segunda-feira, 19 de outubro de 2020

NOTA ACADÊMICA - Sarau Virtual da ACLJ (1810.2020)

  SARAU VIRTUAL DA ACLJ

(18.10.2020)

   

A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) promovia, nas noites de terça-feira, na casa de bebidas finas Embaixada da Cachaça, um poetry slam, consistente em um pequeno sarau de poesias, prosa poética e performances musicais acústicas ao vivo, segundo uma prática que começou nos EUA e se difundiu pelo Planeta.


   
Mas essa rotina cultural saudável foi interrompida pela pandemia de Covid-19, e então o grupo de habitués passou a se reunir virtualmente nas manhãs de domingo, em que acadêmicos, artistas, intelectuais e poetas em geral, frequentadores daquele reduto boêmio e cultural, matam a saudade e mitigam a carência de convívio, mantendo em atividade a ACLJ, apesar do isolamento social obrigatório.




PARTICIPANTES

Estiveram reunidos na conferência virtual deste domingo 11 participantes. Compareceram, o Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, o Bibliófilo José Augusto Bezerra, o Jurista, Professor e Procurador Federal Edmar Ribeiro, o Ambientalista e Candidato a Vereador João Pedro Gurgel, o Advogado e Sionista Adriano Vasconcelos,  o Engenheiro, Empresário e Blogueiro Altino Farias, o Engenheiro e ex-oficial de Marinha Humberto Ellery, o Pedagogo, Psicólogo e Penalista Edmar Santos, o Professor e Jurista Rui Martinho Rodrigues, o Agrônomo e Poeta Paulo Ximenes, e o Jornalista Arnaldo Santos  todos da ACLJ.



TEMA DE ABERTURA

O Presidente Reginaldo Vasconcelos abriu os trabalhos com o debate sobre o novo horário das reuniões, e sobre o seu agendamento, tendo em vista que pela segunda vez ele não se tem efetivado, exigindo a criação de um novo link emergencial. Desta vez o acadêmico João Pedro Gurgel obteve uma conexão ininterrupta de duas horas.

Ficou acordado que o horário das 16:00h se mantém, e que o novo operador será o próprio João Pedro, sem agendamento prévio, o que libera o confrade Sávio Queiroz, que desde o princípio das videoconferências tem cumprido a missão de anfitrionar o grupo, atrapalhando a sua agenda domingueira.   


ASSUNTOS ABORDADOS

O tema central desta semana foi as relações de amor, principalmente a amizade. Ellery leu crônica de sua lavra intitulada "Simetria", em que ele escrutina o relacionamento romântico entre desiguais, peça que está postada neste Blog, com o comentário do Presidente Reginaldo.

Reginaldo, a propósito do tema, narrou a triangulação ocasional de amizades pelas quais o Membro Benemérito Beto Studart chegou à ACLJ, a partir de São Petersburgo, na  Rússia, casualmente ciceroneado lá pelo nosso Membro Honorário Dmitry Sidorenco, que telefonou ao Presidente para pedir informação sobre o número do celular do também acadêmico Arnaldo Santos, para quem queria ligar o Beto Studart. 

Tratou-se, na sequência, do debate filosófico sobre o conceito de amizade que se estabeleceu entre o Presidente Reginaldo e o então recente Membro Benemérito Beto Studart – no sentido de que ainda não eram amigos, embora confrades – hoje, efetivamente, além de confrades, amigos verdadeiros – "na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença".

Nesse mesmo clima, o acadêmico Altino Farias agradeceu publicamente, de forma comovida, ao seu confrade Reginaldo Vasconcelos, por lhe haver propiciado a instalação da sua boutique  de bebidas finas "Embaixada da Cachaça", em imóvel seu, e por vir flexibilizando os alugueres, na condição de locador, ao longo da atual pandemia, em que a empresa teve o funcionamento dramaticamente limitado e as receitas aviltadas.

Aproveitando o ensejo, o acadêmico Arnaldo Santos se associou à manifestação de Altino Farias e também registrou a sua gratidão ao mesmo confrade, que há anos presta advocacia de partido à sua empresa de TI, aceitando de bom grado a quitação dos honorários nas oportunidades esparsas em que os negócios da firma estão em alta, ainda ao longo da crise econômica que o País está vivendo, desde antes da pandemia da Covid.

O Presidente Reginaldo Vasconcelos teve as palavras embargadas pela emoção, surpreendido pela gentileza dos confrades – gestos de bravura moral e de grandeza de caráter – conseguindo articular apenas em resposta que estamos todos em família no âmbito da ACLJ, e que tem certeza de que teria (como tem tido) dos confrades deferências semelhantes.
      
Ellery ainda pontuou, a propósito, que o célebre aforismo "amigos, amigos; negócios à parte" não vigora entre amigos de verdade, lembrando de que o Prof. Ariosto Holanda certa vez lhe revelou gratidão por uma impagável dívida moral do passado, por favor que ele mesmo não se lembra ter prestado, de quando eram professor e aluno e o pai deste era vice-governador do Estado, junto ao qual deve ter intercedido em favor do Ariosto.

 
PERFORMANCES LITERÁRIAS

José Augusto Bezerra, Membro Benemérito da ACLJ, Presidente da Associação Brasileira de Bibliófilos, trouxe, como de hábito, preciosíssimos documentos de sua vasta e preciosa coleção, que foram:

Os três volumes da edição original da obra "Florilégio da Poesia Brasileira", organizada pelo polímata brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878), obra já apresentada na reunião passada e sobre a qual acrescentou apontamentos; e o primeiro livro de edição brasileira, sobre a História do Brasil, "Corografia Brasílica – Relação Histórico-Geográfica do Reino do Brasil", produzida em 1817 pelo Padre português Manuel Aires de Casal, por determinação de D. João VI. 

Arnaldo Santos, por seu turno, lembrando que na próxima sexta-feira, dia 23 de outubro, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, completará 80 anos, apresentou a obra que organizou sobre as Copas do Mundo, um trabalho de fôlego editado há alguns anos, livro de que não pode prescindir quem aprecie e estude o futebol. 

Arnaldo relatou a curiosidade de que foi repórter desportivo no início da sua carreira jornalística, cobrindo de dentro dos campos de futebol os jogos e os times locais  missão profissional que cumpriu com o máximo empenho, sem nunca ter se afeiçoado ao principal esporte nacional, nem se ter apaixonado por um dos escudos das muitas equipes brasileiras.

Edmar Santos leu uma de suas belas e densas croniquetas, que prometeu enviar ao Blog, Edmar Ribeiro contou casos cronicáveis de seu longínquo Estado do Acre,  e João Pedro Gurgel leu artigo seu, refutando o questionamento de alguns sobre a sua plataforma eleitoral de defesa dos animais, nobre causa que ele abraçou desde sempre – que não significa, como alegam os detratores, que ele seja infenso aos dramas sociais e humanitários.

Nesse artigo João Pedro demonstra que o bem-estar dos animais de uma região tem estreita relação com a qualidade de vida das pessoas, pois os países de melhor índice de desenvolvimento humano coincidem com aqueles em que são mais respeitados a ecologia, o meio-ambiente, a fauna, os ditos animais domésticos.

Arnaldo Santos, por fim, um ornitófilo assumido, louvou a missão que João Pedro assumiu na defesa dos bichos, tantas vezes vitimados pela sanha humana, pelo capitalismo selvagem, pela insensibilidade com os seres que compartilham conosco a biosfera e que não se podem defender.    


DEDICATÓRIA

A sessão virtual da ACLJ realizada neste domingo, dia 18 de outubro, foi dedicada ao jogador Pelé, aniversariante da semana,  um dos mais ilustres brasileiros de todos os tempos, que a partir da origem pobre e da discriminada negritude elevou o nome do País aos mais altos patamares de conceito mundial. 

As imagens abaixo registram o Pelé em Fortaleza, no início da década de 90, recebido pela Miss Ceará e Miss Brasil Flávia Cavalcanti, pelo artista sônico Raimundo Fagner e pelo jornalista Arnaldo Santos, então assessor do então Prefeito Ciro Gomes. 





domingo, 18 de outubro de 2020

CRÔNICA - Simetria (HE)

 SIMETRIA
Humberto Ellery* 

Eu não sei bem por que, mas nós somos levados a aceitar a simetria com mais facilidade que a assimetria. Não por acaso o maior símbolo da simetria, que nos transmite a noção de equilíbrio, igualdade e justiça, é a balança, cujo ponteiro que certifica a igualdade chama-se “fiel da balança”. Isto é: a nossa busca por simetria exige fidelidade. 

Assim é que nas nossas relações amorosas a sociedade quer os casais  formados entre brancos e brancas, negros e negras, ricos e ricas, bonitos e bonitas, rapazes jovens com moças jovens, e por aí vai. Quem ousar enfrentar o preconceito que surge desse “ordenamento” terá contra si olhares enviesados, maledicências e até agressões.  

Semana passada um jovem de vinte anos que namorava uma quarentona divorciada foi assassinado com fúria por um filho da balzaquiana. Pessoas que conviviam com o casal afirmam que o “garotão” amava sinceramente a “coroa”. Triste. 


Escritores, poetas e cantores têm se dedicado ao tema, inclusive várias lendas povoam o imaginário popular, como “A Bela Adormecida”, cuja versão mais conhecida, dos irmãos Grimm, mostra que a princesa casa com o príncipe, casamento de nobre com nobre.

Já na lenda da Cinderela, em sua versão de Charles Perrault, o príncipe casa com a plebeia dita “gata borralheira”, mas no caso o que se vê é a consagração da exuberante beleza da “gata”.

Ainda no campo das lendas, a que eu mais aprecio é “A Bela e a Fera”, um lindo romance de Gabrielle-Suzanne Barbot, tratado com desdém como uma lenda tola por alguns “intelectuais” exigentes, que não conseguem perceber as mensagens presentes em aparentes banalidades. Eu costumo dizer que “os homens se apaixonam pelo que veem, e as mulheres se apaixonam pelo que ouvem”. Enquanto a Fera (o homem feio) se apaixona pela Bela (a mulher linda), esta se apaixona pelo cavalheiro feio, mas gentil, sensível, inteligente, que a corteja de maneira tão elegante. 

Que linda imagem a Dama de Villeneuve criou! Notadamente quando a Bela diz à Fera que o ama e o homem feio, imediatamente, se transforma, sublinhando com muita emoção o ditado “quem ama o feio, bonito lhe parece”.

Mas existe uma assimetria apreciada por todos, que eu adoro, e que o Rei Roberto Carlos (80 anos) cantou em “O Côncavo e o Convexo”. Aliás, por falar no Rei, ele está namorando a bela cantora capixaba Tamara Angel (27 anos). Mais de cinquenta anos os separam, mas o amor os uniu. 

“Por ser exato / o Amor não cabe em si. / Por ser encantado / o Amor revela-se. Por ser Amor / invade / e fim!”.

Mas aí é o Djavan quem diz.

 

 

 COMENTÁRIO

Muito interessante o tema dessa ótima crônica de Humberto Ellery. Sim, para o amor, em lato sensu, a idade dos amantes, em relação à dos amados, é irrelevante. Mas essa é a regra. A exceção ocorre quando o amor tem cunho erótico-romântico-conjugal.

A paixão dos casais tem inflexões existenciais, sociais e jurídicas mais profundas que o amor dos amigos, que o amor da família, que os amores cósmicos, abstratos, humanitários, difusos. 

O amor eros compele à relação marital, pressupõe exclusividade carnal, presume produção filial, com os seus desdobramentos patrimoniais e sucessórios – fatores que melhor se conciliam entre os casais mais coetâneos, que compartilhem expectativas de vida comuns, nível intelectual maduro, ideários parelhos, e que tenham horizontes profissionais assemelhados. 

No campo sexual, existe uma tese de que homens mais maduros satisfaçam melhor companheiras mais jovens, pela paciência, pelo romantismo e pela ternura que eles aplicam desde os atos “preliminares”, enquanto homens mais jovens estejam mais afeitos ao furor natural das mais veteranas, mais carentes de efetivos resultados. Não sei.  

Mas sei que casais assimétricos – na beleza física (o corcunda Quasímodo e a sua Esmeralda), na origem étnica, na concepção de mundo, na formação intelectual e, principalmente, na idade de cada qual – esses se submetem a perspectivas de grande angústia e de imenso desconforto futuro na relação amorosa que encetarem. 

O risco de que um dos dois se depare e se encante depois com o seu par ideal é bem maior, enquanto, no enfoque etário, a senilidade do parceiro mais velho e a viuvez precoce do mais jovem também são seríssimos receios a racionalizar e considerar. 

O grande professor e jurista cearense Olavo Oliveira (1893-1966) magoou-se com o amigo poeta, policial e jornalista João Alencar Monteiro (1917-1997), que produzira uma matéria de jornal sobre a sua desdita, por ter aquele se casado com uma mulher mais nova e bela, a qual se apaixonou e fugiu com o motorista do casal. 

Anos depois o próprio Alencar Monteiro, meu amigo pessoal e confidente, já aos 90 anos, matou a amante de 18, e cometeu suicídio em seguida, porque ela queria deixá-lo por um jovem pobre como ela.

Reginaldo Vasconcelos

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Soneto Decassilábico Português – Súplica (VM)

 SÚPLICA
Vianney Mesquita*


 

Oremos por uma alma justa e por um corpo são.


Décimo Júnio JUVENAL. [poeta satírico latino. Aquino – Apúlia, aprox.42; Roma, cerca de 125]

 

À visão do ostensório em lausperene
Sob jorge, flautins e violoncelos,
Em vera e religiosa mis èn scène,
A mim se expressam liberais anelos.


Desenredado, forro de libelos,
– De duvidar é este fato indene –
Invadem-me quimeras e castelos,
Em circunstância de anseios infrene.


 

Rogo-Lhe, então, que’este ímpeto serene,
A vigorosa intrepidez coordene
E ajunte paz e vigor paralelos.
 
Por conseguinte, em azo tão solene,
Celeremente, Ele decida e ordene:
Tenham realce os ideais mais belos!

  


ARTIGO - A Constituição Federal Aniversariou (RMR)

A CONSTITUIÇÃO
ANIVERSARIOU
Rui Martinho Rodrigues*

 

As Constituições refletem o pensamento do seu tempo. Desde a Carta Política mexicana de 1917, seguida pela alemã de 1919, a tendência é para formular leis magnas analíticas, regulando mais do que a estrutura do Estado e direitos ligados às liberdades negativas (que limitam o poder do Leviatã sobre os cidadãos), que continuaram sendo rígidas (dificultando emendas) com a finalidade de assegurar alguma estabilidade normativa. Mas estes dois atributos juntos tendem a engessar o ordenamento jurídico e a governabilidade. 

As cartas políticas passaram a positivar princípios que antes serviam principalmente para a colmatação de lacunas da lei (integração do direito). Princípios, porém, admitem inúmeras hipóteses de incidência. A consideração das singularidades do caso concreto para realizar a justiça, alegada para defender o poder discricionário do juiz, contraria a sabedoria salomônica segundo a qual não há nada de novo sob o sol; e o afã de justiça é um conceito indeterminado. Enseja escolhas que deveriam caber ao legislador em nome do sistema de freios e contrapesos.

Passados trinta e dois anos temos 6 emendas revisionais e 108 emendas outras, totalizando 114 alterações da Constituição. A rigidez não trouxe estabilidade. O poder discricionário do STF foi alargado pela abrangência dos princípios positivados na CF/88. O conteúdo analítico e dirigente da CF/88 e a fluidez do conceito de justiça transformaram a citada corte em uma constituinte sem voto. Legislando positivamente (criando lei) o Pretório excelso até criou tipo penal (violando o princípio da reserva legal) por analogia in pejus (outro procedimento proibido).

O ativismo judicial seria limitado, alegam os defensores do neoconstitucionalismo e da Nova Hermenêutica Constitucional, pela obrigação de fundamentar as decisões. Esqueceram-se que sem muitos escrúpulos e com alguma criatividade tudo pode ser “fundamentado”. O resultado: surgiu o tenentismo de toga, sem estabilidade normativa, a governabilidade não foi facilitada e os direitos não foram assegurados.


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

NOTA ACADÊMICA - Sarau Virtual da ACLJ (11.10.2020)

  SARAU VIRTUAL DA ACLJ
(11.10.2020)

   

A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) promovia, nas noites de terça-feira, na casa de bebidas finas Embaixada da Cachaça, um poetry slam, consistente em um pequeno sarau de poesias, prosa poética e performances musicais acústicas ao vivo, segundo uma prática que começou nos EUA e se difundiu pelo Planeta.


   
Mas essa rotina cultural saudável foi interrompida pela pandemia de Covid-19, e então o grupo de habitués passou a se reunir virtualmente nas manhãs de domingo, em que acadêmicos, artistas, intelectuais e poetas em geral, frequentadores daquele reduto boêmio e cultural, matam a saudade e mitigam a carência de convívio, mantendo em atividade a ACLJ, apesar do isolamento social obrigatório.




PARTICIPANTES

Estiveram reunidos na conferência virtual deste domingo 10 participantes. Compareceram, além do Jornalista Almir Gadelha, Comendatário da ACLJ, o Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, a atriz e poetisa Karla Karenina,  o Bibliófilo José Augusto Bezerra, o Teólogo e Psicoterapeuta Júlio Soares, o Juiz de Direito Aluísio Gurgel do Amaral Júnior, o Jurista, Professor e Procurador Federal Edmar Ribeiro, o Físico e Professor Wagner Coelho,  o Ambientalista e Candidato a Vereador João Pedro Gurgel,  e a Advogada, Psicanalista e Poetisa Alana Alencar  todos da ACLJ.




TEMA DE ABERTURA

O Presidente Reginaldo Vasconcelos abriu os trabalhos com o debate sobre o Roteiro Cronológico e Iconográfico dos 10 anos da ACLJ, as Considerações sobre o processo de sua refundação, o Sintagma dos elementos humanos que a comporão, além de Estatuto e Regimento na novel ABLJ, material que foi submetido antecipadamente aos participantes da reunião.

ASSUNTOS ABORDADOS

Aluísio Gurgel aprovou a disposição jurídica do Estatuto e do Regimento, e todos os demais louvaram os documentos compulsados. 

Karla Karenina opinou que fosse explicito no Estatuto a laicidade política e a isenção ideológica da Instituição;

José Augusto Bezerra sugeriu que celebridades do jornalismo e da literatura nacionais não cearenses  fossem contemplados com o patronato de Cadeiras na ABLJ. 

Ficou ainda deliberado que a partir do próximo domingo o horário das reuniões virtuais será  16:00h.

 
PERFORMANCES LITERÁRIAS

Júlio Soares leu um poema e Edmar Ribeiro uma crônica, ambas belíssimas peças. Karla Karenina recitou a letra da canção "Romaria", de Renato Teixeira, em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, citada no poema musicado, cujo dia a ela consagrado transcorre nesta segunda-feira, dia 12 de outubro. 

José Augusto Bezerra, Membro Benemérito da ACLJ, Presidente da Associação Brasileira de Bibliófilos, trouxe, como de hábito, preciosíssimos documentos de sua vasta e preciosa coleção, que foram:

Os três volumes da edição original da obra "Florilégio da Poesia Brasileira", organizada pelo polímata brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878);

O dicionário de latim do monge agostiniano Ambrogio Calepino,  que inaugurou a lexicografia mundial, lançado em 1502; 

O livro manuscrito das Ordenações Filipinas, legislação portuguesa aplicada ao Brasil durante o período colonial; 

Um documento de compra e venda de haveres de uma congregação religiosa, datada de 1546, vazado em português arcaico, com a transcrição para o idioma atual por uma paleógrafa, o documento brasileiro mais antigo.

  

Almir Gadelha recitou o poema bipartite "Tua", de sua autoria, que abaixo transcrevemos:

TUA
 Parte -1


Sou tua,
nua,
do jeito mais belo
e poético de me doar.
Sou tua...
Tua sede,
tua armadura,
sensatez que desabrocha
em cada rasteira
que a vida dá.
Me cuida,
me cura,
sou tua, não vês?
Em carne e mente; estou!
Me perco,
me dou,
eu sou;
tua!

TUA
 Parte -2


Tua boca suave
enobrece meus sentimentos
com os teus beijos;
cachoeira de desejos
que envolve meu coração.
Disfarça tua saudade,
ignora essa distância tão física,
tão amarga,
tão sozinha...
Me despetala como as rosas meninas
do teu jardim.
Me queira bem,
bem-te-vi,
bem te quis,
liz,
flor de Liz.


DEDICATÓRIA

A sessão virtual da ACLJ realizada neste domingo, dia 11 de outubro, foi dedicada a Maria Santíssima, a mãe de Jesus, símbolo sublime da condição feminina e da maternidade virtuosa, na sua feição denominada Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, cuja festa litúrgica decorre neste dia 12 de outubro. 




sexta-feira, 9 de outubro de 2020

ARTIGO - O Homem Cordial (RMR)

 O HOMEM CORDIAL
Rui Martinho Rodrigues*

 

Sérgio Buarque de Holanda (1902 – 1982) cunhou a expressão “homem cordial”, referindo-se aos brasileiros na obra “Raízes do Brasil”. Inspirado no ideal tipo de Maximilian Karl Emil Weber (1864 – 1920). Não é o desejável nem a perfeição platônica do mundo das ideias, mas uma representação que reúne traços de sujeitos diferentes de um grupo ou categoria. Destaca ou exagera de modo caricatural para identificar melhor que a fotografia. 

A cordialidade aludida é condicionada por muitos fatores e a hierarquia social é um deles. Uma roda socialmente heterogênea, incluindo um ex-ministro de Estado, que emita opinião baseado citando um autor de prestígio, não pode ser advertido por um estudioso de menor hierarquia social. Ponderar que o gênio citado é passível de críticas fere a cordialidade. Choca os integrantes da roda, que se dispõem a ensinar o modo cordial de proceder ante o superior.

Peter Burke (1937 – vivo), na obra “A arte da conversação”, diz que a troca de ideias pode servir ao propósito de manter a bola no ar. Acrescentemos: valorizando as declarações do interlocutor, conferindo a elas a importância das coisas que merecem análise e achegas.


Este é o verdadeiro diálogo, considerando que a conversação, para ser agradável, deve ter resposta, mantendo a bola no ar e valorizando o tema introduzido por uma das partes. Deve haver interesse em conhecer as ideias do interlocutor e apresentar as próprias. Não há, no verdadeiro diálogo, a ideia de competição que resulte em vencido e vencedor. Este é o caso do segundo tipo de conversação na classificação de Peter Burke. 

O historiador retrocitado tolera a vontade de brilhar buscada com elegância, que exige conteúdo. Invocar a autoridade em nome das relações sociais não é “excludente de ilicitude”. Amigo de Einstein, que partilhou de sua intimidade, não é autoridade nem pode falar em nome do amigo. Citá-lo significaria dizer “sou das altas rodas”. Rebater a crítica a um autor invocando a estatura do gênio criticado é argumento pífio. Confunde a crítica a um ponto específico da obra do gênio com negação dos seus méritos. 

Aristóteles (385/384 a. C. – 322 a. C.), um dos maiores pensadores de todos os tempos, errou feio ao dizer que os corpos maiores caem mais rápido que os menores. Adoradores do estagirita condenaram Galileu Galilei (1564 – 1642) por contrariá-lo. Originariamente não foi um debate teológico, mas uma divergência acadêmica entre professores da Universidade de Florença. Um deles, crítico de Galileu, invocava Aristóteles entre os seus argumentos, antes de tornar-se Papa e perseguir o colega de quem divergia. 

A autoridade pode ser invocada significando “não sei, sigo fulano”; invocando a comunidade científica a quem cabe validar teorias, sem ser argumento incontestável (ver Thomas Samuel Kuhn “A estrutura das revoluções científicas”); indicando: não sou o único; não estou só; veja explicações em tal obra; e para não usurpar os créditos. Não supre a falta de argumentos e da análise do mérito. Instituições tem as mesmas limitações da citação de autores. 

Pascal Bernardine (1960 – vivo), na obra “Maquiavel Pedagogo”, mostra aspectos muito polêmicos em documentos da ONU, UNESCO e Ministério da Educação da França. Thomas Sowell (1930 – vivo), na obra “Os intelectuais e a sociedade” e Roger Scruton (1944 – 2020), na obra “Os intelectuais da nova esquerda” apontam erros dos pensadores mais prestigiados do mundo. Citá-los serve de indicação de fonte a ser avaliada, não para validar tese. 

Não é assim nas redes sociais. Só nelas?


CRONICA - Paraíso de Águas (VA)

 PARAÍSO DE
ÁGUAS CLARAS
Vicente Alencar*

 

 Maravilhosamente, o Brasil tem uma Costa que dá inveja à maioria dos países do mundo, recebendo a alegria e beleza das águas do Atlântico, e assegurando um movimento turístico magnífico. Dentro desta realidade tão palpável, tão agradável a todos nós, o Nordeste, ou seja, a região de quase uma dezena de Estados, ainda, nos dá o Território de Fernando de Noronha, arquipélago paraíso das águas claras, com 28 quilômetros de área total, ao lado de Pernambuco e, a 678 quilômetros de Fortaleza, ficando mais perto de Natal e Recife, de onde, sempre, partem voos diretos no cultivo do Turismo Nacional. 

É neste Arquipélago de 28 quilômetros quadrados que chegamos. Uma viagem maravilhosa, onde os "cartões postais", vistos durante toda a viagem, pagam qualquer pequeno problema que venha a existir. O que mais nos convida a viver momentos agradáveis é a sua Geografia, com 21 ilhas, ilhotas e rochedos, dois dos quais saltam à vista e, o "Ceará Moleque" batizou de “Fafá de Belém”, por motivos óbvios! A Ilha, principal, com o aconchego de suas pousadas, conta com 17 km2

A Vila dos Remédios é seu Núcleo Central, uma espécie de Capital, onde se comenta, se discute a beleza do lugar, e não se fala muito, pois, estamos ali como “fiscais da Natureza” o que sempre nos diz o Professor Antônio de Albuquerque Sousa Filho, ex-Reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Secretário de 1º e 2º Graus do Mec. Pertencer a esta categoria de "fiscais" é uma maravilha, pois, somos testemunhas das muitas belezas de nosso país, em todas as Regiões. Além do Nordeste, o Sul, o Sudeste e o Centro Oeste nos mostram vários Brasis. Como membro da Associação Brasileira de Radialistas de Turismo (Abratur) posso verificar isso, em todas as viagens. 

Mas, falar de Fernando de Noronha é importante e interessante. Segundo a história, o explorador Fernão Loronha ali esteve, vindo da Europa, entre 1500 e 1502, numa localidade que, em 24 de Setembro, de 1700, portanto 320 anos tenha passado a pertencer, oficialmente, a Portugal, através da Carta Régia  publicada naquele ano. Com o passar do tempo, Fernão passou a ser chamado de Fernando, e Loronha, de Noronha. Coisas criadas pela pronúncia de duas Nações irmãs, com o mesmo idioma. Em 1942, face II Guerra Mundial e o ponto estratégico que é, o Arquipélago tornou-se Território Federal, em nosso país. Desde 1988 vive uma nova realidade com seus 11.720 hectares. 

GOLFINHOS

Seus Golfinhos (stenelle longirostria) no território, preservando tudo que é possível, e minimizando o lixo produzido pelos humanos, com suas espécies endêmicas em destaque, desde 2001, foi reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade.

 

Podemos chamar o local, como muita gente já publicou, de Ilha Ecológica, pois suas 16 praias, distribuídas em 21 localidades,  encantam a todos. Como disse aquela criança a nos perguntar: “Por que chamar o arquipélago de 21 ilhas, se podemos dizer uma só: Ilha Ecológica?” Concordam ou discordam? Nesta viagem de alegria, beleza, cultura e amor, vale tudo, dentro da preservação de um Brasil melhor. 

BELEZAS 

A sua ilha principal que. por sinal, é a única habitada, a ilha do frade, é na verdade, um rochedo aparentando um dedo apontado para o céu, na Praia de Atalaia, também, o Morro do Pico, que serve de guia natural, para os visitantes turistas. 16 praias contornam seus 28 km2 que ocupam dois lados diferentes: o chamado Mar de Dentro, que se volta para o Continente, e o Mar de Fora, olhando para o Atlântico. 

Naquele, estão asa praias que os surfistas adoram: Conceição, Boldró, do Americano, Quixaba e Cacimba de Pedra, bem como a baía do Sancho, uma pequena enseada, onde se alcança seguindo pelas pedras, quando a maré está baixa e colabora, ou, então, descendo por uma escada de ferro. Por ali temos, também, a baía de Santo Antonio, onde estão os restos do navio grego Astúria, que afundou em 1940, além da baía dos Porcos, onde muita gente elogia as piscinas naturais. Neste outro lado – Mar de Fora – a Praia do Atalaia, a Bahia Sueste e a Praia do Leão. 

PARQUE NACIONAL 

O Parque Nacional Marinho tem, para todos os visitantes, uma taxa cobrada pelo Ibama, que é paga no desembarque e é progressiva, de acordo com os dias passados no local. As pousadas são as próprias Casas dos nativos, com algumas melhorias. Você pode desfrutar as duas estações: o verão – de setembro a janeiro e o inverno – de fevereiro a agosto, num clima, geralmente, seco. As águas são calmas e transparentes nas duas estações, numa região com a maioria dos meses verdes e agradáveis. Viajar a Fernando de Noronha é viver um Brasil menino, onde podemos acompanhar o Projeto Tamar, cuidando da reprodução dos animais marinhos, estimulando o Turismo Ecológico, nos mostrando pesquisas sobre tubarões, além das trilhas ecológicas e históricas, com a presença, sempre necessária, dos Guias. Para quem pratica o mergulho, o Arquipélago é plenamente agradável. Como foi para mim, uma boa viagem para todos. 


BIBLIOGRAFIA

DUARTE, Leite – 1923 – O mais antigo mapa do Brasil – História da Colonização Portuguesa no Brasil. Vol II, Pág 221-81. ROUKEMA, E – 1963 – Brazil in the Cautino MAP, Imago mundi, Vol 17, Pag 7-16.

Consultas:

Fernando de Noronha no IBGE Cidades.
Fernando de Noronha no tripAdvison.
“Anais do Mar” – Considerações e criação da Base Naval de Fernando de Noronha. Ed: Brazil Nevy and Army, 1936.



domingo, 4 de outubro de 2020

Soneto Decassilábico Português – Estória de Pescador (VM)

 ESTÓRIA DE PESCADOR
Vianney Mesquita*

 

Deixa sempre pender o anzol: onde menos esperares haverá peixe beliscando. PÚBLIO OVÍDIO NASÃO.

[Poeta romano. Sulmona, 20.3.43 a.t.c.; Constanza – Romênia, 16 d.t.c. – depois do tempo comum].

 

Vês este Orós, Ontário, Lago Aral,
Vostok palmaciano, Castanhão,
Paranoá, Superior, Baikal,
Corpo d’água gigante do Japão.
 
Neste meu Titicaca, há, de montão,
Ariranha, bodó, corró, piau,
Truta, robalo, garoupa, esturjão,
Tucunaré, traíra e bacalhau.

 
De uma pesca abundante – assim nomeio 
(Lucas cinco, até onze, perde é feio!)
Cento e dez comilões jantam. Tranquilo!
 
Aqui – pasmem!  Peguei num veraneio
Um jacundá de dois metros e meio
E uma piaba com mais de um quilo.



COMENTÁRIO

Fenomenal a verve satírica, assim como lírica, desde nosso inspirado confrade Vianney. O Blog postou três sonetos, um por semana, que ele produziu a respeito de um feriado que desfrutou, em sítio do ramo Mattos Dourado da sua família, na montanha palmaciana. Três catitas peças literárias, expressando a sua gratidão pela acolhida que obteve, além de exalar o ar telúrico do ambiente. Soberbo!

Reginaldo Vasconcelos   

 

ARTIGO - Por Que os Candidatos se Preocupam Tanto com o Número (JPG)

POR QUE OS CANDIDATOS
SE PREOCUPAM TANTO COM O NÚMERO
(E POR QUE NÃO DEVERIAM FAZER ISSO)
João Pedro Gurgel*

O período eleitoral começou. Como de praxe, muitos candidatos apressam-se.  Correm às gráficas. Aos seus produtores de conteúdo e tudo mais na busca frenética e delineada de seus nome e número. Como se tudo dependesse disso. Mas será que deveria depender? 

Há alguns anos, Simon Sinek, renomado autor britânico, trouxe ao debate um tema muito importante, que revolucionou inclusive a organização das grandes empresas. Simon falou sobre motivação. O porquê. E assim nasceu uma de suas ideias mais famosas: “comece pelo porquê”. Simon defende que o maior erro das pessoas está em não achar um propósito. Uma ideia que transmita empatia. Sinceridade. Que motive de fato as pessoas a agirem. 

Vejo que isso não é diferente com a política. Muitos dos candidatos ultra-mega-hiper focam em promover suas campanhas, mesmo sem uma razão bem definida. Escancaram seu número e nome como se somente esse binômio fosse o que de fato representa um representante. Uma espécie de verborragia colorida que só ajuda o eleitor a ter mais raiva da política tradicional. 


Falta quem se preocupe com o porquê. Uma candidatura política, em fato, deveria emergir da preocupação sincera para com o próximo. O olhar atento ao outro. O ouvido atento ao outro. À cidade. Aos problemas que a comunidade precisa enfrentar. Pensar. Resolver. Isso é muito mais complexo e maduro do que simplesmente escancarar um número qualquer, com nome qualquer e se fazer líder de um povo “goela abaixo”.

Há um porquê em cada esquina. Nossa sociedade tem muitos problemas sérios, tais como a desigualdade social, o descaso para com o meio ambiente e tantos outros. No meio dessa infinidade de problemas, o candidato que se preocupa com seu nome e número revela que não se preocupa um porquê além de si.  E talvez seja esse o motivo por que ele não mereça seu voto. Seu voto merece um porquê. E isso é muito maior que um nome. Ou um número.