TRÊS AMORES
Aluísio Gurgel*
Dizem
que temos pelo menos três amores em nossas vidas. O primeiro é uma descoberta
incrível que arrebata e encanta o coração apaixonado. Nada é temido. Nada
representa risco. Tudo é avassalador — é o amor da adolescência.
O
segundo acontece na vida adulta e traz em si a tradução de todas as fraturas
que um relacionamento in fieri pode
provocar. Ele é pródigo em decepções e desilusões. Ele ensina tudo o que é
necessário não fazer para nos relacionarmos bem com alguém — é o amor traído, a
entrega não correspondida a contento, cujas cicatrizes marcam para sempre.
O
terceiro é o amor maduro, é o amor sem cobranças nem imposições. Ele é
construído com base na segurança emocional mas a partir de critérios de
racionalidade. Costuma ser o amor para o envelhecimento e o coroamento da vida
— é o amor que dignifica e protege, que dá sentido à caminhada rumo ao
desconhecido e à eternidade.

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