terça-feira, 7 de junho de 2016

LÍNGUA PORTUGUESA - Estrangeirismo (IG)

LÍNGUA PORTUGUESA

ESTRANGEIRISMOS:
Entre a Assimilação Crítica
e a Rejeição Peremptória

Ítalo Gurgel



ACIONE O LINK ABAIXO

https://drive.google.com/open?id=0Bx-xOpAW_-3MSFlhOFdUSlNoTFB2RnhXRmJJTWowOEs5X2Jn




COMENTÁRIOS:

1. Certamente nada haveria a temer em incorporar ao nosso universo intelectual essa grande e variada contribuição das outras línguas, se tal apropriação acontecesse, por escolha (não por imposição), no domínio estrito de quem as adota, como adornamento estilístico ou, simplesmente, como abrilhantamento cultural.

Já começamos a ouvir (igual como em todos os meses de junho) com perfeita naturalidade os "en avant", e "em arrier" das quadrilhas, pois cientes de que preservam a tradição francesa, que se apropriou elevou à condição de destaque essa contradança de origem holandesa.

Nada de especial até aí, visto que a nossa língua, também, em algum momento, se faz presente no âmbito de outras. Há que se temer (e deplorar), no entanto, quando sucumbe sentimento do uso dos estrangeirismos como importação, e com ele, também, o mínimo cuidado com a Língua-mãe. Quando é “moderno” e encomendar o "sousplat", sem saber que é apenas o anteparo para o prato.

Releve-se, portanto, pelo zelo, pela qualidade e pela propriedade, o texto do amigo acadêmico da ACLP, Ítalo Gurgel, a quem saúdo com afirmação de saudade e o melhor dos abraços.

Geraldo Jesuino

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2. Creio ser necessária a preservação da cultura vernácula, na medida do possível, para que a integridade histórica, e mesmo a personalidade afetiva dos povos se conservem, dando referenciais e variações aos diferentes modos de pensar e de viver dos grupos sociais, ao longo do tempo, que se refletem no seu particular modo de falar e de dizer.

Faço uma analogia simples, de cunho estético e de cunho prático, para que fique clara a importância de se manter as diferenças culturais, inclusive e principalmente no que concerne aos idiomas.

O espectro cromático que o olho humano percebe consta de apenas quatro cores – o amarelo, o azul e o vermelho, incluindo o branco, que é a fusão de todas elas, e sem contar o preto, que é a ausência total de pigmento.

Ao se combinar o amarelo com o azul se obtém outro valor – o verde, e da variegada combinação de todas as outras se compõe todo o universo visual. Então, é importante que novos matizes se produzam, em prol da beleza e da referência espacial – desde que as cores básicas e originais fiquem incólumes.

Um mundo imaginário em que todas as línguas se confundam e simplifiquem numa só, e em que todas as raças humanas se miscigenem em um mesmo padrão físico, e em que a culinária seja igual na Noruega e no Gabão, na China e na Austrália, eu comparo a um outro triste mundo fabular em que todas as cores se misturem e em que tudo seja branco.

Então, embora seja inelutável que haja contribuições idiomáticas entre os códigos linguísticos, e que isso termine por dar origem ao marrom e ao lilás, ao magenta e ao grená – ou seja – aos sotaques, às gírias, aos jargões, aos dialetos, e, ao longo dos séculos, originem línguas novas, cada idioma deve sim se restringir ao mínimo de estrangeirismos necessários, e somente aos necessários.

Reginaldo Vasconcelos      

LÍNGUA PORTUGUESA - Estrangeirismos (VM)


ESTRANGEIRISMOS INVASORES DA LÍNGUA PORTUGUESA, EM TEXTO DE ÍTALO GURGEL
Vianney Mesquita*


A língua é um instrumento cujas molas não convém deixemos ranger. (Antoine de RIVAROL, escritor francês. 20.06.1753-11.04.1801).


Nas últimas segundas-feiras de cada mês, de março a novembro, reúne-se ordinariamente e com regular comparência de árcades, muitas vezes, também, de convidados de outras instituições congêneres, a Academia Cearense da Língua Portuguesa, instituto cultural e científico do Estado, há 40 anos em pleno funcionamento e sem intermitência.

Em repetido mandato, preside o Sodalício o Prof. Sebastião Valdemir Mourão, natural do Ipu, docente reformado das cátedras da Universidade Estadual do Ceará e do sistema particular, cuja recondução resultou de um trabalho diligente exercido no primeiro período de sua Presidência – biênio 2014-2015.

Neste comenos, realizou-se a custosa tarefa de reforma de Estatuto/Regimento institucionais; e, mui especialmente, foram estreitadas as relações com entidades similares e setores do Ensino Médio de Fortaleza, entre outras atitudes de desvelo conducentes ao crescimento da Academia, somente operadas sob a diretiva de um intelectual comprometido com a causa da Dvlcisonam et canoram lingvam cano, motivo por que todos lhe devotam benquerença e lhe consagram amizade.

Dentre os diversos módulos da sessão ordinária mensal, como, por exemplo, a rotina administrativa, o Presidente instituiu o segmento denominado Hora do Vernáculo, ocasião em que os acadêmicos, bem previamente agendados, às vezes até três em cada reunião, trazem à colação assuntos polêmicos, curiosos e temas controversos de língua portuguesa. Esses, então, restam debatidos, ficando os juízos lecionados bem assentes e aceitos pelos circunstantes, afluindo-se, no termo da reunião, e no caso de vexata questio – questão controvertida – o acordo, quase sempre global, em relação ao que foi explanado e explicado pelo defensor do ponto, considerando, evidentemente, as razões por este aduzidas com a exata propriedade.

São habituais relatores da citada temática, entre outros, o mencionado Prof. Valdemir Mourão; o acadêmico e mestre maior, Prof. Dr. Francisco Tarcísio Cavalcante, da UFC; o melhor docente (vivo) de Português do Ceará, para mim, Mestre Myrson Lima, meu consultor padrão-ouro, ex-docente do IFCE e UECE; e, vez outra, este comentarista, cujos pontos defendidos nas sessões da ACLP são, via de regra, publicados neste jornal eletrônico. (Acesse, por exemplo, “Remédio para Barata” e “Modismos e Bobices do Discurso Verbal”, ambos escritos sustentados na citada Hora do Vernáculo).

A derradeira conferência foi sustida pelo Prof. Ítalo Gurgel, da UFC, docente de Língua e Literatura Francesa, versado em Português, escritor, ensaísta e linguista de escol, jornalista da melhor crase, pertencente à fina flor da intelectualidade cearense, que honra a cátedra do Silogeu, patroneada pelo filólogo sergipano João Ribeiro.

Ele se reportou, em texto limpo, honesto, correto e sobriamente erudito, acerca das necessidades naturais e desnecessidades e exageros da importação de termos e expressões alienígenas, com a adução de exemplos a mancheias, trazidos de códigos glossológicos ocidentais e orientais, fato demonstrativo do seu preparo intelectivo, neste e noutros terrenos, também.

Fê-lo, entretanto, como observara o aqui mencionado professor Myrson Lima, ao cabo da conferência, com a cautela dos preceptores expeditos, sem críticas acerbas nem defesas gratuitas, com a isenção de um perito, não receptivo, ipso facto, à angária de simpatias, tampouco exposto a aversões.

Aproveite, pois, leitor, estas lições, expressas no módulo seguinte desta folha, bastando acionar o elemento de hipermídia que está no conjunto gráfico apontado – isto é, nada mais do que o estrangeirismo link.
       

Bom proveito.




POESIA - Inimaginável (VA)


INIMAGINÁVEL
Vicente Alencar*

Os dias ficaram amarelos!
Desbotaram de saudade
de um amor presente
embora ausente.

Os olhos ficaram
cheios d'agua
quando tomados
pela emoção
te enxergaram.

Nunca imaginei
que a dor
fosse tanta,
pois, nunca pensei
que sofreria como hoje.

Os dias ficaram amarelos...




ARTIGO - Nevoeiro e Baixa Visibilidade (RMR)


NEVOEIRO E BAIXA VISIBILIDADE
Rui Martinho Rodrigues*


Os acontecimentos frenéticos da Lava Jato, somados às diversas crises superpostas, afetando os campos econômico, moral e político restringem a visibilidade necessária às conjecturas prospectivas. Não sabemos, ao fim e ao cabo, quem sobreviverá; que novas lideranças emergirão dos escombros; se agremiações políticas serão destruídas ou sobreviverão; e quais serão as possíveis mudanças institucionais. Temos um nevoeiro de baixa visibilidade na vida pública. Não sabemos se as instituições sairão mais fortes ou fragilizadas. Os limites da judicialização da política, inevitavelmente associado à politização do Judiciário, ainda não estão definidos. Não sabemos sequer se a ordem jurídica e política sobreviverá.

Todos vislumbram uma faxina em regra. Os novos meios de investigação de que dispõe a polícia técnica, seja na forma de gravações, grampos, rastros eletrônicos de transações financeiras, abertura dos sigilos bancários nos paraísos fiscais mediante precatório e, principalmente, o direito premial, que oferece sedutoras oportunidades de barganha, ensejando a quebra da “lei do silêncio” reinante nas organizações do tipo mafioso. Apesar do nevoeiro, a corrupção certamente se tornará uma atividade cujos riscos serão cada vez mais altos.

A visão maniqueísta da política dividia os homens públicos e os partidos em dois grupos: o dos heróis virtuosos e o dos vilões. Agora parece destinada ao museu dos equívocos lamentáveis. Os problemas nacionais podiam ser solucionados pela vontade política, mas o voluntarismo não foi suficiente. Equívoco ou falta de vontade virtuosa?

Vislumbramos ainda, em meio ao denso nevoeiro, dias mais difíceis para as promessas de milagre econômico, entendendo-se como tal o aumento da renda sem aumento da produtividade; consumo sem renda, baseado sobretudo no endividamento; gastos públicos crescendo mais rápido do que a economia; e investimento sem poupança. O aparente sucesso realizado nestas circunstâncias, na forma apresentada como crescimento da classe média e do consumo de bens e serviços, conforme demonstrado pela profunda crise assim produzida, não tem sustentação, não se mantém a médio prazo.

Não existe almoço de graça, conforme adverte o mestre de Chicago, Milton Friedman. É possível que, pelo menos por uns tempos, fique mais difícil enganar a muitos por todo o tempo, embora certamente continuará possível enganar alguns todo tempo, como diria Lincoln.

Fala-se, com temor, na possibilidade do advento de um aventureiro, que ocuparia o espaço deixado pelas lideranças e partidos desmoralizados. 

Personalidades que se tornaram notórias no cumprimento do dever, combatendo a corrupção no exercício da judicatura, seriam os possíveis estranhos no ninho da política: juiz Sérgio Moro e o ex-ministro Joaquim Barbosa são os nomes mais lembrados nas cogitações desta linha de raciocínio. Não existem indícios, até agora, de que as personagens citadas se encaminhem para a política. Nem é certo que seriam imbatíveis. Mas se o fizerem dentro do jogo democrático não há o que recriminar.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

sábado, 4 de junho de 2016

NOTA ACADÊMICA - Evaldo Gouveia na Tenda Árabe


EVALDO GOUVEIA
NA
TENDA ÁRABE

O grande compositor cearense Evaldo Gouveia,  Membro Benemérito da ACLJ, do alto dos seus 84 anos, visitou a Tenda Árabe neste sábado, acompanhado da sua consorte, a advogada e cantora Liduina Lessa, onde jantou entre acadêmicos acelejanos.


Em torno dele o Presidente Emérito Rui Martinho Rodrigues, o Presidente Reginaldo Vasconcelos, o Secretário Vicente Alencar e o poeta Paulo Ximenes, Tesoureiro da entidade.

Evaldo, que passa grande parte do ano entre Rio e São Paulo, onde administra os imóveis da sua imobiliária, veio a Fortaleza participar do show “Grande Nomes da Música Cearense”, que integrou a programação de maio no Cineteatro São Luiz, com toda a renda revertida para o Lar Torres de Melo.

Além de Evaldo e Raimundo Fagner, participaram do show o violonista Nonato Luiz e os cantores Rodger Rogério, Pingo de Fortaleza, Calé Alencar, Teti e convidados, Amaro Pena e Liduína Lessa. A produção e a direção foram de Ulysses Gaspar, um projeto aprovado na Lei do Mecenato Estadual.

Após o jantar foi feita a leitura da biografia de Evaldo Gouveia, E a Vida Continua, produzida pelo Conselho Editorial da ACLJ para a sua revista e para o seu Blog oficial, resultado de longas e inúmeras entrevistas prestadas pelo biografado para este fim, na própria Tenda Árabe, em 2013.

O compositor e sua mulher apreciaram o texto sobremaneira, confirmando a completa e prefeita apreensão de toda a narrativa que fez aos organizadores da obra, e elogiando a linguagem literária, e até lírica, com que a sua história está contada.  

POEMA - Olhares (VA)

OLHARES
Vicente Alencar*


Nos teus olhos,
eu senti o brilho
da vida
voltado para mim.
Senti que
não havia nada mais
belo e estranho
para meu coração enamorado.
Tu me olhavas sem fazer
perguntas.
Não precisavas falar.
Eu compreendia tudo que
vinha da tua tez morena
nos olhos reluzentes.
Havia um sorriso, havia um poema,
havia muito mais que um
simples olhar.
Hava um chamamento de amor,
havia um derramamento de cor,
de paixão.
Também de dor, pois não podia
ser como eu queria, como tu querias,
como nós queríamos.
Mas, meus olhos fitavam os teus olhos
e tinham respostas para todas as
perguntas.
E todas elas continham as
interrogações
sobre  nosso amor.




CRÔNICA - A Nossa Fortaleza (TL)

A NOSSA FORTALEZA
Totonho Laprovítera*



Sou nascido e criado em Fortaleza. Conheço a minha cidade desde quando ela tinha uns 600 mil habitantes e todos se reconheciam. Quando menino, brinquei muito na rua. Jogava bola, soltava arraia, passeava de bicicleta e circulava livremente por onde bem entendesse. Medo, só o de mordida de cachorro e olhe lá.

Andava de ônibus sozinho, comprava picolé fiado do velho doceiro Tapioca e atentava aos gritos de “Vai doce americano!” do negão que anunciava as coloridas (verde, rosa e branco) guloseimas. 

Menino véi, quantas vezes fui sozinho ao Centro da cidade cortar o cabelo com o Seu Chicó, assistir filmes nos cines São Luiz e Diogo, merendar na Loja de Variedades, Lobrás, Miscelânea e Top's, comprar jornal do Rio na banca do Bodinho, do Paulinho, e os lia, ainda, nos bancos de ferro rebuscado, com alinhadas réguas de madeira, da Praça do Ferreira.

Na bodega do Milson, na Aldeota, perto da minha casa, nem conto as vezes que fui comprar chiclete, bombom ou tomar refrigerante.

Lembro demais do meu pai deixar o carro aberto, quer fosse estacionado na rua de casa ou perto do seu consultório, na Barão do Rio Branco com Liberato Barroso, para não esquentar muito.

Já adolescente, com a precoce turma de amigos, jogava sinuca no Campo do América e, de quebra, tomava umas amargas e geladas cervejas. Comprava cigarro, muitas vezes a retalho, e os guardava na meia para esconder de algum filão. Na época, era bonito fumar e beber.

Quando das tertúlias, eu voltava a pé pra casa, serenamente, pelo meio da rua. Ia dançar no Patinação e nas festas em quase todos os clubes suburbanos da cidade. Ia às barracas da Praia do Futuro e aos cabarés da Rua Dragão do Mar e cercanias. Cansava de encerrar as puxadas noitadas no bar Sereia, do Deó, onde se tomava um excelente caldo de peixe.

Já na faculdade, eu frequentava vários bares da Gentilândia e comprava fiado e na palavra os livros do Seu Rodriguez, um livreiro espanhol merecedor de homenagem dos antigos estudantes de arquitetura da UFC.

Nesse tempo, a tranquilidade era tanta, chega, certa vez, depois de uma festa no início do Obá-Obá, lá pelas bandas então longínquas da Unifor, quando eu ia embora, o guardador de carro me gritou: “Ei, sua carteira tá em cima da capota do carro!” Em gesto de agradecimento, fui gratificá-lo e ele me disse: “Precisa não, você já me deu gorjeta”.

Até casar, eu morei na casa da Rua Tibúrcio Cavalcante, no quieto Bairro Aldeota, quando se ouvia o vendedor de carne, montado em seu cavalo, bater na caixa de madeira e anunciar: “Carne e figo!”. Também morei no duplex da Avenida Desembargador Moreira e no apartamento da esquina das ruas Silva Jataí com Visconde de Mauá, no Bairro Meireles, de onde se ouvia o apito dos navios e o brado dos pescadores de “Vai peixe fresco!”.

Pois é, sem ou com saudosismo, eu tenho a certeza de que Fortaleza ainda vai voltar a ser romântica, saudável e bem-aventurada. A sua inocência, perdida pelas patologias das cidades grandes, se Deus quiser, vai ser suprida pela maturidade de quem já viveu o bom e o ruim. Muitas coisas são demasiadamente doídas, eu sei, mas, se inevitáveis, que nos sirvam de lição para amadurecermos a ideia de que o valor da vida está na sua boa qualidade. Afinal de contas, a gente veio ao mundo para ser feliz!




COMENTÁRIO:

Estreia com o pé direito em nosso Blog o confrade Totonho Laprovitera, com essa bela crônica saudosista, que revela o grande memorialista que ele será quando quiser enfrentar obra de fôlego nesse gênero, a exemplo do nosso Membro Titular Emérito Augusto Borges, e o nosso Honorário Veterano Narcélio Limaverde.

E ousa aplicar o cearensês livre de aspas, como na expressão “menino véi”, e dos regionalismos “bodega” e “turma”. Aliás, “turma” já era a forma elegante do termo “negada”, ainda mais alencarino, ambos os usos substituídos hoje pelo carioquismo “galera”, relativo às galerias do Estádio Maracanã, que a TV disseminou no Brasil inteiro.

E Totonho não se peja de aplicar a preposição coloquial “chega”, que eu só vira antes nas doçuras frasais de Lins do Rego, como no exemplo do Eurélio, em Banguê: “E a peia no lombo, chega cantava de longe”.

Conheci quase todos os personagens e referenciais de época a que Totonho se reporta – e principalmente os pregões que ele relembra – e que não voltam mais, como se queixa em relação a Lisboa aquele fado português.

Reginaldo Vasconcelos


sexta-feira, 3 de junho de 2016

5° Assembleia Aniversária da ACLJ - Entrevista Para TV Diário








COMENTÁRIO:

Excelente reportagem!

Altino Farias

NOTA FÚNEBRE - Morre José Telles


MORRE JOSÉ TELLES

Faleceu ontem (02.06.16) em Fortaleza, aos 73 anos, em decorrência de um câncer de pâncreas, o poeta e médico anestesiologista José Telles, Diretor Cultural do Ideal Clube de Fortaleza e titular da Cadeira de nº 34 da Academia Cearense de Letras.

Homem franco e aparentemente sisudo, marcava o caráter de José Telles a disposição para ajudar, para servir, sempre prestativo com quem o procurasse, sempre pronto a colaborar e a socorrer – fosse na sua atividade médica, fosse no campo cultural.

Nos seus primeiros anos de existência, a ACLJ recorreu ao Telles muitas vezes, solicitando espaços do Ideal Clube para noites de autógrafos de livros de acadêmicos, exposições de artes plásticas que promoveu, e até a posse do Membro Titular Wilson Ibiapina, que, sob os auspícios de José Telles, ocorreu no chamado Terraço da Cultura do Ideal, em 2013.

A ACLJ esteve presente ao velório do grande médico e poeta, na manhã de hoje (03.06.16) no salão nobre do Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras, ali representada pelo seu Presidente em Exercício, Reginaldo Vasconcelos e pelo 2º Secretário Vicente Alencar, estando também presentes o nosso Membro Benemérito Lúcio Alcântara e o Membro Honorário Durval Aires Filho, que também são imortais da ACL.

Falaram em nome da ACL o seu Presidente, José Wilson Bezerra e, em nome dos acadêmicos, Juarez Leitão, que fez de improviso uma longa, comovida e belíssima oratória. Pronunciou-se pelo Ideal Clube o seu Presidente, Amarílio Cavalcante Júnior.

A família do falecido recomendou que não se fizessem manifestações religiosas, por orientação dele próprio (que era agnóstico), mas assim mesmo o Presidente Reginaldo Vasconcelos o homenageou dizendo o Padre Nosso em latim, para seguir uma tradição da ACLJ, que dessa maneira vem saudando diante do féretro os mais grados literatos que falecem.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

ARTIGO - Limites da Direito Premial (RMR)


LIMITES DO DIREITO PREMIAL
Rui Martinho Rodrigues*


Penas são instrumento de proteção de certos bens jurídicos. Apenar o furto ou o homicídio visa proteger, respectivamente, o patrimônio e a vida. Condutas favoráveis aos interesses sociais, por outro lado, são estimuladas pelo direito premial. É o que acontece com quem colabora com a Justiça, se a contribuição for válida. Réus podem ser assim beneficiados, dentro de certos limites. As restrições legais são as únicas autorizadas a impor obrigações. Subsistem, todavia, considerações de natureza ética.

O Ministério Público (MP) pode e deve barganhar com a parte interessada, oferecendo as vantagens permitidas por lei. Não há barganha sem trunfo. Nada obsta que a prisão legítima seja a moeda de troca na negociação com réu, quer esteja ele solto ou legitimamente preso. O que se poderia discutir seria a legitimidade da prisão, para que esta não seja ad hoc. Esta é uma reserva de natureza ética. Satisfeita esta exigência é legítima a barganha entre o MP e o réu.

A atitude do réu em face dos seus cúmplices, por sua vez, há de ter limites. Os cúmplices consideram traição a colaboração com a justiça, daí o uso do vocábulo delação. Traição, para Plácido e Silva, designa modo pérfido, insidioso, falso, meio enganoso, entre outras coisas. A colaboração com a Justiça só é pérfida e ignominiosa quando for, desde início, o desiderato da conduta, de modo que esta não existiria sem a finalidade de trair. Procurar o parceiro de crimes pretéritos com a finalidade de produzir provas contra o cúmplice caracteriza aquela traição adjetivada pelo dicionarista citado como meio pérfido, podemos acrescentar: abjeto.

A quebra da confiança entre os coautores, quando decorrente de fato superveniente às práticas delituosas, configura transgressão à solidariedade com o crime relatado, com os coautores prejudicados, a solidariedade ferida é aquela do tipo mafioso. Temos neste caso, uma colaboração com a justiça que tanto é legal como é ética, porque a confiança quebrada é aquela do tipo criminoso e em decorrência de fato superveniente. Provas assim obtidas, se confirmadas por investigação complementar, indubitavelmente é prova legal e moralmente válida.

Colaboração resultante de uma conduta na qual o réu tinha, desde o início, o objetivo de induzir o parceiro a produzir provas contra ele mesmo, configurando procedimento ad hoc, ao modo do estelionatário, obtendo resultado mediante conduta enganosa, além do repúdio moral não pode ser considerada juridicamente legítima, por ter induzido o cúmplice à prática da autoincriminação e por configurar deslealdade processual.

As consequências políticas, todavia, são inevitáveis. A sociedade não pode ignorar procedimentos criminosos dos seus agentes públicos. São consequências legítimas das provas obtidas por meios ilícitos e imorais o repúdio, em juízo político, aos criminosos assim desmascarados. Por isso o dito juízo político, é expressão da soberania popular, que pode e deve condenar com muito mais liberdade do que o processo jurídico de natureza penal. As casas legislativas e os eleitores podem e devem fazer o que não deve ser permitido ao Judiciário.


CRÔNICA - A Mobilidade Urbana na Belíndia (AF)

A Mobilidade Urbana
na Belíndia
 Altino Farias*

Moro no Bairro Papicu, entre o Shopping Rio Mar e a Avenida Alberto Sá. Portanto, moro onde moram muitos. Nesta manhã, por volta das 7:00 horas, nossa secretária do lar foi assaltada no trajeto de duas quadras que separam a parada do ônibus do prédio em que resido. 

O marginal subtraiu-lhe celular e carteira com documentos, incluindo cartão da assistência médica, do qual ela precisaria hoje para um exame, bem como quantia em dinheiro para custear parte dito exame, que seu plano, barato e limitado, tem cobertura parcial. Este não foi o primeiro assalto que ela sofreu, e lamento dizer que dificilmente será o último. Ela já foi assaltada, inclusive, dentro do coletivo, mais de uma vez.

O direito de ir e vir – e em segurança – faz parte das liberdades individuais do cidadão brasileiro. Meus filhos, quando adolescentes, passaram a querer usufruir desse direito, queriam uma liberdade um pouco distante da vista dos pais. Ambos sofreram assaltos e tiveram de recuar, agradecendo nossa boa vontade (dos pais) em apanhá-los e deixá-los aonde quisessem. Dezoito anos completados, não teve jeito, carro na mão para cada um, mesmo que as posses da família não comportassem, com conforto, tais despesas.

Mobilidade urbana na moda, tenta-se transformar várias cidades do país em cidades do primeiro mundo, onde a educação e cultura permitiram que se atingisse um estado de bem-estar social estável e tranquilo, com uma infraestrutura de serviços à população consolidada e eficiente. Aqui, se não criminalizaram (ainda) o uso do carro particular, recriminam-no. Mas como? Moro a duas quadras do mais novo big shopping da cidade e tenho de ir de carro até lá, sob pena de vir a ser assassinado nesse breve percurso.

Nos anos 80 usou-se muito a palavra “Belíndia” para designar o Brasil. Desejava-se para o País o bem estar social da Bélgica, com a infraestrutura de uma Índia daquela época. A equação do equilíbrio social, obviamente, não fechou!

Hoje, pretende-se e se promete uma série de providências importantes, sem sequer explicar ao cidadão como o Estado fará bloquear ligações de celulares a partir de presídios, evitando que chefões presos continuem mandando no crime organizado de dentro das penitenciárias.

Então, antes de se falar em mobilidade urbana e coisas do gênero, deve-se falar em segurança pública, e todos os fatores que exercem influência sobre a disseminação do crime e da violência no seio de nossa sociedade. Caso contrário, sugiro mudarmos definitivamente de Brasil para Belíndia, e fim. Tudo resolvido!



COMENTÁRIO:

Lastimo, meu caro amigo, mas, desgraçadamente, esta é a única verdade que nos é permitido reconhecer neste atual e combalido País. Instituições engessadas, cegas, inertes, coniventes ou oportunistas brilham nas propagandas, se escondem no escuro real da incompetência, e largam o País à deriva.

Geraldo Jesuino



quarta-feira, 1 de junho de 2016

ARTIGO CIENTÍFICO (VM)


TERCEIRO GRAU - VESTIBULAR:
POUCA DIFERENÇA EM
30 ANOS DE HISTÓRIA
Vianney Mesquita


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NOTA DE ESCLARECIMENTO - Encontro Fortuito


ENCONTRO FORTUITO

Compareceram à última assembleia aniversária da ACLJ o empresário Beto Studart, Presidente da Federação das Indústrias, para descerrar uma pintura retratando o seu antepassado Barão de Studart, e o radialista Ely Aguiar, para receber o título de melhor repórter policial do ano passado, que a nossa entidade lhe outorgou.

Setores da imprensa e a rede social, como o Blog do Roberto Moreira, do Portal do Diário do Nordeste, repercutiram o evento lhe emprestando conotação política, em virtude de Ely Aguiar ser deputado estadual e presidente de partido, e Beto Studart já haver concorrido em eleições, e presuntivamente nutrir ambições políticas. Todavia, a ACLJ é instituição laica, que não se compadece de política partidária.

A homenagem prestada ao radialista pela ACLJ não considerou a sua atuação parlamentar, pois foi dirigida unicamente à maneira a um só tempo austera e bem-humorada com que ele apresenta o seu programa de TV, informando objetiva e criticamente, e fazendo humor a sério, em vez de apelar para o sensacionalismo exacerbado, ao contrário do que fazem alguns, ou de se entregar ao escracho absoluto, diferentemente do que fazem outros tantos.

Por exemplo, Ely Aguiar prima em aplicar ao microfone termos do dialeto sertanejo e do tradicional e característico linguajar cearense, mas ao fazê-lo não se comporta como o homem culto que debocha dos simples, mas como o homem simples que se aculturou e graduou, entretanto reconhece a importância de se preservarem as raízes e variações idiomáticas, respeitando e cultuando os regionalismos como importantes valores populares, como fazia em seus versos o Patativa do Assaré.

Beto Studart, por seu turno, que é Membro Benemérito da ACLJ, estava presente à solenidade para inaugurar o retrato do médico e historiador Guilherme Studart, o Barão de Studart, obra patrocinada pelo Grupo Empresarial que ele preside, produzida para compor a Galeria dos Patronos Perpétuos da nossa entidade. 

O encontro foi, portanto, absolutamente aleatório. Um não sabia previamente da presença do outro. Nós focamos nos seres humanos, e naquilo que eles fazem pela cultura ou pela imprensa cearenses, e não no personagem político, social e profissional que eventualmente representem.  

A EDITORIA