sexta-feira, 13 de maio de 2016

APRECIAÇÃO LITERÁRIA - Brumas (VM)



O EMARANHADO EXPEDIENTE DO CONTO E AS APTIDÕES DE GERALDO JESUÍNO
Vianney Mesquita*

       
O tempo, apesar da sua velocidade, move-se lentamente para aquele        cuja preocupação é vê-lo passar.  (SAMUEL JOHNSON-Crítico literário e escritor eclético inglês. 18.09.1709 – 13.12.1884).


1 INTRODUÇÃO

Lembro-me, cristalinamente – no começo das Edições UFC, produtora editorial instituída pelo Reitor Paulo Elpídio de Meneses Neto, no final dos anos 1980 – do professor Geraldo Jesuino trabalhando capas e seções editoriais, por exemplo, de Os Doze Parafusos e Dizem que os Cães Veem Coisas, procedentes de um dos maiores contistas do Mundo – Moreira Campos, entre tantos outros, glória da literatura do nosso Estado.

E ele o fazia para muitos literatos excepcionais, bons, sofríveis e maus, demandantes da Imprensa Universitária, a fim de submeterem suas produções àquele, já então, mestre dos haveres plásticos, insuperável – exprimo sem receio – em virtude, principalmente, da simbiose necessariamente por ele estabelecida com o tema objeto da representação estética configurada no invólucro do produto.

Tal intenta expressar o fato de GJ não se atrever, já então, como se fora mero pintor de paredes – sem o estudo procedido de adrede – a concertar a toga do livro para se mostrar devidamente caiada, no entanto, sem qualquer liame com sua proposição sob o prisma do gênero e o espectro do enredo ou do estro, somente para se desincumbir mecanicamente do seu cometimento de operador gráfico.

Modus operandi semelhante a este, absolutamente responsável e invejavelmente praticado por GJ no curso de dezenas de anos, levou, por exemplo, Ludwig Wittgenstein, lógico e matemático do Österreich, a não atender às insistências de seu mestre, Bertrand Russel, para que publicasse as ideias do primeiro, mesmo incompletas e imperfeitas, e até sem haver este resolvido todos os entraves da Lógica, o que, aliás, nunca poderia ocorrer.

Entrementes, algumas pessoas, dotadas da meticulosidade que sempre presidiu ao caráter e vigilância profissional de GJ – num exemplo afeito ao caso, porém com distintas compreensões noutras circunstâncias – costumeiramente legitimam sua mudez editorial, remetendo-se a Immanuel Kant, na vagarosa expectativa de que suas compreensões sejam depuradas à perfeição, sem coima de erro, aos quais, como recomenda Tagore, não cerremos a passagem, porquanto a verdade é passível de ficar de fora.

O fato é que o começo da trilogia criticista de Kant ocorreu publicamente apenas em 1781, quando o Filósofo prussiano já contabilizava 57 anos, pois, na Crítica da Razão Pura, ele já traçara os limites em que se há de exercer a razão especulativa, quando a pessoa resulta incapaz de aportar diretamente às verdades metafísicas. Eis que, porém, a Crítica da Razão Prática, na qual encontrou, ao modo de postulados, as verdades transcendentes, às quais a pura lógica é impossível ser elevada, sucedeu somente depois, no ano de 1788.

No remate do seu criticismo, Kant, maduro e perfeito – conforme ainda não se achava GJ – mandou a público seu tratado a respeito do belo e do sublime, na Crítica do Julgamento, em 1790 – nove anos, então, para legar à Humanidade o tão apreciado Criticismo Kantiano.

2 O CONTO, ENFIM

Não sendo defeso alçar GJ a IK, mutatis mutandis, como alude nas guarnições de Brumas o polígrafo a mancheias Pedro Salgueiro, Geraldo Jesuino começa, e no gênero dos mais difíceis, então como um Kant aprestado, considerando-se a noção de que o exercício salutar do pensamento nos leva a transpor as estremas do egoísmo, servindo de remédio para a alma sofrida e fortalecimento multiplicado para a sadia existência.

A deleitosa leitura de Brumas (Fortaleza: Imprece, 2016) constitui lance venturoso, em que a reflexão se volve para o espírito, intermediada pela excelente literatura ficcionista, por via da qual se expressa o conto de qualidade, conforme os ali reunidos e sem remanescer nem faltar qualquer caractere gráfico ou cogitativo. Tem curso, então, o regalo imaginante, compartido pelos leitores, na propagação das imensas possibilidades vocabulares sob os mais distintos jeitos de interpretar, concedendo azo a demonstrações nas quais nem o literato houvera refletido. Esse portento da reflexão, deferência de Deus apenas aos hominídeos do estrato intelectivo de GJ, enleia e conforta a alma, depois do ardor da faina, ao abrandar horizontalmente o khrónos vital.

São estes, pois, principalmente em GJ, o ofício da Arte, o objeto das Letras e um de seus melhores transportes – a estória breve e integral do conto. Consoante se reconhece quando do estudo, alcance e definição das diversas feições literárias enfeixadas nas escritas, esta craveira compositiva, além de ligeira e exata, admite somente um conflito, ação singular, dispensando a ramosidade de enredos secundários e completivos, assentidos pelos romances e novelas.

Em Brumas, a igual do que sucede nas peças dos decantados contistas – Machado de Assis, Hans-Christian Andersen, Moreira Campos, Dalton Trevisan, Ernst Theodor Wilhelm Hoffmann, Fialho de Almeida et reliqua – as estórias de GJ vinculam-se a um número reduzido de personagens, com o argumento cosido em determinada unidade de tempo. Eis a razão por que as imposições estruturais ora referidas elidem do seu exercício – ou deveriam arredar  escritores ainda abstinentes e não visitantes desta prontidão raciocinativa e expressiva, concessora, ao conto, da combinação bem dosificada dos valores de intelecção e expressão solicitados pela obra d’Arte.

Contrariamente, porém, ao acontecido com o conto, do qual GJ restou continente até a publicação de Brumas, haja vista somente agora haver tombado sequoia tão avelhantada e em momento de muito regozijo para as seis artes coestaduanas, decerto porque desnecessário, ele não guardou parcimônia no concernente às apreciações críticas. Isto porque, há dois anos, por exemplo, escreveu monumental ensaio a respeito da obra Poesia do Brasil e do Mundo de Hoje, do imortal Rogério Bessa, de tão sublime força argumentativa ao ponto de me haver retirado de ligeira contingência ferial literária, quando levei a público o artigo intitulado “Prosa Alçadamente Professoral de Geraldo Jesuino da Costa”, na Revista da Academia Cearense da Língua Portuguesa (38:12, 2015); e, enfeixado em volume de 2014 (Como Abraços. Fortaleza: Imprece Editora), GJ publicou “Estrigas/Bandeira”, para o livro de Estrigas, denominado Bandeira, a Permanência de um Pintor, bem assim, entre outros ajuntados no mencionado compêndio (acerca do qual escrevi para a Academia Cearense de Literatura e Jornalismo a apreciação literária sob o titulo de “Pequeno no Tamanho e Grande na Conquista”), editou “Estrela, comparte de Palavra, Vida Minha, de Inez Figueiredo.

Ao diverso de haver perfilhado, tardiamente – contudo, sem falta – a dificílima grade do conto, já em 1984 – faz 32 anos – Geraldo Jesuino da Costa procedeu ao estudo introdutório de meu volume de estreia – Sobre Livros – Aspectos da Editoração Acadêmica (Brasília: Proed-MEC; Fortaleza: Edições UFC). Neste comenos, ele já se fazia escritor maturado no estudo constante, ao conformar o mister de artífice editorial para envolver com o continente da sua criação (capas, títulos, diagramações) os conteúdos similares das produções a si confiadas. Esse exercício era desenvolvido, muita vez, nos ordinários desvãos da vida e insulado nas águas-furtadas da atividade editorial cearense, nem sempre muito tranquila em razão dos embaraços recorrentes na relação dos autores com as demais frações do complexo editorial.

Ponto de realce sensível, liminarmente, nos contos deste livro de Geraldo Jesuino da Costa descansa na largueza de aplicação da Língua Portuguesa, sob comento na seção seguinte, pois o autor, discordantemente do modo de muitos procederem, elegeu para emprego todo o código glossológico lusitano, sem se importar com estratos, tampouco regiões, muito menos com a escolaridade dos leitores.

Com isso, alcança mostrar suas personagens e denotar diálogos, sem se impor limites no ofício de narrador, como nos casos em que recorre, amiúde, a palavras e expressões acerca das quais alguém com juízos mais hiperbólicos poderia debitar à partida dobrada dos dialetos e até de patois, não registados no Brasil, em raro favor dessa extraordinária Língua Nacional.

3 AMPLO EMPREGO DA LÍNGUA PORTUGUESA

No segmento “Palavras que Ensinam”, constante de Nuntia Morata – Ensaios e Recensões (Fortaleza: Expressão Gráfica, 2014, 368 pp), eu já exprimia a ideia – não custa repetir  de que as produções do autor sob glosa sucedem adversas às trivialidades próprias das elocuções terra-a-terra, fogem do sem sal e do desimportante, porquanto concedem estimação ao emprego, ricamente diversificado, de todas as classes de palavras, em especial os verbos, com as mui variadas acepções, desde os nomes às interjeições, e em suas significações plurais sob o permisso de uma língua magnificamente polissêmica e sincrítica.

Seu estro de artista plástico, poeta e contista vai buscar, pois lhes conhece os caminhos, as acepções jungidas a cada evento, com vistas a outorgar aos seus torneios a justeza gramatical e a acomodação estilística, conferindo ao escrito o estatuto de peça literária deleitante e única, como a dizer “sou o autor”, este texto é meu”, de forma que, mesmo sem sua chancela imprimida, saberá o bom leitor o fato de que é da sua autoria o trabalho que tiver de deparar para consumir.

GJ não aceita, não é partidário, da ideia limitante de 600 vocábulos, estremando o repertório da Língua Portuguesa, exclusivamente para facilitar a leitura por parte daquele consulente não preparado convenientemente na habilidade de recepção. Em assim procedendo, o que acrescenta o escritor ao cabedal dos recebedores? Qual o contributo novo da peça, passível de conduzir à melhoria da recepção do lado de audiências mais desprovidas? Que pedagogia exerceu o autor de uma obra com repertório tão restrito? – Evidentemente, quase nenhuma, pois prossegue instalada a mesmice, continua a usança, tem curso perene a rotina...

Isto Geraldo Jesuino consegue denegar, quando aplica a língua na sua admiranda extensibilidade, sem, todavia, carecer mostrar-se arrogante e inalcançável sob o espectro literário, conquanto – e tal já se depreendeu – seja exigível do contingente ledor boa circunstância de leitura; e, não o sabendo, eis a ocasião para, assentado numa escrita escorreita, correta e elevada, procurar apreender significados vocabulares e identificar significações estilísticas, a fim de alcançar o nível de bom leitor, ao exceder o portal da mera condição de alfabetizado e, em consequência, habitar o estádio de pronto decodificador.

Então, penso ser fácil verificar, mesmo o público menos atilado, os expedientes escriturais dele característicos, com vistas a conformar, a modo de estilo, as grandezas procedentes da atividade plástica que amanha e cultua às necessidades expressivas da Literatura, mesmo em se falando do gênero conto. Assim, exercita dúplice estese, a redundar em mais donaire para sua prosa e, de tal maneira, aferra sujeito a objeto da relação comunicativa, do começo ao cabo, nos dois extremos do discurso.

No meu entendimento, resulta falaz a intenção de liberar os textos da aplicação, quando couber, de quaisquer expedientes oferecidos pela nossa Língua, a fim de deixá-los mais “leves”, sob o prisma da recepção, para leitores menos aprovisionados intelectualmente, pois a estes cumpre é buscar a apreensão dos teores, apelando para as obras lexicográficas, o exame da Gramática, compulsar manuais de estilo e demais produções de referência, a fim de evoluírem, mesmo na autodidaxia caseira, para um patamar de leitura e decodificação condizente com o atual estado d’arte do conhecimento.

Não há de o escritor se esforçar – sem qualquer pressuposto pedagógico e abrindo mão da habilidade obtida em incessantes leituras e experimentos em laboratórios e lugares de prova, nas escolas e no recesso dos lares, com frequência, em altas horas da madrugada – para nivelar sua escrita ao rés do chão, a fim de ceder, rasteiramente, suas compreensões para quem não tenciona evoluir como bom decodificador de mensagens. Saber é muito bom, porém, aprender é penoso.

Prezo, por demais, então, os escritos inteligentes, cultos e bem expressos, como os de GJ, porquanto denotativos de seus aviamentos intelectivos e artísticos – agora incluso a medida do conto, haja vista a ideia de que “suas palavras servem para ensinar”, conforme sobra manifesto no título do mencionado segmento do Nuntia Morata.

4 EM REMATE


O fato é que, jamais a desoras, a fim de regozijar seus pares e enriquecer nossos haveres librários com numismas de real valor, nos chegou Brumas, ditado por Machado de Assis a GJ (Dimas Macedo), coberto dos atributos peculiares ao custoso expediente do conto, porteira fechada a muito escrevinhador no tentame de lograr, debalde, transpô-la, porquanto barrado pelas travas e arames farpados do seu cercado exigente. Só quem o adentra, pois, é a pessoa apropriada das preciosas gemas conquistadas no exercício diuturno, anual e decenal da atividade artística, sadia e correta, divisada e instantemente prescrita pela Teoria da Literatura.

A leitura atentiva de Brumas, em primeira vez, visou à compreensão dos seus entrechos, como parte exploratória das pretensões autorais, conforme sucede com quaisquer gêneros que se procure descodificar para apreensão dos enredos, advindo, porém, na sequência, a tarefa de esquadrinhar sua axiologia estética em aspectos particulares.

Acontece como a quem vê – e vi – de inopino e chofre, os boticellis, ghirlandaios, rafaéis e michelangellos do teto da Igreja Sistina, ou mesmo, e.g., as indizíveis peças esculturais do d’Orsay, como A Menina Chorando (Albert Bartholome), Liberdade (Fredéric-Auguste Bartholdi) e Leão Sentado (Antoine-Louis Barye); e, no Prado, as belezas sem superação plástica dos velazquez, el grecos, goyas e boschs.

Primeiro, vem a estupefação – queda-se pasmado com tanta estesia integral. Instala-se, a posteriori, a investigação dos detalhes, quando as belezas se vão, num crescendo, se ostentando, numa asa, em um pé, uma pata, um rosto, sorrisos; e em tanto que o consulente tencione procurar.

Desse modo me achei, desde a prima revista de Brumas, quando já houvera alcançado seu argumento. Senti-me tanto inebriado com os ali entrevistos grossos de Archangello Corelli e Tomaso Albinoni – a interação de dois violinos e um violoncelo com os demais da orquestra – bem assim extasiado ante a audição, no livro registada, dos agudos de um stradivarius de Enrico Toselli, particularmente na Serenata, ouvida pela primeira vez no começo dos ’60, via amplificadora dos padres piamartinos, na Igreja de Nazaré, Fortaleza-CE.

Quanta satisfação! Tanto enleio!


quinta-feira, 12 de maio de 2016

ARTIGO - Direito Extraordinário (RMR)


DIREITO EXTRAORDINÁRIO
Rui Martinho Rodrigues*



O STF suspendeu o mandato do deputado Eduardo Cunha. A decisão foi apresentada, pelo próprio Supremo como “extraordinária” e “excepcional”. Mas a Constituição Federal de 1988 declara que todos são iguais perante a lei, sem distinção (exceção) alguma. Também afirma que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. O “extraordinário” e ‘excepcional” está previamente definido? Caso esteja, não há excepcionalidade. Caso não haja prévia definição do crime, ou prévia cominação legal da pena aplicada, a Constituição terá sido rasgada. Algo não está bem explicado.

Suspensão de mandato está previsto em algum lugar? O STF não citou o dispositivo legal que embasou tal decisão. O “crime”, sem prévia definição legal, foi permanecer no exercício da presidência da Câmara tendo se tornado réu. Restou, como fundamento de validade da decisão a analogia com o afastamento do presidente da República, quando réu, mas não se pode aplicar analogia em matéria penal. Mais grave: apenar um deputado sem submeter tal decisão ao referendum da Câmara, e sem licença da daquela casa, é “exceção”. Significado: justiça de exceção.

O Deputado Maranhão, substituto de Eduardo Cunha, declarou que receberá o pedido de impeachment contra o vice-presidente Temer. Historiadores, no futuro, registrarão as coincidências: afastado o presidente da Câmara por medida “excepcional”, o substituto, que havia votado contra o impeachment, logo aceitou o pedido de impedimento contra Temer. O STF decretou cinquenta e três mandados de busca e apreensão, todos contra a ala oposicionista do PMDB. 

Eram vésperas da eleição interna do PMDB, que decidiria a recondução ou não do deputado Picciani (governista), à liderança do partido na Câmara, da qual havia sido afastado dias antes. A indicação dos deputados integrantes da comissão que daria parecer sobre o impeachment seria feita pelos líderes. O STF havia legislado sobre a matéria, determinando que assim o fosse. O deputado governista, depois do aperto dado nos deputados oposicionistas, foi reconduzido à liderança da qual fora defenestrado na semana anterior.

Tristes trópicos.


NOTA JORNALÍSTICA - Habemus Princeps

HABEMUS
PRINCEPS

12 de maio de 2016
6:33h

POR
55 x 22

ABERTURA 
DO
IMPEACHMENT
DE 
DILMA ROUSSEFF
NO
SENADO 
DA 
REPÚBLICA






quarta-feira, 11 de maio de 2016

ARTIGO - Manhas e Artimanhas (RV)



MANHAS E ARTIMANHAS
Reginaldo Vasconcelos*



A expressão do título é da demissionária Presidente Dilma Rousseff, e representa a mais perfeita carapuça para a cabeça dela mesma. “Quem disso usa, disso cuida”, diz o velho provérbio, perfeitamente aplicável neste caso.



Dilma atribui “manhas e artimanhas” aos seus inimigos, generalizados e difusos:

a imprensa livre;

ingrato Procurador Geral da República;

o Juiz Moro;

a “República de Curitiba”;

os ministros acovardados do Supremo Tribunal Federal;

os “anjos decaídos” que até recentemente foram aliados no Governo;

os empresários honestos que não fizeram doações oficiais ao PT, e não contrataram palestras do Lula a peso de ouro com dinheiro da Petrobrás;

os seis milhões de pessoas que saíram às ruas para bradar por “Fora Dilma”;

os próceres da oposição – enfim, todas as “forças do atraso” e as “elites conservadoras” que combatem o lulopetismo.

Acontece que a conduta manhosa e cavilosa tem sido peculiar aos petistas em geral, desde quando Lula editou a “Carta aos Brasileiros” e patrocinou o “Foro de São Paulo”.

Manha se verifica quando Lula se diz socialista e se mancomuna com o que há de pior na política de direita e no empresariado brasileiro.

Artimanha é Lula alegar, no primeiro momento, que o mensalão seria perdoável porque é prática comum na política nacional; em seguida, que o episódio aconteceu porque ele foi traído pela sua equipe de Governo; depois, que o mensalão não aconteceu, mas foi inventado pelas forças do atraso.

Mas a grande manha e artimanha a um só tempo é a versão de que Dilma, José Genuíno, Fernando Pimentel, José Dirceu, e outros quejandos, tenham lutado pela democracia, tendo sido presos e torturados porque pretendessem liberdades democráticas.

Esse pessoal pretendia de fato instalar no Brasil uma ditadura de esquerda, que ainda bem não prosperou. Para isso andaram praticando terrorismo – assaltando bancos, sequestrando autoridades, investindo contra tropas do Exército, na chamada “luta armada”, ou “guerrilha urbana”, que não recomenda a biografia de ninguém.

Então, é verdade que essas pessoas combateram a ditadura de direita, que foi resultado da ameaça comunista que elas mesmas provocaram – mas elas não objetivavam a democracia.

Quem lutou pela normalidade democrática – e alguns foram injustamente perseguidos pela repressão – foram advogados, jornalista e religiosos que apoiaram o golpe militar no primeiro momento, mas depois se insurgiram contra as atrocidades cometidas contra os militantes nos porões da ditadura, caso emblemático do velho Heráclito de Sobral Pinto.  

Por outro lado, além de integrantes da esquerda não se haverem sacrificado pelas amplas liberdades, e de não terem sido vítimas inocentes, ao contrário do que dizem hoje, a esquerda também se recusou a assinar a Constituição de 1988 – e agora, sofrendo o impeachment, o governo petista invoca os princípios democráticos, que nunca defenderam, brandindo a Carta Magna, que eles mesmos rejeitaram. Isso é que são manhas e artimanhas.

Manhas e artimanhas estão entrevistas nas frases de Lula – “eles não sabem do que somos capazes para reeleger a Dilma” – e da própria Dilma – “A gente faz o diabo para vencer eleições” – expressões que traem a filosofia cavilosa que norteia o seu partido.


Vade Retro! 

  

terça-feira, 10 de maio de 2016

ARTIGO - Perplexidade (RMR)


PERPLEXIDADE
Rui Martinho Rodrigues*


O STF criou uma pena de “suspensão” de mandato, não prevista no ordenamento jurídico brasileiro. Fê-lo por unanimidade, confessando que não havia base jurídica para tanto, ao dizer que era uma decisão “extraordinária” e “especial”. Foi além: puniu um deputado sem licença da Câmara dos Deputados e sem submeter a um referendum daquela casa, apesar da “excepcionalidade” da decisão.

Após isto o deputado Waldir Maranhãoque tem telhado de vidro e pode ser chantageado, surpreendeu a todos anulando a decisão da Câmara, embora seja apenas interino, desafiando os 367 deputados que apoiaram o impeachment. Atacou um ato jurídico perfeito, já legitimado pelo Senado, que recebeu o pedido e admitiu a denúncia por quinze votos a cinco, na comissão especial. Maranhão seguiu a argumentação do Eduardo Cardoso, chefe da AGU. Simplório, o deputado maranhense não atentou para o fato de que poderá ser cassado pelos pares, por quebra do decoro parlamentar.

Para tamanha tamanha ousadia, terá ele confiado em alguma promessa de proteção no STF? Cabe especular, depois da decisão “extraordinária” da Suprema Corte, e após o Ministro Lewandowski dizer que o Supremo poderia examinar o mérito do impeachment, desafiando a soberania popular do Senado.

Outro antecedente preocupante do Pretório Excelso foi a expedição de cinquenta e três mandados de busca e apreensão, todos dirigidos contra a ala rebelde do PMDB. Nenhum deputado de outro partido foi incomodado, embora numerosas agremiações tivessem parlamentares nas listas da Lava Jato, da Zelotes e outras mais. 

Mais preocupante porque tais mandados foram expedidos quando o PMDB acabara de destituir o líder do partido na Câmara, devendo reexaminar esta decisão em eleição interna do partido. O líder destituído era, ao tempo, governista e como líder indicaria os integrantes do partido que iriam compor a comissão destinada a emitir parecer sobre a admissibilidade do impeachment. O PMDB, como se houvesse cedido à intimidação, reconduziu o deputado governista à liderança.

O aspecto jurídico, todavia, é de uma clareza cristalina. Não havia processo na Câmara, mas mero juízo de admissibilidade, semelhantemente a um inquérito policial. Nulidades só existem em sede de processo. Inquéritos têm meras irregularidades, que não geram nulidades. 

Iria o advogado Eduardo Cardoso incidir em erro tão grosseiro, através do deputado Waldir Maranhão? É pouco provável que o fizesse se não sentisse as costas quentes. Só o STF, acumpliciado com os autores da manobra, poderia respaldar tamanha violência. Repita-se que cabe especular, depois que a representação contra Eduardo Cunha dormitou por seis meses numa gaveta, subitamente transformou-se em urgência, dando lugar a uma decisão “extraordinária” costurada madrugada a dentro. 

A dita decisão “excepcional”, antes de ser apreciada diante das câmaras da televisão, precisou ser examinada em recinto fechado, do qual saiu a estranha unanimidade do STF. Diante de tudo isso os caminhos extraordinários e excepcionais só podem ser extremamente graves e preocupantes, gerando uma perplexidade sem precedentes na vida republicana.



COMENTÁRIO:

1. Tenho para mim que não foi Ricardo Lewandowski que declarou haver possibilidade jurídica de recurso ao STF após julgado o impeachemet pelo Senado Federal. Foi Marco Aurélio Mello – outro dentre os dois ou três membros da Corte que não estão “acovardados”, porque têm coragem de decidir e votar a favor dos interesses do Governo – segundo o critério de Lula da Silva.

2. Mas a mim me parece que Teori Zavascki não está entre os “bravos” de Lula, pois não afastou Eduardo Cunha, notório inimigo do Governo Dilma, antes do julgamento da admissibilidade do impeachment pela Câmara, frustrando pretensão do Advogado Geral da União. E quando o fez foi para melhor viabilizar o futuro Governo Temer, tirando Cunha da linha de substituição eventual do Presidente da República.

3. O simplório deputado Maranhão foi, sim, manipulado pelo Advogado Geral da União, que no afã de defender o indefensável tem recorrido a tiro de baladeira contra carga de canhão. A solução insensata de tentar fazer anular a sessão de admissibilidade do impeachment na Câmara era o canivete de que ele dispunha contra o leão que o ameaçava, e que o vai devorar de qualquer jeito.

Reginaldo Vasconcelos

REPERCUSSÃO JORNALÍSTICA - Açudes Castanheiro e Aurora (CB)


Veículo: O Povo Data: 10/05/16 Pág. 9


































sábado, 7 de maio de 2016

NOTA JORNALÍSTICA - Beto Studart Cumpre Anos



BETO STUDART
CUMPRE ANOS
E PROMOVE EVENTO DENOMINADO
“ALEGRIA DE VIVER”

O empresário Beto Studart, um dos mais bem-sucedidos homens de negócios cearenses deste século, 10º Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, 10º Membro Benemérito da ACLJ, inesperadamente chega aos seus 70 anos. O aniversariante recebeu os amigos em concorrida festa no Salão Coliseu do Buffet La Maison, no Bairro Dunas, em Fortaleza, a que deu o título sugestivo de “Alegria de Viver”.



Beto, que aparenta, no mínimo, dez anos a menos – hígido, lépido, jovial – pelo andar da carruagem ainda perfurará inúmeras décadas à frente, para júbilo e glória de parentes e amigos. Detentor de saudável filosofia aplicada, sua atitude diante da vida reescreve o célebre poema “Contraste”, do Padre Antônio Thomaz, o primeiro Príncipe dos Poetas Cearenses:

Quando partimos no verdor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, céleres, ufanos,
Vamos marchando descuidosamente;
Eis que chega a melhor idade de repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos.

Então, nós enxergamos claramente
Como a existência é pródiga e veraz,
E vemos que sucede, exatamente,
Muito melhor que nos tempos de rapaz:
– As esperanças vão conosco à frente,
E os desenganos vão ficando atrás.

Para além da beleza viril que caracteriza os integrantes masculinos da família Studart como um todo, Beto também não dissente desse tradicional clã cearense no que tange aos modos lhanos, à fina educação, ao trato afável e elegante para com quem com ele prive, ou eventualmente o defronte – sem fazer distinção de qualquer casta humana ou de classe social.


Durante a festa, Beto foi surpreendido pela homenagem especial que lhe prestaram a mulher, Ana Maria, o filho e a nora, as filhas e os genros, além das pequenas netas, momento registrado em vídeo pelo nosso técnico Décio Carrilho, acessível pelo link abaixo, e pelo Canal Youtube da ACLJ.


Os discursos da mulher e dos filhos destacaram o bom-caráter, o espírito humanitário, o empreendedorismo, o amor à família, a lealdade para com os velhos amigos e para com os parceiros nos negócios – e principalmente a alegria de viver – características que todos reconhecem em Beto Studart.

Ao final, a filha mais nova, Giovana, cantou em sua homenagem a valsa “Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda”, com muita graça e emoção.

As imagens mostram (a) a mesa dos amigos de infância, dos tempos de nadador do Náutico Atlético Cearense, a que também se sentaram representantes da ACLJ, Reginaldo Vasconcelos e Humberto Ellery;

(b) o grupo do Presidente da Academia Cearense de Letras, José Augusto Bezerra, com a sua Bernadete – e a Secretária da ACL, Regina Fiúza com o seu Marido Eduardo, amigo dileto do aniversariante Beto Studart.





COMENTÁRIO:

“O homem magnânimo deseja ocupar-se de poucas coisas, e estas têm de ser verdadeiramente grandes aos seus próprios olhos, e não porque outros assim pensam. Para o homem magnânimo, dotado de uma alma grande, a opinião solitária de um único homem bom conta mais que a opinião de uma multidão.”  Aristóteles (384-322 AC)                                                              

Meu caro Beto, o grande dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht dizia que “há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”.

Com todo o respeito pelo intelectual brilhante, Brecht era intrinsecamente um revolucionário, gostava de luta, era um homem que dizia aceitar a inevitabilidade da Guerra, pois embora esta mate os fracos, a Paz também os mata. Eu, particularmente, não acredito em Revolução, prefiro a Evolução baseada na Paz, no Amor, na Solidariedade.

Agora, que somos “septuagenários”, temos uma rara oportunidade de lançar um olhar sobre o caminho percorrido todo esse tempo, e observar as marcas dos nossos pés que deixamos na estrada. E é muito bom vermos que sim, há marcas de tropeços, há marcas de quedas, mas todas essas marcas estão seguidas das marcas do esforço de soerguimento, das marcas do “levantar de novo”, porque não há derrota em cair, a derrota contempla apenas aos que não lutam para levantar outra vez. “Levanta sacode a poeira e dá a volta por cima”.

O mais importante nesse olhar retrospectivo sobre a estrada percorrida, que você pode mostrar para sua querida Ana Maria e seus filhos, filhas e netas, é que sua caminhada se deu sempre em linha reta, sem concessões a atalhos mesquinhos, ou trechos mal iluminados. Seu caminhar foi  sempre às claras, sempre iluminado pelos ensinamentos de Jesus Cristo.

Amém.

Um grande abraço do Bebeto Ellery

DISCURSO - Educação em Saúde (FAG)

Lançamento de Ensino da Saúde – 
Aproximação entre Teoria e Prática*

EDUCAÇÃO EM SAÚDE
 Interfaces Teóricas e Práticas
Francisco Antônio Guimarães**


Educar a inteligência é dilatar o horizonte dos seus desejos e necessidades. (James Russel LOWELL. Intelectual eclético dos EUA. Cambridge-Mass., Y22.02.1819 – V12.08.1891).

O corpo são é o abrigo da alma. O corpo doente é a prisão. (Francis BACON . Filósofo inglês. YLondres, 22.01.1561 – VHighgate, 09.04.1626).

Experimento agora uma satisfação muito especial, quando tenho a oportunidade de retornar a uma circunstância que perpassou a maior parte da minha vida de professor, exatamente a docência para turmas de cursos das Ciências da Saúde na Universidade Federal do Ceará, ministrando matérias do seu disciplinamento básico, ligadas à Biologia e aos seus regramentos afins.

A harmonia se completa quando o móvel desse prazer está expresso no batismo de um livro e, subsidiariamente, numa publicação que registra o concurso autoral de nada menos do que 90 subscritores – ao contabilizar na sua autoria todo o conjunto de pessoas inseridas na relação do ensino teórico e prático, configurado na participação de estudantes, professores, terapeutas comunitários, convidados e dirigentes de saúde.

Sob a autoria plural de personagens vinculadas aos mais distintos ângulos da relação pedagógica, e conforme orientam a Organização Mundial de Saúde e as políticas nacional, estadual e municipal de Fortaleza para o setor, a coletânea neste instante sob lançamento, intitulada Ensino na Saúde – Aproximação entre Teoria e Prática, ao lume pelas Edições UFC, sistematiza e traz à luz editorial exercícios teórico-práticos com fulcro na diversificação dos teores ministrados nos programas de graduação em Saúde, quando reúne em saudável aproximação as instituições de ensino e de serviço da área, com a participação imprescindível da comunidade.

A despeito de alguém mais desavisado tecer às seleções de artigos críticas ingênuas - digo ingênuas, pois a ingenuidade afasta o caráter de irresponsabilidade, fora de dúvidas, consoante a sanção expressa por Umberto Eco, célebre escritor italiano sobre Metodologia das Ciências, “[...] as coletâneas podem ser encaradas como uma galáxia de observações não totalmente desconexas, entre as quais quem lê poderá estabelecer as ligações que lhe pareçam oportunas”. (ECO, Umberto. Sobre os Espelhos e outros Ensaios. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989).

Tal significa exprimir, em particular nas claras vinculações assentadas na seara da Educação e Saúde (caso deste livro), a noção de que os textos dos quais cuido agora, orientados por investigadores atuantes em programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), conferem a quem os consulta o ensejo de conferir opiniões de outros autores – nesta seleção de artigos, noventa - sendo, pois, o momento de reafirmar convicções, apagar dúvidas e deparar compreensões erradas, tanto suas como dos articulistas.

Tem, ainda, o consultor de uma coletânea igual a esta o ensejo de revisar conceitos e abandonar entendimentos equivocados, experienciando, enfim, muitas oportunidades para aprender e se atualizar com base nos conceitos expressos na seleção de escritos, por mais que sejam coerentes ou desiguais, lógicos ou despropositados, não carregando, evidentemente, este volume esses aspectos negativos, uma vez que passaram pelo crivo exigente e de elevado nível de estudiosos do tema.

De tal modo, embora haja quem diga o contrário, o recurso à coletânea é por demais válido, a julgar pelos aspectos que suscitei há pouco, e, do ponto de vista econômico-financeiro, é mais fácil de vir a público, pois o quantitativo de autores assim o permite, no caso de não receber apoio oficial ou privado, haja vista poder uma edição ser financiada pelo universo de seus colaboradores, sem demasiada carga monetária para suas bolsas.

Manda a razão – e disso me desculpo – não fazer referência, por estrita falta de espaço e lógica ausência de tempo, nem ao temário geral do compêndio, bastante extenso, tampouco ao contingente de escritores – nove dezenas – limitando-me a destes enaltecer os nomes, em tão relevante ocasião e não menor motivo para tal.

Para isso, me reporto aos organizadores e representações do todo, professores doutores Maria Fátima Maciel Araújo, Renata de Sousa Alves e Paulo Sérgio Dourado Arrais, da nossa Universidade Federal do Ceará, no ensejo em que os parabenizo, neste momento que nunca deixará de ser festa (o lançamento de um livro), pelo esforço conjunto e a organização do projeto, agora no auge do êxito, fato representativo de verdadeiro exemplo de atuação do Ensino da Saúde e suas aproximações entre os aspectos teóricos e procedimentos práticos desenvolvidos pelos escritores no âmbito de suas instituições em intercâmbio, o que a todos eleva e conquista.

O volume agora entregue ao público especializado em Ciências da Saúde e locus coletivos de seus exercícios de teoria e prática, sem qualquer dúvida, e pelos motivos há pouco expressos, tem, de antemão, sucesso assegurado, pelo que, por mim próprio e como delegado que sou, na qualidade de seu presidente, no nome da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, almejo para o livro e seus pesquisadores signatários o mais absoluto êxito.

Disse.


*O lançamento ocorreu no dia 03 de maio de 2016, no auditório da Associação dos Docentes da UFC – ADUFC-Sindicato, às 20 horas, sendo este o texto de apresentação, por parte do Professor MS – Francisco Antônio Guimarães, da Universidade Federal do Ceará, Presidente da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, da mesma Instituição.



**Francisco Antônio Guimarães 
é biólogo e engenheiro de operações; MSc em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal do Ceará; imortal-fundador da 
Arcádia Nova Palmaciana 
Cadeira número 1 (Palmácia-CE)