde. *Dublin, 16.10.1854;+Paris, 30.11.1900).

O homem nada mais é do que aquilo que sabe (Francis Bacon. *Londres, 22.01.1561; +09.04.1626).

Recebi, com muito agrado, porém atrasado 16 dias – por conta de moto paredista dos funcionários dos Correios – convite para o lançamento de mais um livro da escritora cearense, com visão nacional, Regine Limaverde, intitulado Canção do Amor Inesperado, a público no dia 27 de março imediatamente transato, no Ideal Clube, ao qual, pela razão há pouco expressa, não compareci.

Dantemão, quando o apreciar, me satisfarei por demais com tecer comentários, decerto laudativos - a julgar pelo que já conheço das obras de sua colheita - cuja qualidade é indiscutível, bastando vincular sua estampa intelectual à correspondente fecunda biobibliografia, interdisciplinar por excelência, no terreno de várias matérias de que cuida, em desenvolvimento do ofício de mestra apreciada e literata produtiva.

Contabilizo prazenteiramente, como recheio do meu ativo fixo de amizades, há longos anos – com prescrição aquisitiva em 1987, portanto, há 27 anos – a ligação cordial com o Prof. Dr. Gustavo Hitzschky Fernandes Vieira (já na Dimensão Elevada) e sua mulher, a docente-imortal a respeito de quem ora comento, quando ele foi pró-reitor de Assuntos Estudantis do reitor de então, Prof. Dr. Raimundo Hélio Leite, tendo eu como assessor especial e, por um tempo, chefe do gabinete desse dirigente maior da Universidade Federal do Ceará.

Raimundo Hélio Leite
De efeito, datam desse período meu conhecimento e as relações francas com a acadêmica Regine Limaverde, por último, salvante engano, há uns dois anos, quando ela foi admitida à Academia Cearense da Língua Portuguesa, para apossar-se de uma das cátedras daquela Casa, por vacância obituária.

Seu ingresso na A.C.L.P., como não poderia ser diferente, ocorreu sob os gabos plurais do universo academicial cearense, incluindo, evidentemente, meus aplausos, pelo fato de ela ecumenicamente ser havida e certificada como intelectual de escol, cientista de renome, figura componente da fina flor da sociedade culta do Estado, estatuto o qual ninguém mais do que eu reconhece, aprecia e enaltece, consoante procedo, redundantemente, nesta oportunidade.

Ocorre que, quando de sua candidatura, protestamos, com civilidade e na seara da cidadania – eu e outros titulares de assentos – contra o modus faciendi das admissões, ao reverso da razão e até do Estatuto, por se tratar de sodalício especialmente jungido às temáticas da Língua e da Literatura, de sorte a serem exigíveis condutas bem específicas, com vistas a se procederem às substituições.

Argumentos nossos vencidos e raciocínios desconsentidos por democrática maioria, conquanto – repiso – a contrapelo da normalidade do razoável, eu e outros acadêmicos deliberamos nos afastar, por um tempo, das atividades do Silogeu, até que se instalasse um estado de serenidade a nos propiciar o ensejo de boa convivência, uma vez pensadas pelo tempo as contusões então curtidas, já então submetido o desencanto do revés.

Penso não ser civilmente acertado vir a público pormenorizar debacles e dissensões internas, acolitando, neste passo, a filosofia da “roupa suja lavada em casa”, de sorte que peço escusas aos consulentes pelo fato de, quando da narração dos eventos, não os haver contado na clareza e linguagem domésticas, porém, apelo para o provérbio italiano, segundo o qual A buon intenditor poche parole significato. Assim, logro não aderir ao expediente do fuxico.

O móvel, porém, deste expediente é referir a dois fatos, os quais se compensam, zerando a partida, conforme delineio na sequência.

Na invitação para o mencionado lançamento de livro, está grafado pela escritora Regine Limaverde: Vianney, que tal fazer as pazes comigo?  Devo dizer que me assustei, porque não atinava jamais para a noção de que ela se agastara comigo. Em tempo algum, fiz absolutamente nada contra ela, não procedi a campanha contrária a sua admissão à Academia Cearense da Língua Portuguesa; ao contrário, vibrei com a possibilidade e espalhei, a torto e a direito, o meu contentamento pelo fato. Foi estupefato que recebi essa sugestão do apaziguamento de quizila por mim desconhecida. Decepção!

O outro elimina totalmente seu desafeto, configurado na oportunidade de desfazer o qui pro quo, a má-interpretação de sua parte, no ensejo de fazer estas notas.

Neste azo, deixo, pois, bem evidentes o apreço e a benquerença nutrida por ela há tantos janeiros, e reitero a opinião, múltiplas vezes expressa, de que a reconheço como mulher de cultura e arte acima da nossa média intelectiva, digna de figurar em todo ambiente onde sejam categoricamente expendidas as manifestações do mais supremo humano saber, na poesia, no conto, na língua-prosa, na ciência – em seus experimentos in anima vili ou in anima nobili – bem assim em QUAISQUER gêneros onde estejam manifestas as fulgurações do pensamento artístico e científico-tecnológico.

Minha expectativa é, pois, a de reaver a paz num episódio bélico de cuja realidade me reputava estrangeiro. Espero ter feito a paz sem preparar a guerra, consoante expressou, no O Príncipe, um dos mais célebres florentinos.


“Tome cinco”, Regine!





*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista.


CRÍTICA LITERÁRIA (GM)


VIANNEY MESQUITA
 Esteta da Palavra

Por Giselda Medeiros*
 (No livro Crítica Reunida - 2007)

Em Introdução Estética ao Estudo da Literatura, de autoria do Professor Geraldo Rodrigues, encontramos, na página 155, uma plausível definição de Arte (plausível por ser tarefa das mais difíceis definir termos abstratos, detentores de uma gama de polissemia). Vejamo-la:

A Arte, qualquer que seja sua definição, é uma causa profunda, mais inconsciente do que consciente, mais instintiva do que racional, qualquer coisa que repercute no lado noturno e desconhecido de nós mesmos, que lança ecos e ressonâncias desde as profundezas do nosso oceano interior.

Com base nessa asserção e, ainda mais, conduzida por Benedetto Croce, quando intui ser a Arte aquilo que todos sabem o que é, podemos, sem nenhum motivo que possa desabonar tal proceder, ratificar, ipso facto, a perífrase constante do título desta nossa escrita.
Efetivamente, à leitura de Repertório Transcrito (Notas Críticas Ativas e Passivas), Edições UVA, mais uma produção de Vianney Mesquita, vem-nos, de imediato, a lídima confirmação do que há muito já se disse (e ainda se dirá) a respeito do trabalho intelectivo deste Professor, audaz combatente, aliás em linha de frente, na defesa de nossa língua, hoje tão manietada por aqueles que se comprazem em estuprá-la, rompendo-lhe o hímen de singeleza. Escrever, respeitando a norma culta, a singularidade da linguagem bem trabalhada, escoimada de degenerescência, de pedantismo, não é só dever de cada um de nós mas, sim, e antes de tudo, uma maneira de se produzir Arte. Um ficcionista, um poeta, se não souberem coser adequadamente a roupagem de sua escritura, por mais inspirados que sejam, jamais produzirão obra capaz de atravessar os muros do tempo e se tornarem trabalho de reconhecido valor artístico. Morrerá no nascedouro, porque lhe falta o bom estilo.

Em Vianney Mesquita, as palavras têm sentido e melodia, e encadeiam-se em frases, períodos e parágrafos, sob um estilo harmonioso e elegante, o que faz de sua escritura objeto de Arte, uma espécie de termômetro, cuja escala é ascendida à proporção que o lemos e penetramos a erudição de seus conceitos tão bem expendidos. Sim, porque é o estilo que faz um texto crescer e ser aquela vibrante e interminável oscilação entre o texto e o mundo, o que, na opinião de Osman Lins, é a marca verdadeira de uma obra de valor.
Note-se-lhe, outrossim, o arraigado amor à língua do ínclito “Cisne de Mântua”, haja vista o uso de expressões latinas que se coadunam e se cosem, com justeza, às ideias advindas de seu raciocínio, numa profusão de cultura, longe, no entanto, de pedantismos ou de preciosismos, porque dosadas de acordo com seu tirocínio de excelente vernaculista.

O livro em apreço está dividido em duas seções: Notas Ativas e Notas Passivas. Disso se infere que, na primeira parte, Vianney Mesquita faz o papel do crítico, daquele que, arrimado em erudita linguagem, empresta às sentenças e intuições analisadas uma segunda vida, filha destas, prontas para a decodificação do leitor. Seus ensaios, em número de 30, excelem pela imparcialidade, precisão, correção e beleza no dizer, o que empresta ao texto aquele ar de leveza, expurgado da enfastiosa dureza apresentada em alguns textos deste jaez. E acrescente-lhes ainda a riqueza de novos conhecimentos, a nós advindos, como resultado do seu ajuizado esquadrinhamento dos conceitos ali analisados.

A facilidade com que adentra os vários tipos de livros, quer de poemas, ficção, estudos científicos, humanísticos, até religiosos, acrescentando-lhes seus pontos de vista, é prova inconteste do imensurável conhecimento que tem a respeito do assunto examinado e da abrangência de seu tirocínio gnosiológico, corroborando as palavras de Marshall McLuhan, ao afirmar que nenhum leitor lê o que o texto realmente está a dizer, senão que projeta o que tem dentro de si.

Por essas e muitas outras razões é que o Professor Vianney Mesquita ocupa, de jure et de facto, cadeira cativa e perene na Academia Cearense da Língua Portuguesa, tendo já, por duas gestões consecutivas, dirigido proficuamente aquele sodalício, cuja finalidade maior é a de zelar pela língua vernácula, para que outros não a ofendam nem lhe maculem o viço e a formosura.

Há de se considerar também a intimidade de Vianney Mesquita com a redondilha maior, recurso no qual verseja comodamente sobre qualquer tema. Tal afirmativa decorre do fato de já termos conhecimento de um trabalho (e diga-se, de fôlego) que Vianney tem pronto para próxima publicação, baseado na Sagrada Escritura, mais precisamente, reportando-se ao nascimento, à vida, à crucifixão e à morte d’Aquele “que se fez carne e habitou entre nós”. Trata-se de uma obra constituída de 743 estrofes, totalizando 4.458 versos, escandidos primorosamente em heptassílabos heterorrítmicos. Pois bem, aqui, nesse seu Repertório Transcrito, está a prova do que dissemos: uma poematização do texto em prosa “Projeto de Identidade Global Una da Universidade Estadual Vale do Acaraú”, de autoria do Professor Evaristo Linhares Lima, em que Vianney Mesquita, servindo-se da intertextualização, exercita essa sua veia, transformando-o num texto ritmado e rimado, em 47 sextilhas, todo ele em redondilha maior.

Importante também é ressaltar a competência do autor de Resgate de Ideias na feitura do soneto, o que faz também com enorme desenvoltura. Visitemos o segundo quarteto do soneto “Ócio”, no qual ele utiliza o recurso da metalinguagem para atingir o seu objetivo, temperando-o com uma pitada de humor: Fazer nada requer regar o rio, /Remar à ré no rastro dos caducos. /É cegamente acreditar num fio/ De masculinidade nos eunucos. Digno de nota, também, é o soneto “Aos Pesquisadores Científicos”, em que o autor, além de empregar as rimas normais exigidas, utiliza, com mestria, a rima encadeada, ou seja, aquela que se dá internamente no corpo dos versos, numa demonstração de cabal conhecimento da teoria da versificação.

Na segunda parte de Repertório Transcrito, vamos encontrar críticas e opiniões, as mais abalizadas, sobre a escritura de Vianney Mesquita. Nomes preeminentes de nossas letras lá estão com sua palavra multifária, a apontar nas obras analisadas a qualidade inconcussa desse autor, que prima pela correção, pela clareza, pela concisão, pela precisão do texto, sem deixar de lado a simplicidade. É uma dezena de excelente palavra: Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, José Batista de Lima, Norma Soares, Vicente de Paulo Sampaio Rocha (conterrâneo dele, de Palmácia-CE), Eliézer Rodrigues, Joseneide Franklin Cavalcante, Genuíno Sales, Márcia Siqueira (Belo Horizonte), Ítalo Gurgel e Padre Doutor Brendan Coleman McDonald, além desta escrevinhadora modesta, cujos escritos, se alguma luz projetam é porque a recebem das luminares, em volta das quais gravita.
Para que fiquem comprovadas, embora de maneira rápida e breve, as qualidades do autor de O Termômetro de McLuhan, explanadas aqui, antecipamos o que dele disseram –

Batista de Lima: A importância desse livro (Resgate de Ideias) de Vianney Mesquita não fica apenas nesse questionamento que suscita. Há um aprendizado por parte de quem lê através do estilo do autor. [...] É uma vocabulário rico, uma frase lapidada dentro das normas da língua-padrão, um ritmo agradável que sequestra o leitor do começo ao fim.

Genuíno Sales: Ler Vianney Mesquita é resgatar a esperança nos ideais culturais e no milagre da inteligência.
Ítalo Gurgel (acerca de A Escrita Acadêmica – acertos e desacertos, com J. Anchieta E. Barreto): Numa obra fundamental – porque inédita na maneira de enfocar questões básicas da linguagem – os professores José Anchieta Esmeraldo Barreto e Vianney Mesquita alinham amostras do inesgotável repertório das manias e chavões, pleonasmos e contradições lógicas, impropriedades e estrangeirismos que invadiram o vernáculo.

Norma Soares: O autor de Fermento na Massa do Texto demonstra saber ler o universal no inefável enredo da alteridade singular.
Ainda há muito testemunho que evocar, entretanto deixamos aos leitores a primazia de saborear,  in totum, tanto a percuciente palavra do autor do livro quanto a dos que teceram seus abalizados comentários, centrados na obra do autor de Impressões - Estudos de Literatura e Comunicação.

Em suma, Repertório Transcrito oferece-nos uma multiplicidade de conhecimentos, em que forma e conteúdo estão perfeitamente casados. De parabéns está, pois, o autor de Sobre Livros – Aspectos da Editoração Acadêmica por ter conseguido alcançar, também no Repertório, seus objetivos, de modo competente, granjeando, dessa maneira, o aplauso não só do público especialista no assunto mas também de todos aqueles que gostam de saborear textos limpos, bem redigidos, ricos de conteúdo, dos quais afloram o talento, a sensibilidade, o zelo pela língua vernácula, marcas indeléveis, presentes na vasta produção do coautor de Para além das Colunas de Hércules, Vianney Mesquita.

Se, realmente, [...] a verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos, como anota Marcel Proust, estaremos todos, após a leitura de Repertório Transcrito, com novos olhos, com bem mais acuidade para enxergar o mundo e nós mesmos, nessa incessante e (tão efêmera) viagem de descoberta, que é a vida.

Aqui está sua bagagem, caro leitor. Boa viagem!



*Texto extraído do livro Crítica Reunida (2007)

*Giselda de Medeiros Albuquerque
Escritora
 Membro da Academia Cearense de Letras
Da Academia Cearense da Língua Portuguesa
Da Academia Fortalezense de Letras
Da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno
Da Academia de Letras e Artes do Nordeste
Da União Brasileira de Trovadores
Sócia Benemérita da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil
Ex-Presidente Nacional da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil
Redatora-chefe da Revista Jangada e do informativo "O Ajebiano" 
Considerada a Princesa dos Poetas do Ceará

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CRÔNICA (MMMF)

O SOPRO DE ALFREDO MIRANDA 
EM OUTRAS DIMENSÕES

Hoje, se foi o menino, o homem, o anjo, o curumim mais bonito do mundo que enchia de notas os nossos dias em Viçosa e encheu de alegria, ternura e beleza nossas vidas. Ele veio ao mundo não apenas para nos ensinar como a vida é encantadora, mas nos mostrar que o importante não é apenas viver, mas "saber viver".

Das 4h da manhã, quando já ouvíamos seus passos arrastados e super acordados, prontos para mais um dia, para acender o fogo do fogão a lenha (o coração da Casa), até às 23h, quando tirava D. Terezinha da sala para ir dormir, ouvíamos o som do pife a flutuar no ar. Às 7h da manhã, já se podia encontrá-lo  nas ruas a caminhar entre a neblina de Viçosa em meio aos feirantes matutinos.

Retornava entrando pela cozinha que fervia de doçura com D. Terezinha no comando. De repente ouvíamos o pife, de qualquer lugar de dentro e fora da Casa, e nos sonhos. As notas vindas de lá, invadiam qualquer lugar ao entorno, como o som do flautista mágico. E essa magia é uma magia que até hoje não consigo descrever. É como se sua música nos acalentasse, nos colocasse em seus braços, nos aconchegasse. Mazurcas, frevos, serestas, baiões...

Ah, Seu Alfredo Miranda, anjo do pife, encante a todos ai no azul entre nuvens de algodão, toque e jogue sua mágica nas estrelas, jogue um pouquinho de magia dai pra nós também! Agora você vai mais que voar, sobrevoar mundos e outras dimensões com seu sopro mágico musical! Te amo muito.


Da neta, Marina Mapurunga de Miranda Ferreira

A missa de sétimo dia em sufrágio da alma de Alfredo Miranda acontecerá no dia 04/04/2014, as 19:00h, na Igreja Cristo Rei, em Fortaleza.  Em Viçosa do Ceará a missa acontecerá na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção as 7:00h.

terça-feira, 1 de abril de 2014

ARTIGO (PMA)

OS INOCENTES DE PASADENA
Por Paulo Maria de Aragão* 
Em 1º de abril de 2014

Diz a lenda dos índios da Amazônia que um pesado tronco de árvore caiu sobre a carapaça de um jabuti (famoso por sua resistência) que andava pela floresta, deixando-o imobilizado. Resignado, restou-lhe aguardar o apodrecimento do cepo. Então, livre do embaraço, o quelônio seguiu, lépido e fagueiro, o seu caminho.

Porém, na densa selva política, o cenário é outro. Delinquentes sem a resistência do jabuti, nem moral para enfrentar a opinião pública, buscam abafar infindos delitos pelos desvãos do deslembrar, às vezes indisfarçáveis. Por que, só oito anos depois, se revelou o prejuízo bilionário da Petrobras na compra da refinaria de Pasadena? Tamanha soma não desculpa a “omissão de parecer técnico e juridicamente falho”, como quer a presidente.

Ninguém sabia de nada? Claro que sim! Denúncias em ano eleitoral dão rendimentos nas urnas. A verdade é inescondível por mais que a encubram. No caso, uma legenda “fulaniza” o escândalo: não há inocentes. Responsáveis, beneficiários dessa história poderão escapar pelas mesmas filigranas jurídicas e pela interferência de alquimista,a exemplo dos “mensaleiros”.

A Petrobras, o sonho de Vargas, sempre foi a bandeira dos movimentos nacionalistas. Desde os tempos do Liceu do Ceará, escuto que a “Petrobrás é nossa”, “A Petrobrás é intocável”. Hoje, discutível é que continue intocável, pois até vergamos com a invasão de suas instalações na Bolívia por Evo Morales, na era Lula, quando aquele ainda fez este engolir desaforos e lições de moral.


A estatal é nosso orgulho,chafurdada ou não por desmandos e  superfaturamentos. Surpreende o calar dos protestos que faziam coro nas ruas. É triste saber que o seu valor de mercado, que já a fez a décima segunda maior do mundo, caiu  para o centésimo vigésimo lugar, segundo o jornal inglês Financial Times. O resumo da ópera: nem o tronco da árvore apodreceu, nem se guardou o silêncio quanto à desastrada compra da refinaria de Pasadena pelos inocentes.



*Paulo Maria de Aragão
 Advogado e Professor  
Membro do Conselho Estadual da OAB-CE
Titular da Cadeira de Nº 37 da ACLJ